Coluna

Estrelas Esquecidas: A Tereza de Favretas

Estrelas Esquecidas

A. CAPIBARIBE NETO - capi@globo.com

00:00 · 14.07.2018

Teratologia é uma palavra que significa a especialidade médica que se dedica ao estudo das anomalias e malformações ligadas à uma perturbação do desenvolvimento embrionário ou fetal e, por sinédoque, uma figura de linguagem, uma espécie de metonímia, que se baseia na relação quantitativa entre o significado usual da palavra e o conteúdo criado na mente, mais abrangente e extenso, como gênero pela espécie, a parte pelo todo.

Ufa! Pois bem, recentemente, a teratologia foi usada como sinônimo de absurdo, como na tentativa esdrúxula de um ministro para tirar da prisão, ainda que por 24 horas, o ex-presidente Lula. Para Marina Veloso Ribeiro Vieira e Bergson Alves Leite, em trabalho publicado no site "jus.Com.Br", onde ambos abordam o tema sobre o "direito de fugir como um direito constitucionalmente garantido ao preso", existem dois argumentos distintos referentes a ter ou não ter esse direito.

Por um lado, defende-se o alegado "direito de fugir" por ser a liberdade uma necessidade instintiva do ser humano, um sentimento inerente à sua condição, sendo um direito individual garantido como cláusula pétrea na Constituição da República, é um desejo que precisa ser buscado. O direito de fugir não está contido em lei positiva, mas a liberdade é essencial aos direitos da cidadania. Fugir dentro desse âmbito filosófico, de liberdade, não configuraria delito algum.

Segundo, Eduardo Mahon, não se trata de defender o direito de fugir e sim o de manter-se em liberdade. O ex-presidente Lula não tentou fugir através dos meios comuns como os que ilustram os noticiários policiais; não cavou túnel, não fez uso de violência, não escalou os muros da prisão com a cumplicidade, digamos assim, de uma Tereza, em homenagem ao artifício utilizado por uma certa senhora que se chamava Tereza, que traía seu marido, segundo consta. Enquanto ele dormia, durante a noite, ela jogava uma corda feita com seus lençóis e o amante subia por ela. Arriscado! Muito arriscado e só muita atração física ou obstinação pela adúltera o levam a correr tamanho risco.

No caso em pauta, a teratologia, o absurdo tentado pelo compadre Favretas, não seria o paciente subir para o desfrute com a amante dentro do cubículo de pouco conforto e cama pequena, mas de usar essa Tereza jurídica e depois correr para a galera, voltar aos microfones ansiosos para alardear novas promessas e dar terra aos eternos sem terra, moradia aos eternos sem teto, acabar com a corrupção e colocar na cadeia os responsáveis pelo desconforto da população. Enfim, alinhar-se a Deus, que, segundo o pretenso beneficiário da arriscada manobra, nem mesmo Esse seria tão honesto quanto ele.

Ora, Deus não morreu, Seu representante na Terra, sim. Esse sofreu, foi traído por apenas trinta dinheiros, literalmente, condenado, crucificado e morto, embora tenha ressuscitado após três dias. Já se passaram CEM DIAS e nada do homem de carne e osso ressuscitar nas ruas. Essa teratologia toda só serviu para aprofundar o cravo na cruz que esse terreno carrega por conta de alguma presumível ingenuidade que o fez acreditar nos incontáveis Judas que o cercaram, ávidos por bilhões de dinheiros, mas na hora do pega-pra-conferir, lhe ofereceram uma Tereza frágil para, depois, o deixarem pendurado nos milhares de pincéis que só pintaram paredes pedindo a sua liberdade.

Deus continua Deus, onisciente, onipotente e onipresente; Lula continua Lula, mas cada vez mais preso por conta dessa Tereza fraca que o ministro Fravetas lhe estendeu e que esgarçou, quebrou e ele caiu. O tombo até o chão da realidade foi feio e apenas teatral - não confundir com o teratológico.

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