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Estrelas Esquecidas: Ódio sem fim

Estrelas Esquecidas

A. CAPIBARIBE NETO - capi@globo.com

00:00 · 23.09.2017

Em todas as fotos divulgadas pela agência norte-coreana oficial e única, de Kim Jong-un, principalmente aquelas relacionadas com o "cerimonial" de lançamento de mísseis intercontinentais, ele aparece apontando para um ponto imaginário com um sorriso gordo. Suas falas divulgadas para o mundo são carregadas de ameaças e ódio. Muito ódio. Ódios mortais.

Deve existir uma convicção muito grande de que o resto do mundo haveria de assistir à sua farra pirotécnica de braços cruzados. Tanto sua irmã rica, desenvolvida e privilegiada, a Coreia do Sul, logo ali, separada da pobreza quase miserável de seus "súditos", o Japão e os administradores da Base Aérea de Guam, a ilha que é um pequeno território americano no Oceano Pacífico, que conta com um contingente militar americano de mais de 6 mil homens, faz parte do arquipélago das Marianas, de onde partiam os bombardeiros B-52 para atacar Hanói durante a Guerra do Vietnã.

Guerra, guerra, guerra; ódio, ódio, ódio, mortes sem fim e o gordo enjoado, abusado e invocado querendo mais. É bem verdade que a dinastia dos ditadores da Coreia do Norte tem lá as suas razões para essas ameaças ao resto do mundo, mas esses lançamentos de mísseis, por enquanto carregando apenas ogivas inócuas, apenas para testar até onde alcança a pedra da baladeira ou estilingue com propulsão, está esticando também ao limite o elástico das paciências alheias além das fronteiras do isolado país de Jong-un, o Gordo.

Bem ali, na Ilha de Guam, onde uma parafernália tecnológica de última geração, já testada desde há muito, está apontada para o quintal de Kim, o Jong-un, com precisão de acerto tipo mirar na barriga e acertar no topete alvo de tanto deboche. O Kim odeia rindo, às vezes gargalhando com o séquito sempre anotando tudo o que ele faz. Apesar de fiéis, puxa- saco oficiais correm risco de vida permanente. Basta uma vírgula fora do lugar e que desagrade ao obeso-mor e adeus, tua Chica.

É verdade que os brinquedinhos do menino mimado e cheio de vontade de tocar fogo há imensa "Roma oriental" já fez tremer o chão de Seul e fez soar alarmes no extremo norte do Japão. Ontem mesmo, fotografando a Praça da Paz, onde o Domo, recordação viva congelada no tempo do que foi a explosão atômica da bomba sobre Hiroshima, fiquei pensando sobre o que se passa na cabeça de um herdeiro de tanto ódio ao ameaçar destruir a ilha que foi descoberta pelo navegador português Fernando de Magalhães, em 1521 e que tem pouco mais de 500 quilômetros quadrados e onde, ainda hoje, existe a proibição da mulher casar virgem, obrigando governo a manter funcionários cadastrados que percorrem a ilha resolvendo o problema.

Onde e quando esse povo vai permitir que Kim Jong-un jogue uma bomba ali? Fala sério!

Hiroshima, Japão, setembro'2017.

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