Cuidado com os exageros

Estimular a vaidade na infância exige atenção redobrada dos pais

De acordo com a Associação Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, o segmento infantil, nos últimos cinco anos, obteveum faturamento de R$ 4,5 bilhões em 2014

15:18 · 22.06.2015
VAIDADE INFANTIL
Sophia tem apenas 10 anos e uma rotina agitada entre estudos, bonecas, aulas de teatro, balé e fotografias para propagandas ( Kleber Gonçalves )
Mel
Sophia Mel brincando com os pontinhos de maquiagens secos. A mãe tem cuidado redobrado com o comportamento da filha ( Delyne do Vale )

Brincar com as roupas da mãe ou experimentar a gravata do pai, calçar os sapatos de salto e se pintar toda com a maquiagem que encontra pelos cantos da casa  faz parte do processo de descobertas do universo infantil e, é tão divertido quanto saudável. 

A vaidade definitivamente não tem idade para se manisfestar. Segundo a psicologa Cristine Cabral, desde muito cedo as crianças dão sinais de vaidade. "Os bebês já percebem quando estão agradando e podem manipular, no bom sentido, as situações a seu favor”, explica. 

O fato de as crianças imitarem ou se espelharem nos adultos  na hora de se produzir é normal, porém os pais devem ficar atentos aos exageros, explica a psicóloga."Criança precisa ser criança. As cores das maquiagens, dos esmaltes, chamam atenção, mas esses acessórios precisam ser encarados por elas como uma brincadeira, nunca como o fator principal do seu cotidiano", completa Cristine.

Sophia tem apenas 10 anos e uma rotina agitada entre estudos, bonecas, aulas de teatro, balé e fotografias para propagandas. A modelo - mirim gosta de brincar com a beleza. “Adoro perfumes, maquiagens e tudo que tem a ver com moda. Eu crio looks e ensino minhas amigas a montarem os delas. Gosto de ir ao salão de beleza, pintar as unhas e mexer nos cabelos”, afirma. 

A mãe da Sophia, Bruna Pessoa, admite, a pequena sempre foi muito vaidosa e muitas vezes  fica difícil resistir aos pedidos dela. “Ela tem uma maleta enorme com várias paletas de sombras, rímel, gloss, muito brilho. Adora um cílio postiço, inclusive colocou um par no último aniversário. Mexer com o cabelo nem se fala. Aos seis anos, a Sophia quis fazer mechas nos cabelos então, fizemos mechas californianas. Quando completou os dez, foi a vez das luzes” revela a mãe, Bruna Pessoa. 

Apesar da pouca idade, Sophia faz parte do universo de pequenas que movimentam o mercado de cosméticos infantis. De acordo com a Associação Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), o segmento infantil, nos últimos cinco anos, obteve um crescimento médio de 14%, alcançando um faturamento de R$ 4,5 bilhões em 2014.

Segundo a psicóloga, estes dados são alarmantes e devem chamar a atenção dos pais para possível problemas de desenvolvimento psíquico no futuro. “A palavra-chave é equilíbrio. O problema surge quando a vaidade ganha papel central no dia a dia e a criança passa a ser focada nela, não conseguindo sair de casa sem maquiagem ou sem estar fantasiada, por exemplo. Nesse momento, é possível que a criança esteja perdendo o controle e colocando  em risco o seu desenvolvimento físico e psicológico”, alerta.

Delyne do Vale, mãe da Mel de três anos, é maquiadora profissional, o que significa um mundo de cores deslumbrantes de fácil acesso. "As maquiagens, os esmaltes sempre chamaram muito a atenção dela e percebo que ela sempre tenta me imitar, brincando de maquiar as bonecas", afirma a mãe. "Porém, nos temos regrinhas no uso das maquiagem e esmaltes. Um pouquinho de cada apenas quando têm uma festinha para ir. Para brincar no dia a dia eu dou para ela os pontinhos de maquiagens que vão acabando e ela fica no faz de conta", revela.  

Para Cristine, o excesso de vaidade não é determinante para o surgimento de problemas psíquicos ou sociais, mas pode colaborar para o desenvolvimento dessas características.

 Então, papai e mamãe, fiquem atentos aos comportamentos dos seus pequenos. Tudo requer um equilíbrio. A vaidade quando praticada com moderação, é muito saudável, pois ajuda a estimular a higiene e auto estima das crianças. 

De olho nos cosméticos infantis

Na hora se escolher o produto para usar no seu pequeno é preciso cautela. É preciso saber se a criança é alérgica a algum componente descrito na embalagem. A pele das crianças são bem mais sensíveis e absorvem mais qualquer produto colocado sobre ela. 

Para a dermatologista Maria de Jesus, os produtos infantis, são hipoalérgicos, o que auxilia a reduzir o risco do surgimento de alergias porém, ainda assim, não são 100% seguros. A regra é observar o que está comprando. "As maquiagens devem possuir baixo poder de fixação e ser removida com água. Os esmaltes precisam ser a base de água e não possuir solventes. Pais fiquem atentos às embalagens dos cosméticos infantis. Eles têm que apresentar sistemas e válvulas de dosagens que permitam a liberação de pequenas dosagens e não devem ter pontas cortantes", orienta.

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