Fé e tradição

Romeiros relembram a morte do Padre Cícero nesta segunda

O dia 20 de julho se consolida, a cada ano, como mais uma data de romaria à cidade fundada pelo padre

00:00 · 19.07.2015
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Muitos fiéis fazem questão de visitar o túmulo do sacerdote no dia 20 ( Foto: Elizângela Santos )

Juazeiro do Norte. Aproximadamente 30 mil fiéis participam, na manhã desta segunda-feira, a partir das 6 horas, da missa de celebração dos 81 anos de morte do Padre Cícero. Durante o fim de semana, os romeiros começaram a chegar na cidade para render homenagens ao sacerdote, se concentrando na Praça do Socorro, em frente à capela onde o religioso foi sepultado. A missa do dia 20 é considerada uma tradição todos os meses, mas, em julho, a cidade já passou a contar com romaria.

Segundo a secretária de Cultura e Romaria de Juazeiro do Norte, Marli Bezerra, após a celebração serão realizadas homenagens, com apresentação de cordel em homenagem ao Padre Cícero, a partir das 7 horas e da Banda de Música Padre Cícero. Ela afirma que, desde o último sábado, a cidade recebe romeiros e esse período já pode ser considerado uma das importantes romarias da cidade.

Várias celebrações acontecem durante esta segunda-feira. Juazeiro do Norte comemora também a emancipação da cidade. Na próxima quarta-feira, 22, acontecem os festejos em alusão aos 104 anos da terra que teve como um de seus principais fundadores e primeiro prefeito, Padre Cícero. Para a secretária, a cidade tem como força motriz para a sua evolução o sacerdote até hoje. "Praticamente tudo gira em torno da romaria, comércio, cultura. Tudo isso tem a mão do Padre Cícero", afirma.

Milhares de romeiros, segundo Marli, já se despedem hoje de Juazeiro, mas de qualquer forma prestam suas homenagens ao Padre Cícero, com a reza e acendendo as velinhas próximo ao seu túmulo. Conforme estimativa da secretaria, pelo menos 40 mil pessoas circulam neste fim de semana, até a próxima segunda-feira, em Juazeiro.

O pároco da Basílica de Nossa Senhora das Dores, Joaquim Cláudio, afirma que o fenômeno das romarias a cada ano se mostra fortalecido, ao mesmo tempo em que cresce a quantidade de visitantes que têm a vontade de conhecer Juazeiro e seus pontos turísticos. Durante os anos que tem permanecido neste importante centro de recepção romeira do Brasil, ele descobriu que o grande desejo deles é saudar o "padrinho".

Vários grupos de tradição da região, integrantes de tribos indígenas, além do grupo da dança de São Gonçalo, de Alagoas, vêm a Juazeiro do Norte todos os anos, para participar da programação. Após a missa, são realizadas apresentações na Praça do Socorro.

Tradição de fé

A celebração acontece de frente à Capela. Durante o dia de hoje, milhares de pessoas fazem a visita ao túmulo, para deixarem flores ao pé do altar e fazerem as suas orações. Uma dessas reverências é especial, e feita todos os anos, por uma senhora que há exatos 80 anos participa, de forma ininterrupta, dessa celebração. Rosalva da Conceição Lima, dona Rosinha do Horto, aos 14 anos viu o pequeno caixão sendo levado pela multidão, que chorava a perda do seu pastor e conselheiro. "O povo ficou desolado sem o padrinho", lembra. O escritor e jornalista Geraldo Menezes Barbosa compara aquela multidão como um mar que levava um barquinho. Ele tinha onze anos, quando Juazeiro perdeu o seu maior líder.

Dona Rosinha do Horto, 94, relembra os momentos finais do sacerdote e o grande cortejo fúnebre que cercava o caixão no dia do seu sepultamento. "Eu estive nesse momento e a perda do nosso padrinho foi um dia de grande tristeza para todos", conta. A longevidade não tira da fiel, a última das carpideiras de Juazeiro do Norte, a disposição de descer a ladeira velha da rua do Horto, para estar presente em mais uma celebração.

Para o pároco, Joaquim Cláudio, a morte do Padre Cícero é vista de uma forma diferenciada pelos próprios romeiros e a participação dos fiéis é sempre maior nessa celebração. Tanto que uma pequena romaria se formou, quando muitos vêm à cidade prestar a sua homenagem.

O pesquisador e professor Renato Dantas destaca que têm sido realizadas, ao longo dos anos, várias ações, no intuito de fazer com que a memória do padre seja preservada, a exemplo de edições de livros relançados e obras inéditas, como ocorreu após o centenário, com o "Padre Cícero Romão Batista e os Fatos de Joaseiro", em dois volumes. Ele afirma que é importante que lugares também sejam preservados, e deve haver maior interesse dos órgãos públicos para a salvaguarda desses espaços. Um deles seria o caminho do Horto. Outro ainda preservado, conforme o pesquisador, é o Santo Sepulcro, a dois quilômetros da estátua do Padre Cícero.

O bispo dom Fernando ressalta o sofrimento vivenciado pelo sacerdote, principalmente nos momentos finais de sua vida. Também destacou os sábios conselhos dados pelo padre ao seu povo. "Comemoramos nesse dia o aniversário da passagem do Padre Cícero desse mundo para o céu. Por isso essa multidão de romeiros, que todo dia 20, principalmente julho, se faz presente para reafirmar o compromisso de fidelidade a Jesus, seguindo o exemplo do sacerdote", afirma.

Mais informações:

Secretaria da Basílica de Nossa Senhora das Dores - Rua Padre Cícero, 147 - Centro

Juazeiro do Norte - Telefone: (88) 3511-2202

Elizângela Santos
Colaboradora

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