Meio ambiente

Voluntários fazem limpeza da Floresta Nacional do Araripe

Lixo hospitalar, dentre outros resíduos, foi encontrado no entorno da área de preservação ambiental

00:00 · 20.09.2015 por Elizângela Santos - Colaboradora
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Os resíduos coletados são acondicionados em dezenas de sacos ( Fotos: Izabel Cristina )

Crato. Em pouco mais de um ano de atuação de um grupo de voluntários do Cariri, foram retirados das áreas da Floresta Nacional (Flona) do Araripe mais de 10 toneladas de lixo, inclusive industrial e hospitalar, o que vem surpreendendo os integrantes da Operação Flona Limpa (OFL). O trabalho nesse período se ampliou, incluindo a conscientização, com palestras nas escolas, e programa de rádio na cidade do Crato. As parcerias ainda são poucas, para possibilitar condições para que essas atividades sejam fortalecidas.

>Seringas descartáveis se destacam no lixo coletado

No último fim-de-semana, os voluntários foram, mais uma vez, no domingo cedo, em busca da missão de retirar lixo, principalmente próximo às BRs e CEs da região. A surpresa veio com uma grande quantidade de seringas encontradas entre as cidades de Barbalha e Jardim. As embalagens de agrotóxico também são comuns. Até mesmo fábricas de calçados da região podem estar infestando a área da Chapada com rejeitos de borracha. O que daria para encher um caminhão desse material, por exemplo, foi encontrado pelo grupo da OFL. No local estava se formando uma rampa de lixo, que o tempo acabou encobrindo com a folhagem. Sem condições de ser colhido todo o resíduo de indústrias pelo grupo, no domingo ainda permaneciam cerca de 40 sacos para serem retirados do local.

Sacos

Os voluntários se reúnem sempre aos domingos, para subir até à Chapada. Em ônibus ou caminhões, eles acumulam o lixo encontrado nas áreas da Flona, em sacos. O trabalho começou em maio do ano passado, e normalmente são retirados de 750 quilos a uma tonelada a cada ação. Esta foi a 15ª Operação realizada pelos voluntários, que ainda são poucos, mas têm a adesão de outros grupos. Munidos de sacos, luvas, máscaras e o que podem usar como forma de garantir a segurança, os integrantes do OFL passam até oito horas prestando os seus serviços ao meio ambiente.

No entanto, o que falta é conscientização, conforme o coordenador da Operação, George Macário de Brito. Segundo suas informações, no começo das ações foi realizado um trabalho mais focado nas trilhas da Chapada do Araripe.

São cerca de 40 voluntários, em média, mas permanente mesmo são 15 pessoas. Atualmente há uma parceria com o 3º Grupo de Escoteiros, em Crato. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) também leva brigadistas e um caminhão de apoio. "A gente dá palestra nas escolas desse trabalho nas estradas, as blitze, além da limpeza, e esse convite é feito para os alunos, que ouviram a parte teórica, para virem a campo", afirma. São mais 12 a 15 estudantes que aderem a esse trabalho.

Uma empresa de veículos e um cartório estão dando o apoio financeiro ao grupo. Conforme George, o orçamento total chega a R$ 1 mil a cada trabalho. São duas ações a cada mês e tem o programa de rádio Bom Dia Natureza, na FM São Francisco, e as blitze acontecem de forma simultânea com as ações.

A OFL ainda não está institucionalizada, mas o coordenador afirma que a documentação vem sendo encaminhada com essa finalidade. Ele ainda destaca que, no trabalho que vem desenvolvendo com o grupo, tem sido constatado que os locais onde há maior quantidade de lixo estão entre as cidades de Exu e Crato, além da estrada de Nova Olinda. "É tanto lixo despejado nessas áreas, que daria para encher cinco caminhões", ressalta. Além disso, para dar conta da retirada do material seria necessária uma equipe com aproximadamente 200 pessoas.

Para Macário, o principal problema dessa realidade, é que as pessoas que passam nas estradas federais e estaduais são de vários lugares, e não há uma possibilidade de chegar ao alcance da grande maioria que despeja esse lixo na área da floresta. Além disso, afirma que a fiscalização não é suficiente para dar conta dessa realidade. "É uma realidade que acontece nas estradas de todo o Brasil e passa por todo um processo educacional", diz. 

Mais informações:

ICMbio

Praça Joaquim Fernandes Teles, Pimenta

Crato

Telefone (88) 3523- 1857

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