Mobilidade urbana

Usuário reclama de ônibus precários

Transporte coletivo tem sido motivo de queixas por não oferecer segurança adequada aos passageiros

00:00 · 13.03.2016 por André Costa - Colaborador
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Uma das queixas é a demora, fazendo o passageiro esperar por horas ( Fotos: André Costa )
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As insatisfações são diversas, como falta de informação em relação aos horários, constantes quebras dos veículos e a pouca quantidade de ônibus circulando nas ruas

Juazeiro do Norte. Os cerca de 65 mil usuários que dependem, todos os dias, do transporte coletivo deste Município reclamam, há algum tempo, das condições precárias dos ônibus, que não oferecem segurança adequada aos passageiros.

As queixas, no entanto, vão além. Falta de informação com relação aos horários, constantes quebras dos veículos e a pouca quantidade de ônibus circulando nas ruas estão entre as principais insatisfações.

Diante deste quadro caótico, potencializado com a greve de motoristas e cobradores das duas empresas que atendiam à cidade, Viação São Francisco e Empresa Lobo, a Prefeitura abriu edital para que empresas pudessem concorrer à concessão de exploração dos serviços do transporte público.

Vencedora

A empresa Auto Viação Metropolitana Ltda, única concorrente na licitação, foi a vencedora do certame. Atuando no Cariri já há oito anos, atendendo às cidades de Barbalha, Missão Velha, Crato e Juazeiro do Norte, deverá ampliar sua participação na região em até 60 dias.

"O prazo é de dois meses, a partir da assinatura do contrato, porém, vamos sentar com a empresa e negociar uma antecipação, pelo caráter de urgência e absoluta necessidade da população de Juazeiro", pontuou o procurador geral do Município, João Vitor Grangeiro.

As empresas Viação São Francisco e Lobo exploravam, juntas, 11 linhas, operando com "uma frota de, no máximo, 35 ônibus", conforme observou Grangeiro. A quantidade era considera insuficiente. Há três anos, a própria empresa divulgou um cálculo que estimava 4 mil usuário para cada ônibus, totalizando 28 mil passageiros diários.

O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sintro), no entanto, contesta o número e afirma que cerca de 65 mil passageiros circulem diariamente na cidade.

A expectativa é que a nova empresa vencedora amplie a frota para 67 ônibus. Segundo o secretário municipal de Segurança Pública e Cidadania, Coronel Herdez Antonio de Miranda, novas linhas também serão criadas para atender usuários em bairros outrora desassistidos.

Mudanças

Para o titular da pasta, o "processo licitatório foi muito importante, sobretudo para os usuários, que passarão a contar com um transporte mais digno". Herdez avalia que, "as antigas empresas possuíam frota sucateada e que não oferecia nenhuma segurança aos usuários, além de não se preocuparem com o cumprimento do tempo das viagens, deixando os passageiros esperando, muitas vezes, por até 1h30 nas paradas".

Ainda conforme o secretário, "devido ao potencial econômico e turístico de Juazeiro do Norte, já existia, há muito tempo, a necessidade de uma mudança radical no transporte, que foi iniciada no ano passado, com o Projeto de Mobilidade Urbana".

O novo contrato de concessão conquistado pela Via Metro tem prazo de validade de até 15 anos e a empresa deverá apresentar uma nova frota, com idade média máxima de dez anos, com equipamentos de acessibilidade, como elevadores para cadeirantes e altura de degraus tal como exigida pela Lei. Além disso, o contrato prevê pontualidade nos serviços, novas linhas e a oferta de horários mais tardios. O preço da passagem passará de R$ 1,90 para R$ 2,20.

"Além da frota nova, com ônibus fabricados em 2015 e 2014, a empresa cumprirá o tempo nas paradas, o usuários ficarão cientes de quanto tempo devem esperar, e será cumprida, também, a gratuidade para idosos e meia-passagem para estudantes, que vinham sendo desrespeitados", acrescenta Herdez Miranda.

Entrave

Apesar da Via Metro ter sido a ganhadora da licitação, representantes das empresas São Francisco e Viação Lobo tentam, na justiça, inviabilizar o processo. Eles alegam que a concessão das empresas vigorava até 2021. O diretor da empresa São Francisco, Iremar Alencar, afirma que o contrato deve ser cumprido e acusa a transparência no atual processo licitatório. O procurador do Município avalia, porém, que o resultado da licitação é irreversível.

"O Município entende que os argumentos das empresas são ilegais e inconsistentes", pontua Vitor. O procurador observa que "o documento utilizado como argumento pelas empresas, feito na gestão passada, não tem validade jurídica" por não se tratar de uma licitação. Para ele, as chances de o processo licitatório ser anulado na justiça são mínimas. "É praticamente irreversível", finaliza.

Na sessão da última quinta-feira, os vereadores de Juazeiro do Norte revogaram a lei que estendia o direito de exploração das linhas. Por ampla maioria, os parlamentares reconheceram a necessidade de outra empresa assumir o transporte público da cidade.

Regularidade

Para o prefeito Raimundo Antônio de Macedo (PMDB), a licitação, além de "transparente e legal", regularizará a situação do transporte que, segundo ele, estava ilegal desde o outubro de 2013, quando teria se encerrado o prazo para nova licitação para os serviços públicos.

"A concorrência foi feita de forma aberta onde todas as empresas interessadas puderam concorrer. A publicação do Edital de Licitação foi lançada 45 dias antes do recebimento das propostas", informou.

O secretário lembrou que houve uma atenção especial para o problema. "Tivemos o cuidado de realizar duas audiências públicas com o objetivo de ouvir todos. A partir de agora, teremos um serviço de melhor qualidade. Com uma frota de ônibus renovada, criação de novas linhas que atendam melhor a todos, e no horário correto. Implantação do bilhete único, que dará ao usuário o direito de utilizar novamente o ônibus com a mesma passagem, caso retorne em até 30 minutos", finalizou o gestor municipal.

Enquanto a situação do transporte coletivo em Juazeiro do Norte não ganha outro rumo, usuários continuam a sofrer com a redução no número de ônibus. A problemática chegou a atingir, inclusive, o período letivo da Universidade Federal do Cariri (UFCA). Instalada em um bairro distante do centro, muitos acadêmicos e servidores que dependem exclusivamente da frota das empresas Viação São Francisco e Lobo ficaram impossibilitados de irem à Universidade.

Em virtude da situação, a Pró-reitoria de Ensino da UFCA orientou os docentes que utilizassem estratégias pedagógicas diversificadas e também utilizando a metodologia à distância, "de forma a evitar prejuízos à aprendizagem, à participação e ao ganho pedagógico de todos os graduandos, respeitados os direitos e ouvidos os discentes nestas decisões". A orientação vigorou por duas semanas, até que a Prefeitura passou a disponibilizar ônibus para o transporte dos alunos.

Acadêmicos da Faculdade Leão Sampaio, também instalada no bairro Cidade Universitária, igualmente enfrentam problemas com a indefinição do transporte coletivo. A universitária Maria Francielia de Lima, conta que o prejuízo vai além do financeiro. "Já perdi aulas importantes por não ter como ir para Faculdade. Nos dias de provas e trabalhos, em que não podemos perder, chego a gastar R$ 20 de mototáxi. Além de ter que gastar muito dinheiro, me sinto prejudicada também em meu aprendizado", protestou.

Enquete

Como vê o transporte público?

"Se para quem mora na cidade já é ruim, imagine para a zona rural. Só há uma empresa e os ônibus são sucateados. Quem perder o horário de manhã cedo, só tem condições de ir ao centro no começo da tarde". José Nilson de oliveira- Autônomo

"É muito ruim, são raros os ônibus que oferecem o mínimo de segurança. Conforto então, nem se fala. Mas não é só mudar a empresa, a Prefeitura tem que adequar as paradas, se preocupar quanto à a acessibilidade". Maria francielia de lima- Estudante

Mais informações:

Auto Viação Metropolitana Ltda.

Telefone: (85) 3402-8040

Secretaria Municipal de Segurança Pública e Cidadania

Telefone: (88) 3587-3305

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