Coluna

Viver melhor: Gente que mora dentro da gente

00:00 · 25.03.2017

Alguma vez você já teve a sensação de estar vivendo uma batalha interior entre duas vozes antagônicas que lhe incentivam a tomar rumos completamente diferentes? Uma voz que diz "vai" e a outra que diz "fica"? Uma que diz "ousa" e a outra que diz "nem pensar"? Ou uma que diz "explode!" e a outra que diz "respire fundo"? E se eu lhe disser que não são somente duas vozes que duelam dentro de você? Na verdade, existem vários "eus" morando bem aí, no espaço interior do seu ser, cada um fazendo "das tripas coração" para chamar sua atenção.

É sobre isso que a psicóloga Patrícia Gebrim escreve no seu livro para adolescentes "Gente que Mora Dentro da Gente". Sua contribuição me ajudou muito e há anos ilumina minhas sessões de coaching. Depois que descobri toda essa gente morando dentro de mim, passei a ter interesse em conhecer também todos os "eus" que moram no coração dos meus clientes e trabalhar o impacto dessas vozes na vida profissional deles.

Todos nós temos um Eu Criança que ainda pulsa com toda sua espontaneidade, abertura e criatividade, mas também com suas dores e carências. Mesmo aqueles que tiveram infância feliz, com pais presentes e amorosos, tem alguma dor registrada no coração, seja ela fruto de fatos reais ou de algo que foi interpretado de forma distorcida pela criança. Por conta dessas "dores", uma mesma criança inocente, pura e doce pode tornar-se também impaciente, ansiosa, birrenta e explosiva, em busca daquilo que ela mais quer na vida: atenção e amor!

Se você parar um pouco para pensar na sua criança, ela também tem carências que até hoje influenciam na sua vida familiar, profissional e social. É preciso dar colo para sua criança sem medo de descobrir pelo que ela ainda chora. Quando você bravamente mergulha na busca das dores da sua criança, acolhe-a em seus braços e dá-lhe a segurança que precisa, naturalmente você resgata também as virtudes tão belas e próprias da sua criança.

Quando o lado negativo da criança cresce, torna-se o Eu Inferior. O Eu Inferior é o conjunto daqueles sentimentos que você sente e que não gostaria de sentir. Muitas pessoas optam em não olhar para esse lado negro de si e resolvem deixar "seu monstro" trancado, fazendo de conta que ele não existe. Agem como se nunca sentissem qualquer sentimento negativo.

O problema é que quanto mais preso, mais bravo o "monstro" fica. É preciso aceitar que não somos perfeitos como gostaríamos. Aceitar o Eu Inferior não significa simplesmente conformar-se, jogar seus sentimentos negativos por onde passa e sair destruindo todos que você ama. É preciso paciência e uma longa caminhada para transformar essa parte sombria.

O terceiro "Eu" é uma construção formada pelo "Eu Inferior" para cobrir a culpa, o medo e a vergonha que sente no coração. Incapacitado de revelar sua imperfeição, construiu máscaras, procurando mostrar-se como gostaria de ser ou como acha que os outros gostariam que fosse. Esse é o Eu Mascarado. Ele acredita que "seus personagens" nunca serão descobertos e assim será amado, admirado e aceito por todos.

O Eu Mascarado é aquela voz dentro de nós que critica e corrige a todo instante para não corrermos o risco de deixar a máscara cair, mas o Eu Inferior uma hora se cansa de ficar trancado e amordaçado e, quando menos se espera, acaba escapando. É preciso abraçar a nossa verdade, com nossas virtudes e vulnerabilidades, pois quanto mais deixamos o Eu Mascarado ganhar espaço em nossas vidas, mais nos distanciamos da força vital do nosso verdadeiro "Eu".

A boa notícia é que no centro do seu ser, há luz, há força, há vida, há amor! Estamos falando da melhor parte de você; o seu Eu Superior. Ele se revela quando você está em sintonia com a sua verdadeira essência. Também pode ser entendido como a sua conexão direta com Deus que traz em si sua virtude máxima: o amor. O Eu Superior não é melhor nem maior do que ninguém, é simplesmente a melhor parte de você mesmo. Ele é livre, feliz e realizado com a sua forma, o seu tamanho, a sua função e com o espaço que tem no mundo!

E para terminar, me direciono ao Eu Observador, que é você que lê esse artigo nesse momento e toma consciência da existência de todos os outros "eus" que existem dentro de você. Agora você assume uma visão privilegiada do todo e pode definir qual espaço na história cada um dos seus "eus" ocupará. Quem será o protagonista? Quem serão os coadjuvantes? E quais personagens serão eliminados do enredo da sua vida?

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