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Usina está sem data para funcionar

A previsão para o funcionamento era até 2016. Agora, negocia-se nova empresa para adquirir o equipamento

00:00 · 16.08.2015
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Maquinário está sem funcionar há 11 anos e encontra-se sucateado ( fotos: Elizângela Santos )
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No ano passado, foi realizada uma limpeza interna e iniciado o processo de avaliação do maquinário antigo e os investimentos que poderiam retomar a produtividade

Barbalha. Não há previsão de funcionamento da Usina Cariri, antiga Manoel Costa Filho. A Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), que há mais de dois anos comprou, por meio de leilão, o equipamento com o maquinário sem funcionamento por 11 anos, por R$ 15,4 milhões, ainda negocia uma nova empresa que possa adquirir a agroindústria.

Os investidores de vários estados e do Sudeste do País interessado, assinaram no último mês de novembro, em regime de comodato com o governo estadual, documento para realizar uma avaliação inicial para retomar a produção, com o funcionamento previsto a partir de 2016. O Estado teria uma parcela nos lucros para compensar os investimentos realizados.

O prazo do período do contrato praticamente expirou e não se sabe ao certo ainda se os empresários iniciais vão assumir a usina. A Adece continua realizando encontros com novos empreendedores para obter propostas de reabertura da agroindústria. Esta semana foi realizada reunião com mais uma empresa.

Aprofundamento

Enquanto isso, a agência destaca a importância de estudos mais aprofundados a respeito das novas cultivares de cana-de-açúcar para a região, além de uma avaliação das condições de funcionamento do local, inicialmente estimada, só na recuperação do maquinário, em mais de R$ 35 milhões. A atual empresa, que esteve nos últimos meses realizando esse levantamento, chegou a uma previsão de investimentos de cerca de R$ 50 milhões, segundo o assessor técnico da agroindústria, Elias Ferrer, projetista mecânico.

Enquanto isso, agricultores da região, que começavam a ficar esperançosos com a possibilidade de trabalhar no local, agora estão sem perspectiva, segundo o secretário de Desenvolvimento Agrário de Barbalha, José Elismar de Vasconcelos.

Previsão

Os novos investidores até chegaram a adquirir a Usina Cariri II, por R$ 24 milhões, em Ubajara, e continuam investindo naquela região. Já adquiriram equipamentos da antiga Acinbel, em Crato, para serem recuperados e encaminhados para a serra da Ibiapaba. Uma nova área está sendo negociada em parceria com administração municipal local, para instalar um projeto mais amplo, onde se prevê a construção de galpões para armazenar o açúcar produzido, além do fortalecimento do setor alcooleiro no Estado do Ceará. A previsão que se tinha para este ano era de produzir 6 milhões de litros de álcool, levando a competitividade ao mercado estadual, com possível redução do valor do combustível nas bombas. Mas a produção de matéria-prima na região da Ibiapaba está sendo reativada com plantio de novas cultivares.

Para Ferrer, que está atualmente no processo de recuperação de novas máquinas, adquiridas pelos empresários que, inicialmente, entraram na negociação para retomada da usina, os investimentos do grupo continuam sendo realizados e se aguarda novo posicionamento da Adece e dos empresários que iniciaram o processo. Mas, de antemão, o diretor comercial da empresa, Henrique Santana, afirma que não há previsão para que a produção seja retomada no Cariri.

O diretor de agronegócio da Adece, Sílvio Carlos Ribeiro, afirma que já foi feito o estudo de viabilidade técnica da usina, e existem empresas interessadas na parceria. Mas, inicialmente, ele afirma que é preciso o retorno de produção da cana na região. Atualmente, boa parte das terras, até mesmo no entorno da usina, em Barbalha, está ocupada com a cultura da banana, que se fortaleceu nos últimos anos, com o declínio da agroindústria, que desde 1976 atuava na região e teve o seu auge de produção nos anos 80 e começo da década de 90.

A maioria das empresas que se propõem a assumir a agroindústria é de empreendedores do sudeste do País. Silvio destaca a necessidade de se fazer na região um trabalho que tenha sustentabilidade e para isso é necessário realizar uma larga produção de matéria-prima, para suprir o mercado.

Sílvio sugere não apenas a região como área de produtividade da cana, mas interior do Pernambuco e Paraíba, com áreas mais próximas ao Estado cearense. O potencial de produção fará parte de um estudo que envolve órgãos técnicos do Estado, desde as condições relacionadas aquífero, já que a produção virá por meio de irrigação.

O diretor ainda disse que continuidade da usina com esses primeiros interessados em investir na região, só dependerá dos próprios empresários, a maior parte deles do sudeste e até do exterior. Para ele, nesse momento há fatores que acabam dificultando um pouco o processo como a crise hídrica, com os últimos anos de chuvas abaixo da média, além das condições econômicas atuais do Brasil.

Outro aspecto seria a produtividade da cana-de-açúcar na própria região, que praticamente está estagnada. A aposta está em novas cultivares e pesquisas são realizadas no estado com essa finalidade. A empresa que denominou a Usina Manoel Costa Filho, de Usina Cariri ocupou o espaço da empresa em novembro do ano passado, onde realizou uma limpeza e iniciou o processo de avaliação do maquinário antigo e os novos investimentos que poderia realizar para colocar o local em pleno funcionamento.

Com novo CNPJ, foi realizada solenidade na própria agroindústria para receber o nome de Usina Cariri. A reunião contou com a presença de representantes do setor canavieiro do Cariri e instituições agrárias, empresários, além da administração local, agentes financiadores, ex-funcionários e Governo do Estado do Ceará.

No planejamento feito no ano passado, a previsão de investimentos para os próximos cinco anos era de R$ 176 milhões, com meta de gerar 1.200 empregos diretos e 2.500 indiretos.

Mais informações:

Usina Cariri - Rodovia CE - 060

Secretaria de Desenvolvimento Agrário de Barbalha
Rua Adão Apolinário,106
Telefone: (88) 3532.1189

Elizângela Santos
Colaboradora

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