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Vendas para o Natal crescem 3,5%

Comparação de alta nos negócios é com igual período do ano passado, apesar do momento de retração na economia

00:00 · 08.11.2015 por André Costa - Colaborador
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Enfeites de Natal são os itens mais procurados pelos consumidores ( Foto: André Costa )

Juazeiro do Norte. Na iminência do Natal, data em que o comércio historicamente atinge os melhores índices de vendas, os comerciantes já começam a articular estratégias para enfrentar o momento de retração na economia, com inflação em alta e geração de empregos em baixa. Apesar da atual conjuntura financeira do País, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-Juazeiro) estima crescimento em torno de 3 a 3,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Embora a média de crescimento fique em torno dos 3,5%, há setores que já dobraram essa meta. A Casa Freitas informa que somente com produtos para presentes já se registra um crescimento de 8% em relação a igual período do ano passado.

A gerente geral das Lojas Freitas, Adriana Vidal, 42, acredita que o momento de instabilidade financeira e retração na economia irá "segurar" o crescimento neste período. Segundo ela, a estimativa de crescimento de até 4% poderia atingir níveis maiores não fosse "o medo que o consumidor está de gastar". "Mesmo que o cliente tenha poder de compra, ele está gastando cerca de 50% a menos, acredito que a crise amedrontou o consumidor", acrescenta.

De acordo com a CDL, nesta época do ano, as pessoas geralmente se permitem gastar um pouco mais. "O clima propício a confraternizações, renovações na vida de cada pessoa geralmente faz com que elas aproveitem para também renovar a casa e presentear alguém querido", pondera o presidente da entidade, Michel Araújo. Ele ressalta que "com o pagamento do décimo terceiro salário, os consumidores se sentem mais confiantes para ir às compras".

Aquecimento

Os dois últimos meses do ano são aqueles que apresentam maior volume de vendas, período seguido pelo dia das mães, dia dos namorados e, disputando o quarto lugar, o dia dos pais e das crianças. No Cariri, além das datas em comum aos demais municípios brasileiros, a economia se aquece em épocas de romaria. "Então são vários períodos que se o lojista souber aproveitar bem as oportunidades, vai sair ganhando bastante", pontua Araújo. Entretanto, apesar do volume de vendas crescer ainda em novembro, o ápice nas cerca das 400 lojas existentes no centro comercial de Juazeiro do Norte ocorrerá, segundo a CDL, nas duas semanas que antecedem o Natal. O calendário atípico do comércio é apenas um dos fatores que movem a economia da região. Michel observa a força do comércio varejista e lembra que este é "o setor que mais gera emprego em todo o País e aqui não poderia ser diferente". No ano passado, Juazeiro do Norte superou o crescimento do PIB nacional, que foi de 0,9% e, este ano, deve "novamente superar ou, pelo menos, ficar no mesmo patamar", conclui o presidente.

Destacam-se também, na sua avaliação, na engrenagem econômica do Cariri, o grande polo universitário que atrai anualmente milhares de acadêmicos de cidades e estados vizinhos; o setor da construção civil em constante fervência e, ainda, a estruturação do polo gastronômico de Juazeiro, setor que tem impulsionado, inclusive, o turismo.

De acordo com os dados do IPC Maps, o município do Interior cearense que mais possui poder de consumo atualmente é Juazeiro do Norte, com um potencial de gastos da ordem de R$ 453,9 milhões. Outras dois municípios do Cariri aparecem na lista, Crato e Barbalha.

Estratégias

Para atrair o consumidor vale quase tudo: promoções, formas estendidas de pagamento, atendimento personalizados e diversificação de produtos. Afinal, o lojista aproveita a oportunidade para compensar alguns "prejuízos" ocorridos ao longo do ano, ao passo em que o consumidor enxerga a oportunidade como motivador a mais para adquirir produtos e serviços.

A comerciante Márcia Góis de Lima, 34, diz que vai investir no estoque como diferencial para atrair a clientela. "Ano passado, ouvimos clientes reclamando que em determinada loja não havia o produto, pois estava em falta. Isso acaba afastando o consumidor, além de perder para concorrência. Portanto, este ano, aumentamos o estoque em 15%, se comparado ao ano passado, e 35% em comparação com os outros meses do ano". Márcia sugere que, além de manter um o "estoque completo", ganha poder de barganha frente ao fornecedor, por comprar em maior quantidade.

O setor de vestuário é um dos que mais se destacam nessa época, seguido pelo setor calçadista, afirma a CDL. Entretanto, o presidente Michel Araujo lembra que "supermercados, lojas de variedades em geral, com destaque para itens natalinos, e o setor de cosméticos também estarão entre os mais movimentados".

Cosméticos

Durante mais de duas décadas, o setor brasileiro de cosméticos apresentou sucessivos aumentos de vendas. No entanto, o primeiro semestre de 2015 registrou retração de 5% na comercialização de cosméticos, higiene e perfumaria, se comparado aos primeiros seis meses do ano passado. Apesar do recuo entre janeiro e julho, a expectativa é que o Natal volte a fortalecer o setor. Lúcio Flávio Oliveira, 41, é um dos que irão apostar na indústria da beleza.

Até o ano repassado, ele comercializava apenas roupas masculinas, femininas e infantis. Em 2015, resolveu apostar na diversificação da mercadoria. "Conversando com outros empresários, percebi que este setor sobrevive à crise. Alguém pode deixar de comprar um ventilador ou uma TV, por exemplo, mas um perfume, um desodorante ou um creme será sempre muito bem vendável", acredita.

ENQUETE

Quais as metas até fim do ano?

"Estamos esperando crescimento de até 4%. No entanto, poderia ser um número bem maior, caso não fosse essa crise. Às vezes, há o medo de se gastar muito. O Natal sempre representa boas vendas"

Adriana Vidal

Gerente

"A expectativa é crescer até 5%. Para alcançar a meta, contratamos mais colaboradores. Aumentamos o estoque, apostamos em preços e promoções especiais e atendimento personalizado ao cliente"

Abraão Ferreira

Comerciante

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