Ensino Superior

Polo acadêmico avançou na região

A educação teve um aumento de qualidade, a partir da instalação das faculdades de Medicina e Administração

00:00 · 18.10.2015
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A Faculdade Leão Sampaio reúne hoje um amplo leque de cursos universitários ( Fotos: Elizângela Santos )
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A Faculdade de Medicina foi trazida por Mauro Sampaio em 2001, sendo a primeira a ser instalada no Interior do Estado. O curso é administrado pela instituição Estácio de Sá, do Rio de Janeiro

Juazeiro do Norte. A instalação do polo universitário proporcionou uma nova configuração ao desenvolvimento de Juazeiro do Norte, nos últimos anos. A marca do pioneirismo traz uma realidade diferenciada, para a cidade marcada pelas romarias religiosas e o comércio. É a fase de crescimento, que perpassa pelos mais diversos setores, principalmente o de serviços.

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Para o diretor de uma das maiores faculdades do interior do Estado, iniciada com a atuação do então prefeito Mauro Sampaio, Jaime Romero de Souza, o gestor foi decisivo na implementação dos novos cursos, que desencadeou o desenvolvimento da terra do Padre Cícero, acima de outras cidades de médio porte do Brasil, nos últimos 15 anos. Tanto a implantação da Faculdade de Medicina de Juazeiro (FMJ) como a Faculdade Leão Sampaio, com o curso de Administração, foram pioneiros no interior do Ceará.

Ele lembra que no fim dos anos 90, a Educação Superior em Juazeiro contava com apenas os cursos de licenciatura da Universidade Regional do Cariri (Urca). Para o diretor, pensar o desenvolvimento envolvia a capacitação e qualificação dos próprios profissionais do mercado regional. Não bastava trazer mão-de-obra de outras localidades do Brasil. Havia a necessidade de instituições formadoras no Cariri. Assim, Juazeiro do Norte despontou com uma faculdade de Medicina.

Demanda

Segundo a filha de Mauro Sampaio, o ex-prefeito tinha um projeto de criar uma faculdade de Medicina em Juazeiro do Norte, desde o fim dos anos 60, no seu primeiro mandato. A oportunidade veio na segunda gestão, momento em que recebeu o apoio do almirante Ernani Aboim. Nesse período, havia mais de 10 anos que não era aprovado um curso de Medicina no Brasil. Ela atribui muito da conquista à facilidade de diálogo e influência que Mauro Sampaio tinha em Brasília. Por 20 anos seguidos, ele foi parlamentar federal e teve a desenvoltura necessária para chegar aos lugares estratégicos.

Influência

Para Jaime Romero, a conquista dos novos cursos não foi fácil. Dependia mesmo de alguém com larga influência e ele classifica o gestor com um incansável nessas conquistas. Hoje, a instituição que dirige tem 13 cursos e cerca de 10 mil alunos. Há uma perspectiva de instalação de mais um curso de Medicina na região, possivelmente no Crato, ainda a depender de edital do Governo Federal. Romero destacou a grande dificuldade política de implantar novos cursos, naquele período. "Ele foi a Brasília e desatou todos os nós", afirma.

Jacqueline Sampaio, no período de implantação das primeiras faculdades, era secretaria de Educação de Juazeiro do Norte. Ela afirma que a educação, na segunda fase como prefeito da cidade, foi o seu grande legado, não apenas em cursos superiores, mas na educação infantil, com a realização de novos concursos, além de implementação da saúde, com a aquisição do Hospital São Lucas, para Juazeiro do Norte. Tanto a então secretária como Romero reconhecem a visão empreendedora do prefeito, na área educacional.

As primeiras faculdades privadas foram criadas com diferença de alguns meses. Medicina veio primeiro, e Jacqueline acompanhou todo o processo, a partir da empreitada para dialogar junto aos conselhos de educação do Município, Estado e em nível federal. As incontáveis viagens a Brasília surtiram efeito. "Ele viu que tinha que investir em Educação, e nos mais diversos níveis. Precisava de uma ação emergencial, com multiplicadores que iriam formar gente", afirma Jaime Romero.

Visão

Para o diretor, o mais interessante nesse processo, era a visão macro que Mauro Sampaio teve, de formar empreendedores para as áreas mais importantes e com parceria entre o público e o privado, num momento em que pouco de falava nisso. Na ocasião, foi enviado um projeto de lei para a Câmara Municipal e aprovado, destinando 10% das vagas para alunos de baixa renda, oriundos de escolas públicas. Nessa época não havia financiamento de cursos como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), por exemplo. Além disso, foi inserida na grade curricular a disciplina de Saúde da Família.

São mais de 50 cursos, com nove instituições, duas delas públicas, a Universidade Federal do Cariri (UFCA), mais recentemente criada, e a Urca, e cerca de 25 mil alunos na cidade. O segmento tem a maioria de cursos privados e atrai em grande parte alunos de outros centros urbanos para a região. "São mais de 60% os alunos que estão fora do eixo Crajubar na Leão Sampaio, e isso forma um círculo virtuoso", avalia Romero.

Mauro Sampaio tinha uma atenção especial com os cursos implantados em Juazeiro. "Ele ia semanalmente visitar a faculdade e nunca pediu nada em troca, nenhuma contrapartida, e dizia que era sua função enquanto gestor público", afirma Romero, ao destacar um propósito que para ele não vai morrer nunca. O auditório, recentemente inaugurado na Faculdade Leão Sampaio, em seu maior empreendimento, no bairro Lagoa Seca, recebeu o nome do ex-gestor, que continuou trabalhando em prol do Ensino Superior.

Romero lembra que, em função de sua luta, até fez o convite para ele ser sócio, por uma questão de reconhecimento. A resposta veio em seguida, pelo próprio prefeito, de que estava cumprindo o seu papel de homem público e esse não era o seu objetivo. Então, a instituição homenageou o pai de doutor Mauro, Leão Sampaio, que foi parlamentar e médico.

Romero lembra dos primeiros momentos que teve com o homem influente, que garantiu acesso a pessoas estratégias, como o então ministro da Educação, Paulo Renato, entre outros nomes. "Ele abriu toda a rede de saúde para os profissionais poderem atuar, depois os atendimentos foram se ampliando e a cidade prosperando", diz. O diretor se reporta com admiração a Mauro Sampaio e diz que ele tem muitos admiradores por essa visão. "Mesmo doente, era um grande conselheiro", afirma.

Jacqueline ressalta a nova realidade de uma cidade, que atualmente não é mais vista apenas como cidade de romeiros, mas de intelectuais.

Mais informações:

Faculdade Leão Sampaio
Avenida Padre Cicero, 2830,
Bairro Triângulo
Juazeiro do Norte

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