Artesanato do Ceará - Eva - Diário do Nordeste

Eva

Casa Cor Ceará 2007

Artesanato do Ceará

08.09.2007

Profissionais da Casa Cor Ceará 2007 revelam ao EVA como utilizarão peças feitas por artesãos em seus ambientes.


Presente em todas as edições da Casa Cor Ceará, o decorador Sergei de Castro sempre valorizou o uso do artesanato cearense em seus ambientes. Neste ano, não será diferente. Sergei já definiu algumas peças que utilizará na decoração do espaço “Entrada do museu e bilheteria”. Ele promete utilizar trabalhos feitos por artesãos de várias regiões: do bordado de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, às estátuas de Padre Cícero em madeira de Juazeiro do Norte, no Cariri.

Assim como Sergei, muitos dos 46 profissionais participantes da Casa Cor Ceará 2007 já decidiram incluir, nos seus ambientes, pelo menos uma peça com assinatura dos artesãos cearenses. A ordem é aliar as obras às tendências apresentadas no evento, que será aberto no dia 10 do próximo mês.

A proposta, já presente em outras edições da Casa Cor, surge este ano com um diferencial: os profissionais participantes da exposição estão escolhendo com antecedência, na Central de Artesanato (Ceart), as peças que devem compor cada ambiente. Para o público, a novidade é que, agora, será possível levar para casa o que mais gostar do artesanato exposto nos espaços da mostra. Os trabalhos escolhidos pelos profissionais serão reproduzidos em série e o visitante poderá comprá-los no ambiente “Armazém do Artesanato”, projetado pelo arquiteto Rodrigo Maia.

Incentivo

A iniciativa é um projeto do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Ceará), em parceria com a Central de Artesanato do Ceará (Ceart). O Programa Irmãos do Ceará é, segundo a coordenadora da Ceart, Diva Machado, uma maneira encontrada para fazer que o povo valorize mais o trabalho local. Com 3.000 artesãos beneficiados, a Ceart atinge a produção das oito macrorregiões do estado. “O Ceará, como um todo, tem essa vocação artística, mas alguns municípios costumam desenvolvê-la mais na sua cultura”, avalia Diva.

Além do incentivo ao trabalho feito à mão, a Casa Cor Ceará 2007 terá como atração o prédio histórico no qual será realizada. Pela primeira vez, o evento acontecerá numa área tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Localizada no Centro de Fortaleza, em frente ao Passeio Público, a edificação foi erguida na segunda metade do século XIX. Após a mostra, o local será sede do Museu da Indústria e do Instituto de Música Thomaz Pompeu de Sousa Brasil, uma iniciativa da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC).

Com 30 ambientes e a participação de profissionais como arquitetos, designers de interiores, paisagistas e decoradores, a nona edição da Casa Cor Ceará acontecerá de 10 de outubro a 11 de novembro.

Mais cor para o artesanato


Assim como está sendo feito com o projeto de restauro do prédio que abrigará a Casa Cor Ceará 2007, é essencial resgatar o valor do artesanato feito no Estado. “É importante valorizar o trabalho artesanal, inclusive porque, em relação ao prédio, nós temos essa proposta da memória e do patrimônio cultural”, afirma o arquiteto Domingos Linheiro, professor da Universidade de Fortaleza (Unifor) e um dos responsáveis pela obra de restauro do imóvel. Linheiro assinará, ainda, na Casa Cor, o ambiente “Café”, em parceria com Antônio Rocha Júnior e Márcia Cavalcante.

Da mesma forma, as arquitetas Karine Maia e Kel Oliveira acham que têm um papel importante no incentivo à preservação da memória do artesanato. As profissionais, que assinarão o espaço do Sebrae-Ceará/Ceart na mostra, denominado “Memória do ofício”, pretendem fazer uma espécie de acervo pessoal do dono da casa, enquanto o arquiteto Carlos Otávio usará peças no “Restaurante”.

Na “Suíte do bebê”, as arquitetas Patrícia Fernandes e Carla Queiroz Jereissati desejam aliar um estilo romântico à contemporaneidade, num espaço acolhedor, prometendo conciliar o rústico com o sofisticado. Responsáveis pelo “Lavabo”, os arquitetos Cintia Lins e Érico Monteiro já decidiram como vão inovar no ambiente. No lugar de toalhas brancas com bordado richelieu, eles encomendaram a artesãos de Maranguape peças semelhantes na cor preta.

Estes são apenas alguns exemplos de profissionais que já decidiram como vão utilizar o artesanato nos seus espaços. “Na verdade, desde a primeira edição do evento, em 1999, há a preocupação em divulgar esse trabalho de forma diferenciada”, diz Neuma Figueiredo, da organização da mostra. Cita, por exemplo, os concursos “Use o artesanato do Ceará” e “Use o design do Ceará na decoração” para premiar ambientes que melhor utilizam as peças. Idéia que já foi incorporada a edições da Casa Cor realizadas em outros estados.

“No começo, os profissionais tinham receio de expor os produtos artesanais, mas agora não só estão usando na Casa Cor, mas também no dia-a-dia”, comemora Neuma. Os ganhadores, além de prêmio a ser definido, terão seus espaços incluídos na segunda edição do livro “O Melhor de Casa Cor 2007”.

Segundo Elayne Cristina Alencar, gestora do Programa de Artesanato do Sebrae, a participação dos artesãos na mostra é prova de que o artesanato local vem evoluindo e pode atender a um público cada vez mais seleto. “A Casa Cor é um evento de referência nacional e internacional. Tem um público exigente e formador de opinião, comprovando que o nosso artesanato está crescendo a cada dia”, diz.

Para a Primeira-dama do estado, Maria Célia Habib Ferreira Gomes, “a realização da Casa Cor Ceará estimula e promove o potencial criativo dos nossos profissionais em diversas áreas, como artes plásticas, decoração, arquitetura e artesanato”. Projetos como esses, segundo Maria Célia, valorizam as tradições cearenses e fortalecem a atividade como importante fonte de renda. Ela ainda afirma que o Governo do Estado incentiva o potencial do artesanato, investindo na qualificação dos artesãos e modernização da produção.

O rústico é uma jóia


“Uma loja de cristais”. Essa é a definição que o arquiteto Rodrigo Maia, responsável pelo espaço “Armazém do artesanato”, faz de sua proposta para a Casa Cor Ceará 2007. O ambiente abrigará reproduções das peças utilizados pelos profissionais na mostra, além de outras selecionadas pelo próprio Rodrigo, estreante no evento. Todas estarão à venda. “Eu resolvi elaborar algo inusitado, um contraponto à peça rústica, mas seguindo a tendência da Feira de Milão deste ano que mostrou um ar mais intimista, com vidros, espelhos e acrílico”, explica. Segundo ele, de “armazém”, o espaço terá somente o nome.

Valorização

A intenção do arquiteto é dar uma iluminação própria a cada peça, um caráter de maior valor, ressaltando os trabalhos dos artesãos cearenses como uma verdadeira jóia. Rodrigo acredita que ainda há pouco interesse pelo artesanato, e isso se deve ao fato de a população valorizar pouco o que é da região.

Para despertar o interesse dos cearenses, o arquiteto não pretende repetir, em sua proposta, a rusticidade do artesanato tão comum na arquitetura, porque, de acordo com ele, poderia confundir o visitante. “Isso também é uma maneira que encontrei de tirar o preconceito que muitas pessoas têm em relação às coisas daqui”, ressalta.

Utilizando as cores preta, branca e cinza, uma parede de taipa e piso cimentado, Rodrigo pretende compor o “Armazém” de forma bem clean. “Não quero entupir a loja de produtos artesanais. Prefiro colocar mais ou menos uma peça de cada objeto”, explica.

Além disso, ele ressalta que, apesar de ser um ambiente como outro qualquer da casa, o tamanho é de 33m² e precisa de espaço para armazenar objetos característicos de um estabelecimento comercial, como sacolas. “Por essa questão é que o estoque deve ficar fora da loja”, afirma. O profissional elogia a iniciativa de aliar o resgate cultural das artes ao do prédio histórico no qual será realizado a mostra.

SERGEI DE CASTRO

Sempre em evidência

Com 40 anos de profissão, o decorador sempre prioriza o artesanato em seus projetos, principalmente nas residências localizadas nas serras e litoral cearense. Nas propostas mais clássicas, também costuma valorizá-lo: ´Consigo um lugar. Costumo colocar as peças no terraço dos apartamentos´. Para a ´Entrada do museu e bilheteria´, ambiente que assinará na Casa Cor, o profissional já escolheu alguns trabalhos, a exemplo de duas grandes poltronas em vime, desenhadas por ele e executadas pela Viver Bem, vasos em cerâmica e almofadas de labirinto. Na verdade, será uma representação do que é produzido por artesãos de várias regiões do Estado.

MÁRCIA CAVALCANTE E DOMINGOS LINHEIRO

Patrimônio e artesanato

Os profissionais, ao lado de Antônio Martins Júnior, utilizarão cubos de palha de bananeira de Ubajara para apoiar livros e outros objetos no "Café", espaço que ficará definitivo no Museu da Indústria. Os três arquitetos, prezando pela valorização histórica do prédio, descascaram paredes e reciclaram madeira deteriorada da coberta e do telhado. Além disso, mantiveram piso e teto originais e construíram nichos para abrigar peças encontradas na restauração.

KARINE MAIA E KEL OLIVEIRA

Trabalho valorizado

No espaço ´Memória de ofício - Sebrae - CE / Ceart´, a proposta das arquitetas é criar um acervo pessoal do dono da casa, composto por labirinto e renda. Essas técnicas estarão, por exemplo, apresentadas por meio de adesivos de parede, tapetes e quadros. Também será decorado com almofadas de renda de bilro e um mural de fotos para lembrar o processo de trabalho dos artesãos. Uma proposta com design moderno, mas com cara do artesanato local.

CARLOS OTÁVIO

Reinterpretando o tradicional

Com 20 anos de carreira e participando pela quinta vez da Casa Cor Ceará, o arquiteto propõe a reinterpretação do artesanato no ´Restaurante´. No ambiente, utilizará o retalho de malha de Maranguape em seis luminárias de quatro metros de altura cada. Além disso, usará renda, richelieu nos jogos americanos e almofadas, com um diferencial: tudo em preto. Uma novidade que, segundo ele, faz alusão ao artesanato é a utilização, em quatro janelões, de fotografias de festas populares. Praticidade e reciclagem de material são para Carlos Otávio essenciais na hora de escolher o melhor projeto.

PATRÍCIA FERNANDES E CARLA JEREISSATI

Combinação certa

Unindo o rústico ao sofisticado, as arquitetas vão compor a ´Suíte do bebê´ com peças artesanais, como o tapete esmirna (técnica de lycra com nozinhos), vestidos para crianças nos armários e cestinha de palha de carnaúba. As profissionais, que não escondem o desejo de manter o clima romântico em um ambiente para bebês, desejam marcar o projeto com o aspecto da contemporaneidade, ressaltando a riqueza do artesanato num espaço mais sofisticado. Pretendem, ainda, utilizar móveis em cor clara, compactos, fáceis de limpar e com várias utilidades.

ÉRICO MONTEIRO E CINTIA LINS

Delicadeza universal

O arquitetos, companheiros desde a faculdade, vão neutralizar a bancada de concreto do ´Lavabo´ através do richelieu de Maranguape, técnica de bordado que pode ser usada em qualquer tecido com composição de algodão. Segundo eles, isso proporcionará um ar mais delicado e natural ao ambiente. Detalhe: as peças serão na cor preta. A intenção inicial de aderir a um arquitetura rococó foi substituída pela proposta de universalizar o projeto de forma que possa ser desenvolvido em qualquer lugar do mundo ao mesmo tempo que valoriza o artesanato local.




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