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Pesquisa explica formação de fósseis

Trabalho científico será publicado numa das mais conceituadas revistas norte-americanas

00:00 · 27.09.2015 por Elizângela Santos - Colaboradora
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Metodologia já é considerada um avanço no desenvolvimento da Paleontologia ( Fotos: Elizângela Santos )
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O estudo, considerado um avanço, demonstra uma nova maneira de sondar fósseis para descobrir como esses restos antigos são formados, revelando em maior escala detalhes morfológicos

Juazeiro do Norte. Uma pesquisa inédita, que vem sendo desenvolvida na área da Bacia Sedimentar do Araripe, revela novo método de elucida a formação dos fósseis. O trabalho já obteve o reconhecimento internacional e será publicado na próxima edição da revista norte-americana, 'Analytical Chemistry', um dos mais renomados e tradicionais periódicos internacionais da área cientifica. A pesquisa intitulada 'Desvendando como os Fósseis se formam' vem sendo desenvolvida desde o ano passado.

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O artigo foi elaborado pelos professores doutores Álamo Saraiva e Allysson Pinheiro, da Urca, Amauri J. Paula, UFC, e João Herminio da Silva, da Universidade Federal do Cariri (UFCA), que aborda o uso da microscopia eletrônica de varredura (MEV) para a análise de um fóssil de camarão da Bacia Sedimentar do Araripe, do Período Cretáceo, com mais de 110 milhões de anos.

O estudo, considerado um avanço na área, demonstra uma nova maneira de sondar fósseis para descobrir como esses restos antigos são formados, revelando em maior escala detalhes morfológicos.

Preservação

O objetivo do trabalho, conforme o coordenador da pesquisa, professor Álamo Saraiva, é desenvolver técnicas para a identificação de novas espécies de fósseis. Segundo ele, os fósseis da Bacia do Araripe são muito bem preservados, mas no caso dos pequenos, como insetos, camarões e folhas, há dificuldades de preservação em determinados níveis das assembleias fossilíferas. "Descobrimos um nível que tem camarões em forma de impressão e são limonitizados, que é uma substituição da matéria que compõe o cadáver pelo mineral limonita e não por carbonato de cálcio", explica.

Essa é uma característica, conforme o pesquisador, de fósseis da Bacia do Araripe, que faz com que eles fiquem pior preservados. Mas existem também em outros lugares do mundo.

Saraiva reconhece que antes havia uma dificuldade muito grande para descrever esse material. Através de uma microscopia eletrônica, na UFC, houve a possibilidade de ler os elementos químicos presentes, de forma separada, com imagens só do cálcio, outra do magnésio, sódio e enxofre.

Em determinados elementos, se evidenciam estruturas que não tinham muitas fotos e, com as simulações, podem fazer uma interpretação melhor do material coletado, por meio da microscopia eletrônica.

"Esse trabalho é revolucionário no estudo dos fósseis, com uma nova técnica que estamos mostrando para o mundo, porque dá para ver estruturas que ainda não estão bem explicadas e tem que continuar as pesquisas, porque há padrões na formação dessas imagens, que só são encontradas em galáxias em espiral, ou mesmo nos cristais de água congelando", destaca Saraiva. A finalidade agora é ver como se dá a formação desse padrão molecular.

Envolvimento

Outro aspecto ressaltado pelo pesquisador é referente ao trabalho multidisciplinar e em cooperação entre as universidades cearenses, incluindo Urca, UFCA e UFC. Os cursos envolvidos são de Física, Engenharia e Biologia. "São várias cabeças e instituições diferentes, trabalhando dentro de um mesmo propósito", diz.

Passo

Segundo Álamo, a revista em que será publicado o artigo é de ponta e por enquanto se estava descrevendo uma técnica de agora parte para a descrição e identificação do material, proporcionando um aprofundamento maior para os estudos dos materiais fossilizados. "Antes, sem essa técnica, era impossível fazer a descrição", destaca.

O grupo editorial destacou a importância dessa pesquisa. Eles fizeram um apanhado do que há de mais importante das pesquisas no mundo e vão em busca dessas informações, para inserir o que tem sido acrescentado de novos conhecimentos.

O próximo passo agora está nas mãos dos físicos e da engenharia, que poderão entender os padrões moleculares, e os biólogos descreverem as espécies.

Segundo os cientistas, o uso do novo método em fósseis gerou imagens que revelaram características morfológicas que não poderiam ser detectadas através de métodos tradicionais. Os detalhes de estruturas do camarão foram melhor visualizados nas imagens geradas. Adicionalmente o método também permitiu uma análise tridimensional da peça, ou seja, uma função contínua que aproxima um conjunto de dados.

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