Pequenos orquidófilos

Irmãos cultivam mais de 265 orquídeas na casa da avó

00:00 · 23.11.2014
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Yan mostra as orquídeas que cultiva na casa da avó ( Fotos: Helosa Araujo/ Agência Diário )
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Yasmin ensina como plantar orquídeas

Um dos principais pesadelos dos responsáveis pelas crianças é chegar em casa e ver os pequenos todos sujos de terra de tanto brincar. Isso não acontece, porém, na residência da vovó Elza Ferreira da Silva, 60. Com apenas 11 e 14 anos, os irmãos Yasmin e Yan Ferreira da Silva, juntamente com a avó, cultivam mais de 265 orquídeas. Com tantas plantas, não tem como não se sujar um pouco.

A paixão pela planta começou com a avó, quando ainda era pequena e ganhou uma orquídea do pai junto com uma previsão da mãe: “orquídea é uma planta que fascina”. Entretanto, foi apenas na FestOrquídea de 2008 que dona Elza levou o neto, Yan, para ver a exposição das flores. “Ele começou a tirar fotos, mas não se contentou em tirar de longe e foi para o meio das orquídeas”. Passado o festival, os dois foram direto para a Associação Cearense de Orquidófilos (Aceo) e se tornaram sócios. Na época, Yan tinha apenas 9 anos, coincidentemente a idade mínima para entrar na associação.

Yasmin, por sua vez, teve que esperar um pouquinho mais para ser sócia da Aceo, o que não a impediu de ir a algumas reuniões, assistir palestras e oficinas sobre o cultivo de orquídeas. Então, quando completou 9 anos, entrar para a associação foi algo natural.

Os irmãos, além de ajudarem a avó no plantio, também cultivam as suas próprias plantas. Cada um tem um lado do jardim para cuidar. Enquanto Yasmin prefere suas orquídeas presas em madeira, Yan tem vários vasos de barro suspensos. Os irmãos contam que, inclusive, tentam influenciar os amigos a plantarem também, dando a eles alguns brotos e ensinando o que fazer, mas o interesse dos colegas nunca duram muito tempo. 

Até mesmo na Aceo a frequência de crianças não é algo muito permanente. “Muitos vão obrigados e acabam não gostando. Eu nunca obriguei e nem estimulei; ir pra lá [Aceo] partiu deles e por isso eles vão até hoje”, explica a avó.

Atualmente, os irmãos lamentam não terem mais tempo para cuidar das plantinhas. “A gente tem muita coisa pra estudar na escola, aí nem sempre sobra tempo para ir nas reuniões da associação ou cuidar das flores”, conta Yan. Já Yasmin achou uma solução para que os estudos não a impeçam de ficar com as plantas, lendo e fazendo as tarefas no meio delas. “É mais tranquilo e silencioso”, justifica.

Mas dona Elza alerta: não é preciso de muito tempo para cuidar das orquídeas. Meia hora dia são suficientes para olhar quais estão fortes e saudáveis, trocar uma ou outra de lugar para pegar mais ou menos luminosidade, dar vitaminas às que precisam e aguar. E também é muito barato começar a cultivar as plantinhas. “Uma muda de Cattlea custa entre 10 e 15 reais, então só precisa comprar canela, que serve como fungicida e bactericida, complexo B, que ajuda no enraizamento, e água”, relata.

É preciso também ter alguns cuidados, como a luminosidade, não deixando as plantas diretamente no sol ou no escuro, deixar as plantas em locais de pouco vento e ter cuidado na hora de aguar, sendo aconselhado borrifar a despejar água. Outra precaução é ao priorizar o plantio em vasos: eles devem ser de barros, esterilizados, com bastante furos, forrar o fundo com cascalhos e, ao invés de terra, usar um substrato mais grosso, como raspas de madeira, para deixar o ar.

8º FestOrquídeas

Nos dias 28, 29 e 30 de novembro, será realizado o 8º FestOrquídeas, o Festival de orquídeas de Fortaleza, na Casa de José de Alencar (Avenida Washington Soares, nº 6055). Durante os três dias, os orquidófilos (amantes de orquídeas) e visitantes terão acesso a exibição e concurso de flores, palestras, oficinas de cultivo de orquídeas e ainda uma exposição com telas do artista cearense Lucivaldo.

O evento, promovido pela Associação Cearense de Orquidófilos (Aceo), tem entrada é gratuita, mas a organização do evento sugere que os visitantes levem 1kg de  alimento não perecível ou uma lata de leite em pó que serão doados à Assocrio, que atende pacientes com câncer, vindos do interior.

O festival tem como objetivo estimular e expandir o cultivo de orquídeas pelos cearenses. O FestOrquídeas, no decorrer dos anos, já conseguiu gerar vários novos membros para a Aceo. “Elas se encantaram com as flores, assistiram as oficinas de cultivo e perceberam como é fácil cuidar de orquídeas”, afirma Vera Coelho, presidente da associação. Outra meta é promover a campanha contra a venda de orquídeas retiradas diretamente da natureza.

Para mais informações sobre o evento e a programação, acesse o site da Aceo, http://www.orquidofilos.com/.

Curiosidades

Existem cerca de 30 mil espécies de orquídeas na natureza;

A baunilha, que é muito usada em bolos, sorvetes, chás e como anti-inflamatório, é um tipo de orquídea;

Outra orquídea que funciona como anti-inflamatório e tem efeito cicatrizante é a Cyrtopodium sp, também conhecida como sumaré;

Algumas orquídeas possuem formas bastante interessantes, parecendo com objetos ou animais, como a Stanhopea, que lembra “passarinhos”, a Ophrys, que as flores se confundem com insetos, e a Orchis, cujas pétalas lembram uns bonecos.

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