Padre Cícero

Romaria aumenta após perdão

00:00 · 03.01.2016 por André Costa - Colaborador
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Nas últimas semanas de dezembro, dezenas de ônibus e caminhões com romeiros de várias cidades do Nordeste chegaram a Juazeiro do Norte em romaria para o último agradecimento do ano ao Padim Cícero ( Foto: Elizângela Santos )

Juazeiro do Norte. A reconciliação histórica entre a Igreja Católica e o Padre Cícero Romão Batista, patriarca deste Município, contribuiu para o aumento no número de devotos na chamada Romaria de Natal, que segue até o próximo dia 6, quando se comemora a Festa de Reis.

Desde a missa do último dia 20, presidida pelo bispo dom Fernando Panico, na Capela do Socorro, em que foi realizada a leitura da carta-mensagem escrita pelo secretário de Estado do papa Francisco, Pietro Parolin e com anuência do líder da Igreja Católica, tratando da reconciliação com o Padre Cícero, após 123 anos do sacerdote ser afastado de ordens, o número de visitantes à cidade tem crescido.

A movimentação nas ruas e principais pontos turísticos da cidade segue intensa. Nas últimas semanas, dezenas de ônibus e caminhões com romeiros de várias cidades do Nordeste chegaram a Juazeiro "para o último agradecimento do ano ao Padim", conforme relatou a pernambucana Cecília Amaral de Castro, 43. Há seis anos ela viaja, ao lado do marido, para Juazeiro. Segundo conta o casal, é um momento de "agradecer pelo ano vivido e pedir bênçãos para o que se inicia".

De acordo com a secretária de Cultura e Romarias de Juazeiro do Norte, Marli Bezerra, a estimativa é de que passem 200 mil pessoas pela cidade durante os meses de dezembro e janeiro. "A romaria de Natal vem crescendo nos últimos 10, 15 anos. Agora, após a reconciliação com o Padre Cícero, acreditamos que o crescimento será ainda mais vertiginoso nos próximos anos. Nesta romaria, algo em torno de 100 mil pessoas são esperadas por mês", acrescenta Marli.

Esta é também a primeira romaria desde a liberação do transporte de romeiros em veículos de carga, conhecidos como "paus-de-arara", anunciada pelo governador do Estado, Camilo Santana (PT), no último dia 20. A proibição, bem como a fiscalização mais rígida por parte da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), foram adotadas no ano passado como medidas para reduzir acidentes e garantir a segurança em rodovias federais.

Embora a liberação ainda não seja oficial, Camilo Santana destacou que "já foi feito um acordo com os responsáveis pelas rodovias estaduais e quanto a isso não há problema. Estamos apalavrados com os órgãos das rodovias federais e, em breve, sairá uma portaria liberando o transporte em épocas de eventos religiosos, como os que acontecem em Juazeiro do Norte e Canindé", disse.

Segundo dom Panico, a medida "trará mais romeiros a Juazeiro, pois a maioria, que não dispunha de recursos para outros tipos de transporte, acabava evitando, com medo de ser barrada no caminho". Entretanto, o bispo advertiu que se faz necessário adequações para esse tipo de transporte, como forma de garantir a segurança dos romeiros.

Acolhida

A Colina do Horto destaca-se, ao lado da Capela do Socorro, onde estão depositados os restos mortais do religioso, entre os principais pontos de visitação dos turistas em Juazeiro do Norte.

De acordo com Iolanda Oliveira, secretária do Horto, o fluxo na Colina cresceu 20% em relação a igual período do ano anterior. Durante a semana, passam cerca de dois mil turistas por dia. Este número, ainda segundo Iolanda, tende a crescer nas sextas, sábados e domingos.

FIQUE POR DENTRO

Turistas injetam dinheiro na economia local

Um dos aspectos diferenciados da Romaria de Natal é o poder de compra elevado da maior parte dos turistas - sejam eles romeiros, ou não. A injeção do 13º salário reflete diretamente na economia da cidade, mantendo o comércio aquecido para além das festividades natalinas.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/Juazeiro), Michel Araújo, ressaltou que "as vendas estão boas, visto que muita gente que mora fora vem passar o Réveillon e aproveita para fazer algumas compras".

O setor informal também sente os reflexos da Romaria. Vendedor de santinhos, terços e artigos religiosos em geral há 13 anos, Guaraciba da Silva, 45, conta que deverá vender "uns 15 a 20% a mais" que o obtido na festa de 2014.

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