Coluna

Estrelas esquecidas: Sombras dão vida à luz

Estrelas Esquecidas

A. CAPIBARIBE NETO - capi@globo.com

00:00 · 24.06.2017

Desde que a luz se fez, a luz não seria nada além de um brilho não fossem as formas que elas evidenciam, dão contornos, comprimentos, profundidade e possibilitam a sensação da visão com todas as nuanças dentro da tímida faixa do espectro eletromagnético onde se situa o espectro de cor... Ufa! Ah, tem mais: o espectro visível ao olho humano situa-se numa estreita faixa entre 400 e 700 Ångstrom, que inicia no espaço dos raios ultravioleta e se estende até onde começam os infravermelhos.

Dentro do espectro eletromagnético incluem-se raios gama, raios-x, radar, ondas de rádio (AM e FM). Nada que se situe fora do espectro de cor importa aos olhos além, é claro, quando as emissões de alguns se evidenciam sobre o ser humano, como o excesso de raios-x, raios gama (usados no tratamento do câncer, mas perigosos em doses excessivas).

Retomando, aos olhos do homem, essa luz decomposta, como se pode ver num simples arco-íris a partir de raio de luz branca - que nada mais é que a junção de todas as cores conforme se pode provar através da experiência com o Disco de Newton. Pois bem, o introito técnico apresenta-se para valorar a importância da Luz. Ah, a luz... Luz cúmplice das penumbras românticas ou de repouso a cuidar do sono ou proteger intimidades. Luz forte, incandescente para a comprovação das evidências às claras, para enxergar as minúcias dos detalhes ou de prover mais clareza para a observância dos minúsculos ou microscópicos.

Luz de estrelas distantes, tão distantes, cujas distâncias, de tão inalcançáveis, são mensuráveis apenas em anos-luz! Para facilitar a compreensão de quão afastadas estão da nossa vã filosofia e avaliações quânticas, basta que se calcule o número de segundos que existem em um ano, multiplique-os por 300 mil, que é a velocidade da luz. Número astronômico, assente-se! A luz microscópica dessas estrelas, muitas situadas a milhões e bilhões de anos-luz da nossa curiosidade são "pescadas" por telescópios espreitadores que pairam centenas de quilômetros acima de nossas cabeças. E aí, são trazidas para diante dos poucos olhos que se interessam pela luz e brilho dessas estrelas às quais temos acesso bastando olhar para cima.

Essas luzes fascinantes não recortam formas, pelo contrário, elas próprias são recortadas na imensa sombra do infinito onde se fazem destacar. As sombras mais íntimas que estão próximas são possíveis pela luz ao nosso alcance que dão contornos nítidos ou embaçados de tudo aquilo que nos interessa e pode aguçar curiosidades, alimentar a libido, mesmo aquela contumaz da mulher nua apenas saída do banho.

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