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Estrelas esquecidas: Besame mucho, Ri Sol

Estrelas Esquecidas

A. CAPIBARIBE NETO - capi@globo.com

00:00 · 09.09.2017

No meio da tarde de segunda-feira, dia 4 de setembro, aqui, na capital da Coreia do Sul, ainda madrugada no Brasil, eu voltava da Estação Central de Ônibus com a passagem para o destino alternativo de Adong, compensando a frustração por não conseguir viajar para o lugar pretendido: a DMZ, Demilitarized Zone ou Zona Desmilitarizada.

A DMZ é uma faixa de segurança de quatro quilômetros, dois para cada lado, que protege o limite territorial da trégua que existe desde 1953. Não consegui viajar por conta do aumento da tensão que piorou no lugar e foi mostrada nos monitores de TV da Estação, através das imagens de uma suposta explosão nuclear subterrânea, levada a cabo por ordem do ditador Kim Jong-un, que fez tremer o chão do lado livre da península, tecnicamente ainda em guerra apenas suspensa pelo armistício assinado.

A única agência autorizada a levar pessoas, principalmente jornalistas, até esse teatro, aumentou as exigências ante o perigo maior do visitante levar um tiro. O "cetro" ditatorial na Coreia do Norte tem passado de geração em geração, de pai para filho, até ter transformado o menino de ontem em um homem agora cheio de vontades, de birras bélicas, com especial apreço por brinquedos perigosos, tipo experiências com armas atômicas e testes com foguetes capazes de transportar ogivas nucleares e bombas de hidrogênio até o território americano e fazer arrepiar o topete artificial do presidente Trump.

Pois bem, como eu ia dizendo, foi sair da estação do metrô da City Hall (prefeitura), e escutar a voz angelical de uma soprano que cantava - vejam só! - "Besame Mucho", no palco armado na praça que fica em frente ao prédio da administração do município, onde se realizava o Festival da Amizade entre os Povos. A Coreia do Norte ficou de fora, Kim não foi convidado, mas mesmo que tivesse sido, não viria pelo simples fato de não entender de amizade.

A voz que passeava pelo ar era a da cantora Jin Joo Lee, coreana bonita e simpática, quem fui ver depois da apresentação para pedir um autógrafo, mas depois de mostrar-lhe a minha credencial, retribuiu a gentileza e pediu para fazer uma foto comigo e ainda me deu o endereço de e-mail. Jin Joo cantou a canção Besame Mucho, escrita pela mexicana Consuelo Velásquez, em 1940, num espanhol perfeito, sem sotaque. Aliás e por sinal, ela lembra muito Ri Sol Ju, primeira dama Norte Coreana, esposa do líder enjoado, briguento e abusado, o tal do Kim Jong-un.

A primeira dama é muito bonita e ainda por cima tem "Ri" e "Sol" no nome, além da graça de uma mulher de muito bom gosto que demonstrou nas poucas vezes que apareceu em público. Tem apenas 27 anos e sumiu após a derradeira aparição em público, no dia 28 de março de 2016.

Ri Sol Ju é um desperdício na companhia do ditador chato que vive cercado de assessores puxa-saco, sempre anotando até o ar que ele respira e que seguramente jamais dançou um bolero agarradinho e que, diga-se de passagem, é mil vezes melhor que brincar de fazer guerra. É inconcebível imaginar o Kim Jong-un dançando um bolero agarradinho, abraçado a Ri Sol, olhando nos olhos dela e pedindo com ternura: Besame Mucho! (Seoul, Coreia do Sul, setembro'2017).

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