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Estrelas Esquecidas: Viajante das estrelas

Estrelas Esquecidas

A. CAPIBARIBE NETO - capi@globo.com

00:00 · 17.03.2018

A viagem de Stephen Hawking não foi uma surpresa. Vítima de esclerose lateral amiotrófica, doença que se abateu sobre ele desde muito cedo, Stephen nunca se abateu. Pelo contrário, superou-se e ensinou ao mundo, principalmente à comunidade internacional de físicos e astrofísicos. Nunca, até o presente momento, alguém incapacitado fisicamente, e sem ter mais o dom da voz, conseguiu se comunicar tão brilhantemente e ensinar lições que sempre foram difíceis de entender e de modo simples e natural.

Antes de deixar o convívio terreno para ocupar seu lugar entre as estrelas, expressou seu desejo de ter, na lápide de túmulo, a sua fórmula matemática criada para calcular a energia emitida pelos buracos negros. Essa fórmula teve a ajuda do físico Remo Ruffini, diretor do Centro Internacional de Relatividade e Astrofísica, e foi ele quem comunicou a partida de Stephen. Em um jantar na casa de Stephen, além de Ruffini, estava presente um famoso matemático da Nova Zelândia e, na ocasião e com a ironia e serenidade que sempre lhe foi exemplo, Stephen disse brincando que a fórmula não era só dele, mas de todos.

Hawking faleceu quarta-feira, 14, aos 76 anos. Por sua história de superação, por conseguir chegar às pessoas com seu talento comunicativo e pelo seu interesse em áreas que extrapolavam seu campo de estudo, perseguiu este fim para além da física. Parte deste texto serviu para ilustrar, de forma simplificada, quem foi Stephen Hawking, um homem que viveu dentro de uma Casca de Noz, onde construiu e se comunicou com o Universo, esteve nos noticiários impressos dos principais jornais do Brasil e do mundo.

Para nós, fãs ardorosos do futebol, mesmo com o 7x1, do Carnaval, de ídolos fantásticos, como Anita, Pabllo Vittar - assim mesmo, com dois "eles -", a vida sensacional de Thammy - assim mesmo também, com dois "emmes" - e a sensacional e fantástica operação do dedinho do Neymar. Isso sim, notícias importantes, além, é claro, do prende-não-prende de Sua Santidade Lula - infelizmente só com um "ele" -, a história de Stephen Hawking ficará, aqui na nossa terra, relegada a um espaço possivelmente pequeno.

Principalmente, porque as descobertas, as fórmulas e os livros do astrofísico, mesmo com a sua forma simples de se comunicar, não alcançam a todos, porque, afinal de contas, somos o que vemos todos os dias e olhamos apenas para o nosso umbigo. No máximo, para os pés. Em 2012, ao completar 70 anos, Hawking sugeriu: "Olhe para as estrelas, não para os seus pés...". As poucas dúvidas e todas as certezas contidas na biografia de Stephen, amealhadas e colecionadas ao longo de sua curta existência terrena, certamente ele estará conferindo bem além do buracos negros, capazes de absorver toda a matéria do Universo, inclusive a luz. Agora estarão brilhando dentro de sua percepção única sobre todas as coisas pelo Cosmos afora. Tão infinito como o próprio Universo, dentro da percepção dos pouco iluminados e curiosos, Stephen Hawking eternizou-se enxergando tudo que nos cerca, mesmo sentado na cadeira que o limitou fisicamente, sem jamais ter aprisionado a sua inteligência e possibilitá-lo viajar, lépido e fagueiro, através distâncias incomensuráveis da vastidão do Universo das nossas estrelas.

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