Comemoração

Seminário São José faz 140 anos

Festejos de aniversário destacam pioneirismo na formação sacerdotal do clero diocesano no Interior do Estado

00:00 · 08.03.2015
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Edificação ocupa um quarteirão quadrado do bairro de São José, no Crato. ( FOTOS: ELIZÂNGELA SANTOS )
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A história da construção do prédio conta com a contribuição de um dos nomes mais representativos da religiosidade do Nordeste e cratense, o Padre Cícero. Ele chegou a reunir grande número de voluntários para trabalharem nas obras.

Crato. De vários pontos da cidade do Crato é possível ver um dos prédios mais representativos do Interior do Estado, e um dos cartões-postais do Crato. O Seminário São José completa 140 anos. Uma imponente solenidade, na data de aniversário do prédio, foi realizada ontem, além de lançamento de um livro em sua homenagem, no resgate da história e uma celebração. Em plena comemoração dos festejos alusivos ao santo padroeiro do bairro, que se formou em torno do prédio, o seminário recebe até logomarca especial alusiva aos 140 anos.

Pioneira no Ensino Superior, no Interior do Estado, a construção foi autorizada pelo primeiro bispo do Estado, dom Luiz Antônio dos Santos. Era um desejo levar para longe, além-mar, um educandário de padres. Até hoje, mesmo chegando a momentos de paralisar as atividades, o seminário mantém o funcionamento de cursos fundamentais para vocacionados à missão religiosa de sacerdotes católicos. O momento chega a ser de comemoração, já que a escola atualmente conta com 66 alunos nos estudos de Filosofia e Teologia.

Segundo os seminaristas autores da arte, José Alberto Bezerra Ferreira e Jeferson dos Santos, a logomarca é uma síntese entre o moderno e o tradicional, e apresenta a harmonia da celebração jubilar dos 140 anos, caracterizando o seu percurso histórico antigo pelas faixas com as inscrições "Seminário São José e 140 anos", a realidade atual com os traços e estilo vetorizados, sendo a imagem da edificação responsável pela harmonia presente no desenho.

A programação de comemorações foi iniciada às 9 horas da manhã de ontem, com encontro dos ex-alunos do Seminário, às 10h, celebração de Missa e, após a celebração, o lançamento do livro do professor João Teófilo Pierri "O casarão de 1875 no encontro de 2014".

Melhorias

Foram dez anos de construção do prédio, que hoje precisa de cuidados. Pelo tempo de construção, já passou por diversas melhorias. O madeiramento está velho e o telhado possivelmente precisará ser renovado.

Segundo o padre Edson Bantim de Oliveira, há dois anos reitor do Seminário, o local representa, em termos históricos e culturais, a marca do pioneirismo na região e no Interior do Ceará. Não havia escolas e os mais ricos pagavam professores particulares para darem aulas aos seus filhos. As aulas na escola pioneira eram não apenas para a formação dos sacerdotes, mas para educar também alunos.

E não foi fácil, durante todos esses anos, manter um prédio tão grande. Os gastos de manutenção são constantes.

Ele disse que praticamente todo o teto, com exceção da capela, que teve trocada a cobertura por ter cedido em 1999, o restante do telhado está comprometido pelo cupim e a idade da madeira. O prédio ocupa um quarteirão inteiro do bairro Seminário, que recebeu o nome por ter se formado no entorno da edificação.

Em relação à possibilidade de tombamento do prédio, padre Edson ressalta que, considerando as mudanças que já foram realizadas na parte interna, não teria como fazer um tombamento, mas ele destaca a originalidade da fachada.

O padre também diz que, mesmo se tornando um patrimônio cultural, muitas vezes pode até acabar dificultando mudanças necessárias para adaptação dos alunos.

A história de construção do prédio conta com a contribuição de um dos nomes mais representativos da religiosidade do Nordeste, o Padre Cícero Romão Batista. Ele chegou a reunir grande número de voluntários para trabalharem nas obras do prédio.

Fazendeiros, coronéis e comerciantes, entre outros voluntários, contribuíram com trabalhadores para a construção, que contou com a mão de obra de centenas de homens. O funcionamento do Seminário aconteceu somente em 1875, mesmo em construção. Para isso, foram usados barracões de palha e taipa, enquanto se concluía a construção do imponente edifício. De uma das estacas do barracão, nasceu um pau d'arco frondoso, ainda hoje existente no local. Essa construção ocorreu bem antes da criação da Diocese do Crato, que se deu cerca de 39 anos depois. (E. S.)

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