Agricultura de sequeiro

Pouca chuva compromete produção

A queda acentuada nos níveis dos açudes tem preocupado o agricultor, apesar das últimas precipitações na região

00:00 · 10.01.2016 por Elizângela Santos - Colaboradora
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O Açude Umari está com uma reserva bem abaixo da média histórica, em Crato, dificultando o plantio de áreas irrigadas ( Fotos: Otacílio Correia Neto )
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Os agricultores demonstram desânimo com a quadra chuvosa deste ano, uma vez que a produção poderá apresentar mais indicadores negativos

Crato. A falta de estímulo em preparar a terra para o cultivo tem sido predominante no campo, no sul do Estado. A ausência das chuvas de verão em dezembro, e no começo de janeiro, preocupa os produtores rurais do Cariri. Os reservatórios estão praticamente secos e há municípios em que os agricultores sequer foram contemplados com o Garantia Safra. Alguns já chegaram a fazer mobilização e aguardam reposta de inclusão no cadastro do governo federal.

Em Crato, os trabalhadores rurais esperam ser inseridos no pagamento, para minimizar o sofrimento dos anos consecutivos de seca. São mais de 1.700 produtores. A cidade teve quase de 70% de perda de safra agrícola no ano passado e vem tentando corrigir os dados que foram repassados de que esse percentual foi apenas de 9%.

Perspectivas

Segundo o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais do Município, Antônio Alves da Gama, o Tota, esses números estão dentro do novo cálculo que é feito pelo governo federal, mediante os últimos anos de seca. Mas ele questiona que este dado não corresponde à realidade.

A falta de perspectiva, conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Missão Velha, Cícero Honorato, tem levado os agricultores a investirem no plantio de banana irrigado. Nos últimos anos, houve um crescimento nessa modalidade de cultivo, que vem abastecendo a própria região e há comercialização para Estados vizinhos. Atualmente, o presidente do Sindicato afirma que nem sabe como se encontra essa posição. "Os reservatórios estão secando e há uma necessidade de mobilização, para se pensar políticas públicas para atender ao homem do campo", diz ele.

Em Crato, conforme Antônio Alves, até mesmo o cultivo irrigado está ameaçado, por conta da baixa nos reservatórios. O Açude Thomaz Osterne está com um volume muito baixo, e nesse segundo semestre chegou a atender aos plantios irrigados, com apenas a metade da vazão. "Agora, acredito que está com menos de 5% do seu volume", afirma ele, que acrescenta ser um momento de clamor e extrema preocupação na região.

Enquanto não há um prognóstico em relação às condições de chuva, Tota acredita que prevalece o que já foi prognosticado pela Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), de uma quadra chuvosa irregular e com poucas chuvas. No ano passado, ele afirma que chegou a chover mais na cidade do que no campo.

Conforme o presidente do Sindicato em Crato, a preocupação é grande, porque sempre se espera as chuvas de novembro e dezembro, onde cresce um pasto de rama, pelo menos para os animais, e até o começo do ano não choveu nada. "Esse ano é bissexto. Os mais velhos sempre disseram que, quando não é ruim, o vizinho pode ser", diz, apesar das precipitações ocorridas.

Perdas

O aproveitamento da produção do ano passado chegou a ser de praticamente de 35%. Quem plantou nos meses de dezembro, ou em janeiro, perdeu. Os plantios de fevereiro e março, vieram com prejuízos. Ainda não há previsão para distribuição de novas sementes, e, no ano passado, chegou a ser dispensado o pagamento das sementes por conta da perda de safra e os trabalhadores estão ansiosos porque perderam a produção, e houve problemas relacionados ao seguro.

Há cerca de um mês, foi realizada uma manifestação dos produtores, com ocupação na Ematerce, para ver se incluíam algumas cidades da região no calendário de pagamento das parcelas, incluindo Crato, Barbalha, Caririaçu e Juazeiro do Norte. São produtores que não foram contemplados.

Ele explica que a exclusão vem sendo cumprida, por meio da Portaria 42, que para inserir o índice de perda, deve ser calculado em relação a vários anos. No Crato, são 1.704 sem inserção no calendário de pagamentos. Os trabalhadores estão inseguros em relação a serem beneficiados, e poucos prepararam as terras, até a Funceme fornecer os prognósticos, mas as previsões, até agora, não são boas. "Sempre quando diz que vai ser irregular, acontece", lamenta.

Mesmo chovendo cerca de 700 milímetros na cidade do Crato, em outras localidades do Município o índice não chegou a 300 mm. Ele destaca que, por conta dos problemas políticos do País, o trabalhador acaba sendo prejudicado com os desencontros, além dos anos consecutivos de seca.

Os agricultores de Crato chegaram a receber o Garantia Safra em 2012. São mais de três anos sem o benefício. O laudo da Ematerce insere mais de 66% de perdas na agricultura. Com os novos cálculos, o Crato só chega a ter 9%. Essa contabilidade acaba prejudicando o Município. "Com esse cálculo, podem dizer que não tem seca no Nordeste. Mesmo com um bom inverno, há uma perda até de mais de 10%", diz.

Para Cícero Honorato, além de a produção ter diminuído drasticamente, há preocupação para o consumo dos animais. "Saímos do patamar de um dos maiores produtores da região, e hoje não tem milho nem para o consumo próprio", afirma. Nos últimos três anos, a perda tem sido acima de 60%. O Garantia Safra está sendo pago aos trabalhadores desde dezembro. Já receberam a primeira parcela 3.444 produtores do Município. Serão cinco parcelas de R$ 170. Esse apoio, segundo ele, é uma ajuda paliativa e é bem-vinda. O movimento sindical queria um seguro desemprego rural, mas a proposta não foi acatada.

Cícero Honorato disse que as cidades de Mauriti e Missão Velha eram as que mais se destacavam na produção de milho, mas houve uma queda ao longo dos últimos anos.

Mais informações

Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Crato
Telefone: (88) 3523-1623

Sindicato de Missão Velha
Telefone: (88) 3542-1248

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