Coluna

Márcia Travessoni: Facetas do Carnaval

Márcia Travessoni (Gente)

marcia.travessoni@diariodonordeste.com.br

00:00 · 25.02.2017

Para quem está de fora, Fortaleza ainda não se mostra tão atrativa no Carnaval quanto os tradicionais destinos, a exemplo do Rio, Salvador e a dupla Recife/Olinda. Tanto que a ocupação hoteleira prevista para o período, este ano, é de 80%, oito pontos percentuais a menos que o ano passado. "O que atrai os turistas pra cá nessa época continua sendo as nossas belezas naturais, e não tanto a programação de Carnaval", reconhece Ivana Bezerra, vice-presidente da ABIH-CE.

Quem reside na terrinha, contudo, concorda em afirmar que foi-se o tempo em que Fortaleza ganhava a alcunha de 'deserto' no período do Carnaval. Hoje, a capital concentra manifestações culturais que se encaixam em todas as preferências e contam histórias do nosso passado, desde os maracatus, afoxés e blocos de rua aos bailes de máscaras e nos tradicionais clubes. Que comecem as comemorações!

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Bernardo Bichucher, Isabel Opiz, Kika Bichucher, Natalie Ziel, Carolina e Vittorio Bichucher, Pedro e Ana Beatriz Opiz

Bastidores

Segunda-feira, Maria Josilda Botelho Belchior comemora o aniversário em sua casa serrana. Na lista de convidados, Socorro França e José Maria Pinto, Tane Albuquerque e Francisco de Mattos Brito, Mana e Manoel Holanda, Leda e Souto Paulino, Selma Pagneretti, Helena Cidrão, Neise e José Maria Andrade, Teresa e Gil Bezerra, Tânia e Paulo Quesado, Zenaide e Paulo Bezerra, Yolanda e Meton Vasconcelos, Marta e José Teles Monteiro, Wanda e José Botelho, Teresinha e Antônio Castelo, Fátima e Juvenal Duarte. /// São aniversariantes do feriadão Cinira Cruz, Francisco José Câmara, Inês Aparecida, Viviane Almada, Diana e Humberto Cavalcante, Selene Bezerra, Terezinha Martins, Eduardo Campos, Tanzita Wichmann, Mônica Arruda, Daniel Fiúza, Dito Machado, Stefânia Pinheiro e Lourdes Wanderley.

Bodas no ideal

Após oficializarem a união nos Estados Unidos, onde residem, Natalie Ziel e Vittorio Bichucher desembarcaram em Fortaleza para celebrar o momento com a família dele, em uma festa encantadora no Ideal Clube. Em clima brasileiro, os convidados curtiram a recepção ao som de bossa nova e MPB na voz de Roberta Fiúza. Dj Pedro Garcia e a banda The Dillas completaram o repertório. Com buffet da chef Camila Câmara e os doces de Toca Fina Cozinha, a festa teve organização de Lília Quinderé e decoração impecável de Juliana Capelo, que não economizou nas flores e no bom gosto, como sempre.

Cecília e André Bichucher

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Jorge e Graça Romcy, Christiane Boris e Carlos Maia

Louise Benevides, Paola e Paulo Brandão

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Rebeca Sousa

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Destaque

Felipe e Bento Rocha, clicados no aniversário da pequena Luiza, filha de Priscilla Ximenes e Bruno Becco

Literatura

A escritora cearense Ana Miranda fala de que forma a literatura mudou sua vida e narra os marcantes encontros que teve com Rachel de Queiroz, que lhe inspiraram a escrever o romance 'Semíramis', sobre José de Alencar. Foto: Maurício Pokemon.

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Em que momento você percebeu que a literatura fazia parte da sua vida?

Escrevo desde criança, poemas, diários, cadernos de sonhos, ficção. Adulta, já tinha dois livros de poemas publicados, quando saiu meu primeiro romance, o 'Boca do Inferno', e foi quando entendi que era uma escritora de verdade, que podia viver a literatura como a minha expressão mais importante.

Qual foi a sua obra que mais lhe marcou?

'Desmundo'. Acho o mais bonito, mais pessoal. Marcou minha libertação de muitas regras literárias. É meu primeiro romance narrado na voz feminina, tem muita poesia nas frases, e pela primeira vez apareceu um desenho meu na capa.

Seus romances ganharam prêmios nacionais e internacionais, além de traduções em diversas línguas. O que esses destaques significam para você?

O reconhecimento é agradável e sempre traz estímulo. Mas acho que os verdadeiros prêmios de um escritor são os leitores, são as leituras que eles fazem, dando vida ao que era vida na minha cabeça, e se transformou depois em apenas papel e tinta. Os livros se tornam vivos quando despertam o sonho na mente de um leitor. Alguém calculou uma vez que eu teria uns quatrocentos mil leitores, então, são quatrocentos mil prêmios.

Você já morou em cidades como Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Qual delas mais influenciou sua escrita?

Este é um ponto sensível para os escritores: a sua geografia pessoal. Para mim, que nasci aqui e fui levada embora ainda muito menina, a impressão é de que fiquei sem a minha aldeia. Os escritores quase sempre têm a sua aldeia. O meu caso é o de ter uma aldeia imensa, que é o Brasil. Mas o Rio de Janeiro ganha como cenário de meus romances. Morei no Rio dois terços da minha vida.

Como foram seus encontros com Rachel de Queiroz?

Éramos vizinhas no Rio, e ela me convidava a ir à sua casa, eventualmente. Eram longas conversas, só nós duas. Ela me pediu que escrevesse um romance sobre a Bárbara de Alencar, e me deu um livro que guardava, sobre o assunto. Escrevi o romance 'Semíramis', que fala de dona Bárbara e de seu neto, o José de Alencar. A Rachel me falava muito na ausência do Ceará em meus livros, achava que a minha obra devia "pisar o Ceará". Nessa época ela estava escrevendo 'Maria Moura', e conversávamos bastante sobre estilo. Ela dizia que, na literatura, o estilo é tudo.

Em algumas obras você evoca autores antigos. De que forma essas vozes lhe inspiram?

Me inspiram como fonte literária, a partir dessas obras construo uma linguagem para um romance meu. Sou fascinada por nossa língua, trabalho um pouco como uma arqueóloga de palavras, tirando a poeira. Nesses autores encontro muitas palavras e expressões esquecidas, e as faço reviver. Gosto de trabalhar num diálogo com poetas, um trabalho de intertextualidade.

Um sonho.

Meu sonho atual é ver o livro de pessoas queridas publicados e lidos. Também estou sonhando em publicar um livro só com os meus desenhos. E queria fazer uma biblioteca pública na Prainha.

Um livro.

Todos. Um escritor antigo (Emerson) dizia que todos os livros do mundo são escritos por um mesmo ser onisciente.

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