Arte

Umari destaca projetos de valorização cultural

Iniciativa visa a propagação de diferentes formas de arte junto a crianças, adolescentes e adultos

00:00 · 16.11.2014
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Durante as apresentações, o grupo incorpora o bando de Lampião e, devidamente paramentado, usa do gibão, chapéu de couro, alpargatas e cartucheiras sobre o peito para dar maior autenticidade às apresentações
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O cangaço é uma das principais inspirações da iniciativa implementada em Umari e que vem obtendo maior visibilidade onde há apresentações do grupo

Umari. Preocupados com a falta de apoio institucional voltado à manutenção das tradições artísticas e culturais deste município, integrantes da Associação Cultural do distrito de Logradouro estão colocando em prática dois projetos cujo desenvolvimento busca a propagação das mais diversas formas da arte e da cultura junto a crianças, jovens e adolescentes. Tratam-se do Sábado Cultural e a Ação Para as Crianças. Os trabalhos, que não contam com nenhum patrocínio público ou privado, são custeados a partir da comercialização de peças artesanais e da venda de comidas típicas da região Nordeste, preparadas pelos próprios integrantes da associação.

Ambos os projetos acontecem aos sábados e, além da difusão dos métodos e formas que contemplam um vasto leque de aprendizado, por meio de oficinas, o grupo cultural também realiza, gratuitamente, apresentações de dança, música e teatro em espaços públicos da cidade. Um dos locais de maior concentração popular durante os dias de apresentações é a quadra da Tabaca, famosa por abrigar eventos tradicionais do município.

Os projetos foram iniciados em meados de outubro e serão encerrados no dia 3 de dezembro, quando haverá homenagem ao Rei do Baião, Luiz Gonzaga. "As ações nasceram da necessidade de se criar mecanismos de manutenção e resgate da cultura de raiz no município.

No município não há, por parte do poder público, nenhuma ação criada neste sentido. Tudo o que é feito demanda muito esforço e dedicação. Aqui ninguém conta com apoio ou financiamento para realização das apresentações ou oficinas", explicou o presidente do Grupo Maria Bonita, Luiz Teixeira.

Reconhecido na região como um dos expoentes das tradições culturais nordestinas, o Maria Bonita já representou o Ceará em eventos realizados em outras regiões do País. O mais famoso deles é o Festival do Folclore da América Latina, em Olímpia, no interior de São Paulo. Em 2012 o grupo debutou no Festival, que naquele ano recebeu a participação de mais de 70 grupos participantes, nacionais e estrangeiros. As despesas de traslado, alimentação e hospedagem, na maioria das vezes, ficaram por conta do grupo. No ano passado, a situação se repetiu e o grupo voltou a ter dificuldades em viajar por falta de apoio da Prefeitura. "Só não foi pior porque alguns comerciantes colaboraram com algum tipo de patrocínio", diz Luiz Teixeira.

Internacional

Neste ano, o grupo realizou apresentações durante o Encontro Nordestino de Xaxado, que aconteceu no mês de junho, em Serra Talhada (PE). No próximo dia 21, os integrantes da associação estarão participando do Festival Internacional de Folclore do Ceará, que acontece no período de 20 a 23 de novembro, em Fortaleza. A ida do Maria Bonita ao Festival de Folclore só será possível porque as despesas relacionadas a deslocamento, hospedagem e alimentação serão custeadas pelo próprio evento. "Há, ainda, custos relacionados com o pagamento de músicos que nos acompanharão. Estas despesas serão arcadas pela associação", frisou o presidente da entidade.

Durante as apresentações, o grupo incorpora o bando de Lampião e, devidamente paramentado, usa do gibão, do chapéu de couro, das alpargatas, das cartucheiras por sobre o peito e do bacamarte, rusticamente construído a partir de cabos de vassoura e pedaços de madeira, para dar maior veracidade às encenações. "Nós mostramos a realidade do sertanejo. Contamos a história do povo nordestino que, mesmo com todas as dificuldades que enfrenta, consegue superar o sofrimento e seguir em frente", explica Luiz Teixeira.

O nome Maria Bonita, segundo ele, é uma homenagem à companheira de Lampião. "Escolhemos o nome Maria Bonita para homenagear uma figura ícone da cultura nordestina. Foi por causa dessa personagem que decidimos, também, incluir o ritmo do xaxado aos nossos projetos", afirma.

O grupo já se apresentou em locais como o Teatro José de Alencar, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, ambos em Fortaleza, e o Teatro Ribeira dos Icós, no município de Icó.

Para se manter financeiramente, o grupo participa de editais abertos pela Secretaria de Cultura do Estado e Pelo Ministério da Cultura. "Nós vínhamos recebendo, nos últimos três anos, cerca de R$ 60 mil anuais, do Ministério da Cultura.

(R.C)

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