Recursos hídricos

Quadro de seca piora em cidades do Cariri-Oeste

Com os açudes esvaziados e sem água potável no poço, o drama da falta d'água se agrava a cada momento

00:00 · 29.11.2015
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Açudes são tomados pela lama, em vista do ciclo de seca, que se agravou ( Foto: André Costa )

Santana do Cariri/Salitre/Campos Sales. As secas seguidas que atingem o Ceará, está afetando fortemente as populações da Região do Cariri. O drama dos moradores da zona rural de Santana do Cariri, no Cariri-Oeste do Estado, com a falta de água, já desponta para a calamidade, na opinião de lideranças locais. Cerca de 6 mil pessoas enfrentam a sede e demais problemas oriundos da seca.

A operação carro-pipa está em andamento, todavia o número de veículos é insuficiente para dar uma cobertura eficaz à zona rural santanense. A situação é alarmante e preocupa autoridades do Município. De acordo com o Secretário de Agricultura do Município, Valdir Braúlio, "o número reduzido de carros-pipa agrava a situação". Apenas três foram disponibilizados pelo Exército para abastecer as comunidades. "O município arca com outros sete carros-pipa, mas, ainda assim, não atende a demanda. Precisaríamos de pelo menos 16 veículos", pondera.

O titular da pasta explica que as reservas que abastecem a cidade estão abaixo dos 40%, e, no único reservatório que há em Santana do Cariri, o Açude Tatajuba, distante 12Km da sede do Município, a água não é apropriada para o consumo humano.

A gestora municipal, Daniele de Abreu Machado, decretou oficialmente situação de emergência nas localidades afetadas pela estiagem. Para a prefeita, a situação é "aterrorizante". "Precisamos de uma resposta imediata do governo. No meu entendimento, tem que haver muito mais investimento para criar e ampliar reservatórios de água em toda a área rural de Santana", concluiu.

Qualidade

Os quase 17 mil habitantes que residem em Salitre, na divisa entre os Estados do Pernambuco e Ceará, convivem, há décadas, com o drama da falta de água potável. Os poços profundos perfurados na sede do Município, que inicialmente seriam uma solução para o problema, não oferecem água de qualidade para atender às necessidades dos moradores.

A população atualmente compra água vinda da cidade de Araripina, em Pernambuco. O produtor de mandioca Elias Antônio Albuquerque disse que, "devido à falta de água, as mais de 300 casas de farinha tiveram que parar as suas atividades".

Análise

No município de Campos Sales, a situação é análoga à de Salitre. O Açude Poço da Pedra, principal reservatório da cidade, está secando. A lâmina de água que ainda resta não é própria para o consumo. Os problemas da má condição da água, segundo moradores, se estendem para o produto distribuído pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).

O contador Cézar Cals de Andrade, diz que "há cerca de quatro meses mandou fazer análises da água, e, em todas as amostras, foram encontrados coliformes fecais". Pedro Feitosa da Silva, residente em Campos Sales há mais de 20 anos, também reclama da péssima qualidade da água fornecida pela Cagece.

Em nota, a Cagece garantiu que a água distribuída não apresenta agentes patogênicos que possam causar riscos à saúde da população. "Vale destacar, ainda, que a Cagece realiza rigoroso controle de qualidade, tanto na Estação de Tratamento de Água (ETA), quanto na Rede de Distribuição de Água (RDA), em todos os municípios onde opera", afirma. A Companhia informou, ainda, "que tem empreendido esforços no intuito de garantir a qualidade da água.

Segundo análise da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos do Ceará (Funceme), órgão responsável pelas previsões climáticas no Estado, o cenário para o próximo ano é de continuidade de chuvas abaixo da média, devendo ser igualmente desolador, tal qual em 2015. (A.C.)

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