Folclore brasileiro

A rica manifestação cultural do país é marcada por lendas e mitos. Saiba mais sobre eles

00:00 · 24.08.2014
saci
Saci-Pererê
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Lobisomem
boitata
Boitatá
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Boto cor-de-rosa
bicho papao
Bicho-papão
Iara
Iara
Curupira
Curupira
mula
Mula sem cabeça
cuca
Cuca
negrinho
Negrinho do Pastoreio

Na última sexta-feira, 22, celebrou-se o Dia do Folclore, termo que denomina o conjunto de crenças, lendas, festas, superstições, artes e costumes de um povo. Tais crendices e tradições normalmente são transmitidas de geração a geração por meio dos ensinamentos e da participação real em festejos e costumes. 

Pela junção dos termos em inglês “folk”, que significa povo; e “lore”, o mesmo que sabedoria popular, criou-se a expressão “folclore”, que quer dizer “sabedoria do povo”.

O folclore assume grande importância na história de todos os povos, pois por meio dele pode-se conhecer a antiga cultura e a formação dos hábitos presentes nos dias de hoje. 

Fazem parte do nosso folclore as canções de ninar que são passadas de pais para filhos, cantigas de roda, brincadeiras, jogos, mitos e superstições. Além disso, as danças como forró, carimbó e ciranda e as festas típicas como Bumba-meu-boi e Carnaval, são manifestações do nosso folclore. 

E, com relação às lendas, você sabe de onde elas vêm e o que significam? Entre as mais conhecidas estão o Negrinho do Pastoreio, o Boitatá, o Curupira e o Saci-pererê. Confira a seguir e aprenda mais sobre cada um deles. 

Saci-pererê

    Lenda do folclore brasileiro que se originou entre as tribos indígenas do sul do Brasil. O saci possui apenas uma perna, usa um gorro vermelho e sempre está com um cachimbo na boca.

    Inicialmente, era retratado como um curumim endiabrado, com duas pernas, cor morena, além de possuir um rabo típico. Com a influência da mitologia africana, se transformou em um negrinho que perdeu a perna lutando capoeira. Além disso, herdou o pito, uma espécie de cachimbo, e ganhou da mitologia europeia um gorrinho vermelho.

    A principal característica do saci é a travessura. Ele é muito brincalhão, diverte-se com os animais e com as pessoas. Por ser moleque, acaba causando transtornos como: fazer o feijão queimar e esconder objetos.

    Segundo a lenda, o saci está nos redemoinhos de vento e pode ser capturado jogando uma peneira sobre eles.

Após a captura, deve-se retirar o capuz da criatura para garantir sua obediência e prendê-lo em uma garrafa.

    Diz também a lenda que os sacis nascem em brotos de bambus, onde vivem sete anos e, após esse tempo, sobrevivem mais 77 para atentar a vida dos humanos e animais, depois morrem e viram um cogumelo venenoso ou uma orelha de pau.

Lobisomem

    Um dos mais populares monstros fictícios do mundo. Suas origens se encontram na mitologia grega, porém sua história se desenvolveu na Europa. A lenda do lobisomem é muito conhecida no folclore brasileiro, sendo que algumas pessoas, especialmente aquelas mais velhas e que moram nas regiões rurais, de fato creem na existência do monstro.

    A figura do lobisomem é de um monstro que mistura formas humanas e de lobo. Segunda a lenda, quando uma mulher tem sete filhas e, depois, um homem, esse último filho será um lobisomem.

    Quando nasce, a criança é pálida, magra e possui as orelhas um pouco compridas. As formas de lobisomem aparecem a partir dos 13 anos de idade. Na primeira noite de terça ou sexta-feira, após seu 13º aniversário, o garoto sai e no silêncio da noite se transforma pela primeira vez em lobisomem e uiva para a lua, semelhante a um lobo.

    Após a primeira transformação, em todas as noites de terça ou sexta-feira, o homem se transforma em lobisomem e passa a visitar sete partes da região, sete pátios de igreja, sete vilas e sete encruzilhadas. Por onde  passa, açoita os cachorros e desliga as luzes que vê, além de uivar de forma aterrorizante.

    Quando está quase amanhecendo, o lobisomem volta a ser homem. Segundo o folclore, para findar esta situação é necessário que alguém bata bem forte em sua cabeça. Algumas versões da história dizem que os monstros têm preferência por bebês não batizados, fazendo com que as famílias batizem suas crianças o mais rápido possível.

Boitatá

    A lenda do boitatá foi criada pelo padre José de Anchieta, na qual descreveu o boitatá como uma gigantesca cobra de fogo ondulada, com olhos que parecem dois faróis, couro transparente, que cintila nas noites em que aparece deslizando nas campinas e na beira dos rios. Diz a lenda também que o boitatá pode se transformar em uma tora em brasa, para assim queimar e punir quem coloca fogo nas matas.

    A lenda afirma, também, que quem se depara com o boitatá geralmente fica cego, pode morrer ou até ficar louco. Assim, quando alguém se encontrar com a figura deve ficar parado, sem respirar e de olhos bem fechados.

    Como a maioria das lendas e crendices populares que são passadas de geração em geração através do “ouvir e contar”, a lenda do boitatá sofreu algumas modificações, sendo que em muitas partes do Brasil é contada de forma diferente. Em Santa Catarina, por exemplo, o boitatá é descrito como um touro de "pata como a dos gigantes e com um enorme olho bem no meio da testa, a brilhar que nem um tição de fogo".

Boto cor-de-rosa

    Acredita-se que, nas noites de lua cheia, próximas da comemoração da festa junina, o boto cor-de-rosa sai do Rio Amazonas, transforma-se em metade homem e continua em condição de boto na outra metade do corpo.

    Muito atraente e com um belo porte físico, o boto sai pelas comunidades próximas ao rio, encanta e seduz a moça mais bonita. O belo rapaz usa sempre um chapéu, leva as garotas até a margem do rio e as engravida. Em seguida, o rapaz volta a ser um boto cor-de-rosa e a moça retorna à comunidade grávida.

    Por esse fato, as pessoas que vivem em locais próximos aos rios onde habitam os botos cor-de-rosa o comem crendo que ficarão enfeitiçadas por ele pelo resto da vida. Acredita-se também que aquele que come a carne do boto fica louco. 

Bicho-papão

    Figura fictícia mundialmente conhecida, é uma das maneiras mais tradicionais que os pais ou responsáveis utilizam para colocar medo em uma criança, no sentido de associar esse monstro à contradição ou desobediência da criança em relação à ordem ou conselho do adulto.

    Desde a época das Cruzadas, a imagem de um ser abominável já era utilizada para gerar medo nas crianças. Os muçulmanos projetavam esta figura no rei Ricardo, Coração de Leão, afirmando que caso os pequenos não se comportassem da forma esperada, seriam levadas escravas pelo melek-ric (bicho-papão): “Porta-te bem senão o melek-ric vem buscar-te”.

    A imagem do bicho-papão possui variações de acordo com a região. No Brasil e em Portugal, é utilizado o termo “bicho-papão”. Nos Países Baixos, o monstro leva o nome de Zwart Piet (Pedro negro), que possui a tarefa de pegar as crianças malvadas ou desobedientes e jogá-las no Mar Negro ou para a Espanha. Em Luxemburgo, o bicho-papão (Housecker) é um indivíduo que coloca as crianças no saco e fica batendo em suas nádegas com uma pequena vara de madeira.

    Segundo a tradição popular, o bicho-papão se esconde no quarto da garotada mal educada, armários, gavetas e debaixo da cama para assustar no meio da noite. Outro tipo surge nas noites sem luar e coloca as crianças mentirosas em um saco pra fazer sabão. Quando uma criança faz algo errado, ela deve pedir desculpas, caso contrário, segundo a lenda, receberá uma visita do monstro.

Iara

    Linda sereia que vive no rio Amazonas, sua pele é morena, possui cabelos longos, negros e olhos castanhos. Costuma tomar banho nos rios e cantar uma melodia irresistível; desta forma os homens que a veem não conseguem resistir aos seus desejos e pulam dentro d'água. 

    Ela tem o poder de cegar quem a admira e levar para o fundo do rio qualquer homem com o qual desejar se casar.Os índios acreditam tanto no poder da Iara que evitam passar perto dos lagos ao entardecer.

    Segundo a lenda, Iara era uma índia guerreira, a melhor da tribo, e recebia muitos elogios do seu pai que era pajé. Os irmãos de Iara tinham muita inveja e resolveram matá-la à noite, enquanto dormia. A moça, que possuía um ouvido bastante aguçado, os escutou e os matou.

    Com medo da reação do pai, ela fugiu. Seu pai, o pajé da tribo, realizou uma busca implacável e conseguiu encontrá-la. Como punição pelas mortes a jogou no encontro dos rios Negro e Solimões.  Foi então que alguns peixes a levaram até a superfície e a transformaram em uma linda sereia.

Curupira

    Protetor das matas e dos animais silvestres, suas vítimas são os caçadores, lenhadores e pessoas que destroem as matas. Ele é representado por um anão de cabelos vermelhos e com os pés virados para trás. 

   Consegue enganar as pessoas que tentam persegui-lo, dando a falsa impressão de que ele foi para o lado oposto, devido a seus pés invertidos. Muitas das estórias sobre o curupira mostram que ele adora pregar peças em quem entra nas florestas através de ilusões.

Mula sem cabeça

    A mula é literalmente uma mula sem cabeça, que solta fogo pelo pescoço, local onde deveria estar sua cabeça. Possui em seus cascos, ferraduras que são de prata ou de aço e apresentam coloração marrom ou preta.

    Segundo alguns pesquisadores, apesar de ter origem desconhecida, a lenda fez parte da cultura da população que vivia sobre o domínio da Igreja Católica.

    De acordo com a lenda, qualquer mulher que namorasse um padre seria transformada em um monstro. Dessa forma, deveriam ver os padres como uma espécie de “santo” e não como homem. Assim, se cometessem qualquer pecado com o pensamento em um padre, acabariam se transformando em mula sem cabeça. O encanto somente pode ser quebrado se alguém tirar o freio de ferro que a mula sem cabeça carrega. Assim surgirá uma mulher arrependida pelos seus “pecados”.

Cuca

    Um dos principais seres do folclore brasileiro, principalmente pelo fato de o personagem ter sido descrito por Monteiro Lobato em seus livros infantis e em sua adaptação para a televisão, o "Sítio do Pica-Pau Amarelo". A Cuca se originou através de outra lenda: a Coca, uma tradição trazida para o Brasil na época da colonização.

    Segundo a lenda, a Cuca é uma velha feia que tem forma de jacaré e que rouba as crianças desobedientes, sendo usada muitas vezes como uma forma de fazer medo em crianças que não querem dormir.

Negrinho do pastoreio

    Uma das lendas mais populares do Brasil, principalmente na região Sul. Diz a lenda que um fazendeiro ordenou que um menino, seu escravo, fosse pastorear seus cavalos. Após um tempo, o garoto voltou e o fazendeiro percebeu que faltava um cavalo: o baio.

    Como castigo o fazendeiro chicoteou o menino até sangrar e mandou que ele fosse procurar o cavalo que faltava. O garoto achou o baio, porém não conseguiu capturá-lo, então, o fazendeiro o castigou mais ainda, prendendo-o em um formigueiro. No dia seguinte, o fazendeiro se deparou com o menino sem nenhum ferimento, a virgem Maria do seu lado e o cavalo baio. Após o fazendeiro ter pedido perdão, o menino nada respondeu, montou em baio e saiu a galope.

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