Família numerosa

Em lares com muitos integrantes, crianças aprendem sobre a importância da partilha enquanto os pais precisam saber detectar as necessidades individuais de cada filho

00:00 · 31.08.2014
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O casal Valéria Rebouças e Daniel Serpa, com a família ( Foto: Agência Diário/ Helosa Araujo )
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Luciana e Felix se orgulham da escolha por ter um lar numeroso ( Foto: Agência Diário/ Bruno Gomes )

Um, dois, três, quatro...filhos. Este tipo de conta, com vários dedinhos da mão e relacionada ao tamanho das famílias é cada vez mais raro. Os casais, por diversas questões – objetivo de vida, preocupação com as finanças, receio – ou mesmo mais de um motivo ao mesmo tempo, têm comumente optado por ter poucas crianças. Mas ainda há quem defenda e sonhe em viver a realidade de um lar cheio. Valéria Rebouças comenta: “sempre ouvimos aquela brincadeirinha: vocês não tinham TV em casa?”. Formada em Administração de Empresas, ela escolheu deixar a profissão para se dedicar aos filhos. São quatro no total: Tais, 10; Tobias, 8; Gabriel, 6 e Mirian, 2 anos e meio. 

A mamãe revela que os filhos encheram a sua existência e a do esposo, o administrador Daniel Gurgel Serpa, de muita alegria. “Nos tornamos pessoas melhores com as crianças e nosso relacionamento se fortaleceu”, acrescenta, revelando que o incentivo por uma família numerosa foi maior por parte do marido. “Eu tinha um pouco de medo, mas ele foi me mostrando que nossas vidas se tornariam mais completas com uma casa de muitos integrantes”. 

A mesma escolha aconteceu na residência da arquiteta Luciana Ponte e do empresário Felix Ponte. Primeiro vieram os garotos, Gabriel e Rafael, que hoje estão com 16 e 12 anos respectivamente. Então, movida pelo desejo de ter uma menina, a mamãe diz que partiu para um tratamento (por fertilização in vitro). “A chance de vir um bebê do sexo feminino era de 70%. O médico usou dois embriões e pela graça de Deus, costumo dizer, um deles se dividiu, o que é raro. Daí fiquei grávida de duas meninas (gêmeas univitelinas) e de uma gêmea fraterna”, explica.

As trigêmeas Luana, Júlia e Letícia (gêmea fraterna), que hoje estão com 7 anos, são a concretização de um sonho que triplicou, brinca a mãe. “Elas nasceram prematuras, de sete meses, mas sempre foram muito saudáveis. Os irmãos, por conta da diferença de idade, me ajudam na criação delas. Somos todos muito unidos”, revela Luciana. 

Dicas para famílias numerosas

De acordo com Elisa Parente Costa, psicóloga clínica, especialista em psicoterapia de base psicanalítica, em uma família grande os pais precisam fazer um esforço maior para estarem atentos aos filhos, principalmente para que as conquistas e dificuldades de cada um não passem despercebidas. “Os pais precisam perceber e diferenciar as necessidades de cada um dos filhos. No convívio diário, algumas crianças necessitam de mais afeto e outras de limites. Essas diferenças surgem porque os pequenos nunca são iguais”, analisa. 

Confira outras observações da psicóloga:

Em uma mesma família cada filho apresenta dificuldades diferentes e por isso acabam solicitando que seus pais estejam sempre em transformação;

O hábito de fazer comparações entre as crianças, principalmente entre irmãos, é bastante comum em famílias numerosas. Muitos pais gostam de usar os bons comportamentos como exemplos. Nesse caso é importante ter cautela. Quando uma casa com várias crianças passa a usar muito dessa estratégia, corre-se o risco de gerar sentimentos de inferioridade naquelas crianças com dificuldades e, ao mesmo tempo, dar muito poder àquelas que se saem como as mais espertas ou certinhas. 

Conhecendo cada criança, os pais podem estar atentos às potencialidades e limitações de cada um. Assim estarão respeitando seus filhos e permitindo que eles se tornem no futuro adultos seguros e felizes.

Crianças que vivem com irmãos, na maioria das vezes se beneficiam muito com questões relacionadas à socialização. Isto acontece porque estas crianças já nascem compartilhando o que lhe é de maior valor: o amor e a atenção dos pais. Aprendem no dia a dia de suas famílias que não são únicas no mundo e que conviver implica renunciar, ceder e esperar. 

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