Coluna

Viver Melhor: Dialogue

00:00 · 08.07.2017 / atualizado às 10:16 · 12.07.2017

Cresci ouvindo do meu pai que na sua casa tinha-se a tradição das rodas de conversa. Meu avô chegava do trabalho, sentava os 13 filhos em uma roda, juntava também alguns vizinhos da rua e conversava sobre o dia e sobre a vida. Através das rodas de conversa, a tradição oral era viva e muitos ensinamentos eram passados para gerações futuras. Atualmente, com a velocidade acelerada da vida e com a distração causada pelos celulares, raramente se encontra pessoas com tempo e paciência para simplesmente conversar.

William Isaacs, professor do MIT, escritor e pesquisador sobre diálogo, tem sido um grande responsável pelo resgate dessa prática, não só nas famílias como também em muitas empresas. Ele já implantou, por exemplo, programas de diálogo na Ford, Motorola, AT&T e Shell. Na sua obra Dialogue, ele apresenta sua definição de diálogo como uma conversa que tem um centro, não lados. Na sua opinião, a maioria dos diálogos fracassa porque as pessoas, em vez de criarem espaço para o outro, passam a maior parte do tempo esperando pela primeira oportunidade para oferecer seus comentários e opiniões. Há pouca curiosidade e pouco interesse em ouvir e aprender. O que existe é uma enorme vontade de fazer a própria ideia vencer. Quando isso acontece, instala-se um ambiente polarizado, com duelo de opiniões ou briga de egos.

Tão prejudicial quanto o ambiente polarizado é a falsa harmonia. Em prol da "paz", muitos camuflam suas divergências e mantêm seus diálogos em níveis superficiais, com discussões abrangentes e sem impacto nas ações. Diálogos profundos provocam inquietações que geram mudanças na forma de pensar, sentir e agir. Quando bem conduzidos, têm o poder de expandir ideias, de criar soluções e gerar novos aprendizados. Os melhores diálogos acontecem quando as pessoas usufruem da energia criada a partir das diferenças e a canalizam em direção a uma solução previamente desconhecida por ambas as partes. Quando as pessoas descobrem esse poder do diálogo, maravilhas acontecem nas empresas, nas famílias e em todas as relações.

O diálogo pode ser considerado uma arte porque exige essa habilidade de estacionar ideias e crenças pré-concebidas para ouvir o outro com neutralidade. Em minhas sessões de coaching, percebo que um grande vilão dos diálogos é o julgamento. Quando expressamos nosso julgamento, seja por palavras, por expressão facial ou pelas gesticulações, bloqueamos todo o processo de aprendizado, vetamos o fluxo do pensamento coletivo e acionamos no outro mecanismos de proteção. O diálogo passa, então, a ser um movimento de defesa e acusação. Diálogo exige de nós a responsabilidade de pensar antes de falar, não só de reagir. Geralmente uma reação indevida gera outra reação pior ainda.

Invista na sua habilidade de dialogar. Quem não conversa, não se relaciona. Quem não se relaciona, não é feliz. Afinal, mais do que de construções, a vida é feita de interações. Dialogue! (No meu site, www.Mariliafiuza.Com, disponibilizo a Técnica "E4" para diálogos eficazes. )

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