nossa senhora de fátima

Precariedade afeta área religiosa

Entorno do monumento se ressente de melhor estrutura para acolhimento de fiéis e visitantes do Cariri

00:00 · 19.10.2014
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Desordenamento atinge comerciantes e visitantes ao local
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A estátua chega a ser maior que o Cristo Redentor (38 metros), no Rio de Janeiro, e no Ceará, à do Padre Cícero (27 metros). O projeto é considerado ousado ( fotos: elizângela santos )

Crato. Ausência de infraestrutura no entorno, barracas instaladas sem o menor critério e autorização, feitas com plástico, palha ou papelão e falta de organização estão entre os principais problemas no entorno da estátua de Nossa Senhora de Fátima. O monumento feito em fibra de vidro e com cerca de 53 metros, desde a base até a coroa, foi inaugurado em junho deste ano, na localidade de Barro Branco, em Crato. A etapa inicial custou aos cofres públicos em torno de R$ 1 milhão. Todos os dias, o monumento tem atraído visitantes e romeiros, principalmente nos finais de semana. Ainda não existe prazo para iniciar a segunda etapa.

A primeira fase do oratório erguido à Nossa Senhora de Fátima foi concluída em junho deste ano. Antes, foi afixada a coroa na imagem, com participação de uma grande multidão. Um helicóptero e todo um esquema de segurança foi montado, com diversas simulações para colocar a coroa de alumínio no topo da imagem. No dia da inauguração, milhares de fiéis participaram da solenidade com a realização de uma missa. Alguns barraqueiros insistem em permanecer no espaço, diariamente, mesmo que não comercializem praticamente nada em dias menos movimentados, mas não querem perder o direito de ter mais adiante um espaço padronizado e com maior estrutura.

Gerador

No entorno do monumento não há energia elétrica e nem tampouco água potável. Os vendedores até temem que possa acontecer algo de mais grave no local, como assaltos e até incêndios. O monumento conta com a energia de um gerador.

A meta era concluir todo um complexo até o final deste ano, conforme sinalizou o Departamento de Arquitetura e Engenharia (DAE). Mas, de acordo com a Secretaria das Cidades, a segunda etapa será iniciada com a licitação das chamadas obras complementares, que inclui praça, com uma réplica da igreja de Fátima, em Portugal, banheiros e sinalização. Para que isso aconteça, os valores constantes no projeto, que se encontravam defasados, estão sendo revistos.

Pela primeira vez visitando o local com a família, o administrador Jairo Pereira disse que sentiu dificuldade de chegar até o local, pela falta de sinalização. Segundo ele, é importante que seja realizado logo os serviços de infraestrutura, como forma de manter a organização do espaço. O vendedor Cícero Pereira da Silva veio de Juazeiro do Norte e montou sua barraca em meio às outras. De forma precária e desordenada, o local acaba oferecendo riscos aos próprios feirantes e visitantes.

Durante a romaria de Nossa Senhora das Dores, durante a primeira quinzena de setembro passado, em Juazeiro do Norte, foi grande o número de visitantes ao monumento de Fátima. Um dos grandes problemas é que não há espaço delimitado destinado ao estacionamento dos ônibus e, ao chegarem ao local, param em meio às barracas. "De algum modo é um risco para nós que ficamos aqui e as próprias pessoas que transitam pelo espaço, um descampado desse", diz a vendedora Marileide Nunes Ferreira.

Há barraqueiros que também comercializam fogos de artifícios e girândolas, oferecendo riscos não somente para os próprios vendedores, mas aos moradores do entorno, já que nessa época do ano, com a estiagem, a mata em volta fica seca, propiciando focos de incêndio na área. Até o momento não houve nenhum tipo de fiscalização no espaço, conforme os ocupantes, que também não estão autorizados para realizar vendas na área.

Segundo a vendedora Margarida Nunes, as vendas melhoram mais no final da semana. São comercializados no espaço desde lanches a imagens de santos, terços e pequenas lembrancinhas. Nos finais de semana, normalmente esse fluxo tem aumentado, como observa Margarida.

O projeto para construção da imagem foi iniciado em 2009 e paralisado por algumas vezes, em virtude do questionamento junto ao Ministério Público Estadual (MPE), por se tratar do Estado laico financiando um projeto de caráter religioso. A Projesul, empresa que iniciou os serviços, chegou a abrir falência. O Governo do Estado realizou nova licitação. Houve até recomendação do Ministério Público para a demolição do que havia sido feito, no começo da obra. O resultado é que numa região onde o turismo religioso é um dos maiores do Brasil, a expectativa é que os romeiros do Padre Cícero passem a ter mais um ponto de visitação, no Crato.

A estátua chega a ser maior do que o Cristo Redentor (38 metros), no Rio de Janeiro, e no Ceará, a do Padre Cícero (27 metros). O projeto é considerado ousado e fica numa área alta da cidade, uma das localidades mais carentes do Crato.

A imagem foi montada em módulos de resina de vidro e projetada pelo escultor juazeirense, Franciné Diniz. O mirante no local contará com dois pavimentos, incluindo dois banheiros, 226 metros de guarda corpo, com área total de aproximadamente 290 metros quadrados e iluminação elétrica. (E.S)

Mais informações:
Secretaria das Cidades
Avenida Gal. Afonso Albuquerque Lima - Edifício Seplag
Cambeba- Fortaleza
Telefone: (85) 3101.4448

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