Juazeiro do Norte

Pesquisadores avaliam tombar bens da cidade

Tido como lugar sagrado pelos romeiros, o município poderá ter registro de patrimônio cultural nacional

00:00 · 20.12.2015
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O fervor religioso do romeiro tem destacado espaços de Juazeiro do Norte onde há uma identificação com a fé e a resistência na reverência ao fundador da cidade, reunindo multidões nos eventos religiosos ( Fotos: Elizângela Santos )
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O Cemitério onde está sepultado o Padre Cícero é um dos locais estudados pelos pesquisadores para provável tombamento pelo Iphan

Juazeiro do Norte. O lugar sagrado dos romeiros poderá ser registrado junto ao Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Até o fim deste ano, os técnicos do Instituto de Pesquisa e Projetos (Iepro), da Universidade Estadual do Ceará (Uece), concluem o inventário dos lugares sagrados do Município de Juazeiro do Norte, para ser avaliado pelo órgão nacional no Ceará.

>Ação não depende do perdão católico
 
A meta é que, no primeiro semestre do próximo ano, seja realizado um seminário no Município, no intuito de levar à sociedade esclarecimentos envolvendo questões relacionadas ao tombamento de bens material e o registro. Além disso, deve-se abrir o debate para ser retirada a proposta de qual caminho poderá ser tomado para dar segmento ao processo.

Desde 2010 que a equipe de historiadores se debruça sobre as temáticas da "Terra do Padre Cícero" e, segundo a historiadora do Iphan, Ítala Byanca Morais da Silva, o registro como patrimônio da cultura nacional, imaterial ou material será definido pelo próprio romeiro, principal protagonista do processo, e a comunidade. Ela destaca que Juazeiro do Norte está sendo trabalhado com prioridade, após a finalização do registro da Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha, ocorrido em setembro deste ano.

Recuperação

O levantamento dos lugares sagrados de Juazeiro do Norte passa pelo Horto, e o seu conjunto, onde se localiza o monumento do Padre Cícero, com 28 metros, até a base, e o casarão de mais de cem anos. Além dele, a Basílica Santuário de Nossa Senhora das Dores, Capela do Socorro, Santo Sepulcro, Casa dos Milagres, entre outros espaços.

Mesmo ainda sem uma definição do tombamento, a Casa dos Milagres, que chegou a ficar destruída em agosto de 2013, como consequência de um incêndio, contou com a visita e orientação dos técnicos, para passar por uma recuperação e conservação original do espaço. Sem qualquer investimento público, a população romeira e os proprietários do prédio colaboraram com a recuperação.

Inventário

A dependência agora para a realização do seminário é também financeira. Para o evento, o Iphan-CE deverá contar com a parceria da Prefeitura local. Ainda serão realizadas as tratativas para definição das datas. Durante o evento, conforme Ítala, alguns pontos serão enfocados, iniciando com a apresentação do inventário levantado, políticas públicas para a salvaguarda do patrimônio material e imaterial, no que implica o próprio registro para a sociedade, o que seria necessário para o encaminhamento do processo, com proposta final sendo extraída do evento.

O registro, no caso, poderá ser direcionado às romarias e celebrações. Para isso, deverão ser colhidas assinaturas durante as romarias, para se ter a anuência dos principais atores das manifestações religiosas na cidade. O encaminhamento dos trabalhos será dado a partir de uma metodologia adotada das políticas estabelecidas pelo Iphan.

O romeiro, neste caso, assume uma importante relevância dentro do processo, como detentor do bem cultural e protagonista, no caso as romarias de Juazeiro. Esse aspecto estará mais apropriado às particularidades dos bens imateriais. (E.S.)

Prioridade

"Dentro das ações de patrimônio imaterial, o processo da cidade de Juazeiro do Norte é prioritário"

Ítala Byanca, historiadora do Iphan

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