Arraiá da garotada

Crianças de diferentes grupos cearenses se preparam para fazer bonito nas competições de quadrilhas

00:00 · 22.06.2014
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Crianças do grupo Chama da Fogueira ( Foto: Agência Diário/ Erika Fonseca )
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Quadrilha Zé Testinha Infantil ( Foto: Agência Diário/ Lucas de Menezes )

Apesar de carregar elementos brasileiros, a quadrilha junina surgiu em nosso país por influência europeia. No século XVIII, em Paris, a dança era praticada por pessoas muito ricas, chegando ao Brasil durante a Regência, período compreendido entre o momento em que D. Pedro I abdicou o reinado e seu filho, D. Pedro II, assumiu o trono. No entanto, ao se popularizar, a quadrilha passou por transformações ao longo dos anos. Hoje, os grupos se diferem a depender do estilo adotado, porém a tradição não se perdeu, reunindo adultos e crianças todos os anos. Apesar de ser comemorado no dia 24 de junho, os festejos juninos se estendem até julho, principalmente na região Nordeste do Brasil. 

Além das brincadeiras, como pescaria, corrida de saco e jogo das argolas, e das deliciosas comidas típicas, que vão da pamonha ao bolo de pé-de-moleque, a quadrilha junina é um dos maiores atrativos para a criançada durante esse período. Desde 2003, a tradicional quadrilha do Zé Testinha, que tem mais de 30 anos, abriu espaço para as crianças do bairro Vila União. A partir dos 10 anos, meninos e meninas ensaiam para apresentações cheias de alegria. “Você vê a felicidade das crianças dançando. O público fica aplaudindo e aí que a autoestima delas fica lá em cima”, conta Zélia Rogério, coordenadora da quadrilha, composta por 56 crianças, ao Diarinho Plus. 

Trabalhando com a temática do cangaço, a Zé Testinha Infantil participa de competições e abrange pequenos que entraram por influência dos pais, que já participam da quadrilha. É o caso de Bianca Sampaio, de 14 anos. "Eu via e sentia vontade. Pretendo continuar quando eu crescer, porque eu gosto", revela a menina. Além da dança, ela também gosta dos pratos típicos, das roupas que veste para dançar e das músicas do período. 

Mayron da Costa, de 10 anos, também participa da Zé Testinha Infantil. Neste ano, ele está sendo o noivo da quadrilha, tarefa que exige muita responsabilidade. “Dancei no primeiro ano e no segundo estou sendo noivo. Tenho que fazer tudo certo para a quadrilha toda acertar”, comenta. 

A paixão pela quadrilha junina faz com que crianças permaneçam nos grupos mesmo depois de crescerem. Marcos Paulo Teixeira, de 29 anos, dança quadrilha desde os 7 anos e hoje é responsável pela quadrilha infantil Chama da Fogueira, iniciada no bairro Alvaro Weyne. 

“Surgiu a ideia de fazer uma quadrilha infantil no bairro porque a cultura vinha sendo esquecida em nossa comunidade. Com o surgimento da quadrilha Chama da Fogueira, percebi que iria preservar as raízes culturais e ajudar crianças e adolescentes na construção da cidadania”, diz. 

A Chama da Fogueira reúne 41 crianças e adolescentes entre 6 e 16 anos. Neste ano, o grupo prepara uma festa que irá ter os três santos juninos como tema: Santo Antônio, São Pedro e São João. Matheus Oliveira, de seis anos, é um dos integrante da quadrilha e também será o noivo. Para entrar no movimento, o pequeno seguiu o exemplo do pai, que também dançava. “Os ensaios começam em janeiro e vão até maio. Fico animado, pois vou conhecer varios amigos”, diz sobre a preparação.

Mesmo pequenas, as crianças mostram que, apesar de também ser uma brincadeira, a quadrilha é levada a sério, com muita dedicação e responsabilidade, para que espalhem ainda mais a beleza desse movimento cultural.

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