Coluna

Estrelas Esquecidas: O pior ponto final do amor

Estrelas Esquecidas

A. CAPIBARIBE NETO - capi@globo.com

00:00 · 23.06.2018

Muitas são as variáveis que envolvem sentimentos que ligam duas pessoas; do ponto de vista amoroso, principalmente. Os começos, por exemplo, têm como requisitos básicos a empatia, que nada mais é que ação de se colocar no lugar de outra pessoa, buscando agir ou pensar da forma como ela pensaria ou agiria nas mesmas circunstâncias e a aptidão para se identificar com o outro, sentindo o que ele sente, desejando o que ele deseja, aprendendo da maneira como ele aprende; pressuposta afinidade ou os efeitos catalisadores provocados pelas centelhas da paixão. Nesse caso específico, vale dizer paixão correspondida.

O perigo das paixões decorre das várias acepções do vocábulo, pois trata-se de um sentimento intenso que possui a capacidade de alterar o comportamento, o pensamento, sendo tanto amor, como ódio ou outro desejo demonstrado de maneira extrema pelo que quer que seja, por se tratar de excesso de entusiasmo, emoção que beira a loucura, pode-se dizer. Dificilmente as pessoas se dão conta ou se lembram do momento do eclodir desse sentimento, dada a velocidade em que o primeiro olhar coincidente alastrou-se depois daquela faísca e virou fogo serra acima, com chamas incontroláveis. Depois, quando o sentimento arrefece e o fogo abranda, pouco se nota que o vírus da rotina foi como água pouca descendo o morro devagar e ficando ali, em banho-maria.

Quando um dos dois percebe que descurtiu, confessar para o outro as desculpas ou a falta de interesse em amassar os lençóis envolve certo perigo. Em um relacionamento, existe sempre aquele que gosta mais do outro, mas essa diferença pouco se nota ao longo da convivência porque são ou podem ser sutis, dada a cumplicidade que lapida com inteligência as pequenas arestas. Na verdade, tudo isso, até aqui é um introito para falar sobre o momento em que o amor chega ao fim.

Aliás, parece que hoje o amor é um sentimento analógico e que vem sendo substituído, gradativamente, pelo modernismo digital. Atualmente, é comum "amores modernos" chegarem ao fim como um filme desinteressante da sessão da tarde. Li recentemente, que "amor é quando duas pessoas não desistem uma da outra", mas nunca vi tantas desistências por tão poucos motivos. Os que gostam menos sofrem menos; os que gostam mais, se deram mais, ficam chorando ou sofrendo porque não se deram conta de que amavam de mais da conta. Insistir na continuação de uma relação que sobreviveu a um pedido de tempo da outra parte é abrir uma ferida dentro de si e passar a lambê-la indefinidamente.

É sempre bom lembrar que certas tristezas são muito comuns às pessoas que não sabem o que querem. Argumentar com dignidade para desfazer um clima ruim é saudável, demonstra que a pessoa valoriza o tempo que viveu debaixo do mesmo teto, em cima da mesma cama e sob os mesmos lençóis. A partir daí, sem resposta, o adjetivo para aquele que insiste para que o outro fique é "chato", pessoa desagradável, desinteressante.

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