Estímulo musical

Além de opção de entretenimento, aulas de música na infância trazem benefícios positivos no desenvolvimento das crianças

00:00 · 08.06.2014
musicalização
Ian Moura de Andrade e Luisa Bueno de Morais Huss Gomes, ambos de seis anos, são alunos da turma de musicalização infantil, na Viva Escola de Artes ( Fotos: Fernanda Siebra )
piano
Com o desenvolvimento na turma de musicalização, os dois alunos já têm aulas individuais de piano
paula
Paula Frizone Pinto Coelho, de 12 anos, faz aula de violão uma vez por semana na Viva Escola de Artes
maria
Fã dos Beatles, Maria Lobo Miranda Sobreira Santana, de 12 anos, toca piano e baixo
ângelo
Ângela Marinho Tartuce faz aulas de bateria no Bateras Beat aos sábados. No colégio, pratica duas vezes por semana
família
Joyce e Fábio, pais de Ângelo, também matricularam a caçula, Maria Luiza, no Bateras Beat. Na foto, a família posa reunida na escola

Na Viva Escola de Artes, crianças a partir de 3 anos já podem ter o primeiro contato com a música nas turmas de musicalização infantil. Considerada uma pré-alfabetização musical, a aula trabalha os estímulos sonoros, a percepção auditiva e o sequenciamento dos sons. Aos seis anos, os alunos são direcionados aos instrumentos, que podem ser a flauta ou o piano.

"Começamos com esses dois [instrumentos] por causa da mecânica. Por exemplo, um violão pode machucar o dedo nos anos iniciais, sem contar com a própria parte motora. Alguns instrumentos requerem mais coordenação, como a guitarra e o baixo, porque você precisa das duas mãos em posições diferentes. Por isso direcionamos aos mais simples, pra eles não perderem a vontade inicial de tocar. Às vezes, iniciar com um que exige mais habilidade, pode ser desestimulante, já que eles se deparam com dificuldades", explica Dayane Castro, coordenadora do setor musical da escola, ao Diarinho Plus.

Ian Moura de Andrade e Luisa Bueno de Morais Huss Gomes, ambos de seis anos, são alunos da turma de musicalização às segundas e quartas-feiras. "Tenho usado o método codale como experimentação.  Eles aprendem a solfejar e a cantar as primeiras notas. O método também ajuda na oralidade e na afinação", explica a professora Danny Ferreira. Com o desenvolvimento na turma inicial, os dois alunos já têm aulas individuais de piano. "Minha música preferida é Marcha Soldado", destaca Luiza.

Além da musicalização infantil, a Viva Escola de Artes disponibiliza aulas de acordeão, bateria, canto, cavaquinho, contrabaixo, gaita, guitarra, flauta transversal, flauta doce, LPM (lingua e percepção musical), percussão, prática de conjunto, piano, teclado, violão, violoncelo, violino, viola e saxofone.

Paula Frizone Pinto Coelho, de 12 anos, é uma das alunas do espaço. Atualmente, faz aula de violão uma vez por semana. "Eu que pedi para começar. Tinha visto algumas pessoas tocando e me identifiquei com o instrumento", conta.  Os pais são seus principais incentivadores. Questionada se tocaria para um grande público, ela confessa que não sabe se encararia o desafio. "Por enquanto, toco violão por hobby. Ainda não pensei se quero seguir carreira profissional".

Maria Lobo Miranda Sobreira Santana, de 12 anos, toca piano e baixo. No entanto, confessa que o intrumento de teclado é sua grande paixão. "Gosto dos dois, mas já toco piano desde pequena. Tinha 7 anos quando comecei. Já o baixo iniciei ano passado, faz pouco tempo". Na escola, assim como a amiga Paula, também tem aula uma vez por semana. As duas já se apresentaram juntas, inclusive, em um recital promovido pela escola.

Apesar de nova, a vontade de tocar um instrumento musical surgiu da admiração que a garota tem pelos Beatles. "Sou muito fã. Meus pais gostam e meu irmão, João, começou a me mostrar". Ela já teve a chance de ver duas apresentações de Paul McCartney, inclusive a que teve ano passado em Fortaleza. Dentre suas músicas prediletas, acha difícil eleger só uma. "Gosto muito de tocar Eleanor Rigby", destaca. Fã de rock nacional, também curte escutar o som do Paralamas do Sucesso.

Facilidade na hora de se expressar

Ângelo Marinho Tartuce, de 9 anos, e a irmã, Maria Luiza Marinho Tartuce, de 5 anos, tiveram o primeiro contato com a música ainda pequenos, por intermédio dos pais, Joyce e Fábio. "Eles ouvem Palavra Cantada desde que nasceram. Nós gostamos bastante. Acho que é uma música para criança com bastante qualidade, conteúdo e, culturalmente falando, percebemos que eles buscam os ritmos brasileiros. É uma banda que acrescenta", explica a mãe.

Apesar da família ter incentivado o teclado, foi na bateria que o primogênito se encontrou. No colégio, passou a fazer aulas duas vezes por semana. A dedicação e o interesse do pequeno chamou atenção do professor, que conversou com os pais de Ângelo e os orientou a incentivá-lo. "Um dia, passamos na porta da Bateras Beat e nos chamou atenção a escola ser especializada no intrumento de percussão. Acatamos a sugestão e o matriculamos nas aulas aos sábados. Agora ele pratica três vezes por semana".

Duas semanas depois, Joyce e Flávio matricularam a caçula nas aulas de canto. "A Maria Luiza já faz ballet, então achamos que o canto também vai ajudar na expressão corporal. Uma aula vai complementar a outra. Ela tá gostando bastante".

Sobre os benefícios que as aulas trazem para os filhos, os pais citam a melhoria na hora de se comunicar. "Pensamos inicialmente na formação deles, mas acho bacana destacar a música como forma de comunicação. Percebo que ajuda muito na hora de se expressarem", diz Joyce. O pai completa: "A música também é uma forma de emoção. Eu vejo que os seres humanos hoje trabalham muito a inteligência, a parte matemática, profissional, e esquecem um pouco o lado humano, de respeitar o outro e ser sensível e a música traz muito isso. Até o rock que é mais pesado é sensível. Então as aulas de música trabalham o sentimento, a cognição, atenção, memória. As crianças hoje ficam muito no videogame, no computador, então a música também acaba sendo outra opção de distração".

A rapidez no aprendizado de idiomas é outro ponto positivo citado. "A Maria Luiza estuda desde os 3 anos em um sistema bilíngue na escola. Quando ouve as músicas nos filme, ela já tá familiarizada com o idioma. Além do inglês, ela gosta muito de espanhol, pede pra escutar músicas no idioma. Então é claro que a música ajuda bastante na questão do aprendizado. Sempre colocamos pra esse lado 'olha, aprender o idioma é legal porque dá pra entender o que os cantores estão dizendo nas canções'. Os conhecimentos vão se complementando".

Fábio ainda frisa que os pais devem perceber as habilidades dos filhos e nunca forçar uma situação. "Quando a gente tentou o teclado, o Ângelo não se adaptou. Então comecei a ver que ele era muito agitado e que tinha jeito mesmo para a bateria. O legal da educação é você conseguir identificar os potenciais e estimular e nunca forçá-los. A música deve ser um momento lúdico".

"Indepente da idade, de ser adulto ou criança, aprender a tocar um intrumento é sempre uma novidade. A música traz inúmeros benefícios, mas acho bacana destacar que ajuda na coordenação e na concentração", acrescenta Giovanni Giandini, diretor geral do Bateras Beat, que além de bateria e canto, ainda oferece aulas de guitarra, baixo e violão.

Desenvolvimento intelectual

Casos de pais como Joyce e Fábio, preocupados em propiciar mais estímulos e aprendizados musicais aos filhos, estão a cada dia mais comuns. A psicanalista e professora do curso de Psicologia da Universidade de Fortaleza, Juçara Mapurunga, destaca que a música é um elemento fundamental no desenvolvimento intelectual das crianças.

"Aprender a tocar um instrumento musical ajuda a nos concentrar mais naquilo que fazemos, além de educar nossos sentidos para a percepção do mundo com  mais sensibilidade, pois através da expressão musical treinamos memória, transcendemos no tempo e nos organizamos melhor em nossa auto-disciplina".

Serviço

Bateras Beat
Rua Joaquim Nabuco, 2326, Dionísio Torres
(85) 3081.8081
baterasbeat.com.br

Viva Escola de Artes
Avenida Desembargador Moreira, 629, Aldeota
Contato: (85) 3208.2500
vivaescola.com.br

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