Pequi tem perdas de 60% na safra deste ano

Comemorações e festejos da colheita terminam mais cedo, por conta da pouca produtividade do fruto

00:00 · 08.03.2015
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Comércio é intenso neste período, garantindo renda extra para os extrativistas ( Fotos: Elizângela Santos )
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Os catadores se reúnem cedo, desde o primeiro dia do ano, arranchados em pequenas casas de taipa, às margens da CE-060, entre Barbalha e Jardim

Jardim. A safra do fruto mais esperado do ano na região do Cariri termina em comemoração, mesmo que a produção não tenha sido a melhor dos últimos anos. A festa do pequi marca o fim da colheita, que neste ano acaba mais cedo por conta da pouca produtividade do fruto. Na Chapada do Araripe, os catadores do principal produto do extrativismo se encontram para festejar com forró, comidas e bebidas típicas o momento. Com 60% a menos do que o ano passado, em que a cata foi concluída em maio, este é o período em que milhares de extrativistas conseguem obter renda extra com o produto, além de incrementar o cardápio.

Os catadores se reúnem cedo, desde o primeiro dia do ano, arranchados em pequenas casas de taipa, às margens da CE 060, entre os municípios de Barbalha e Jardim. A tradição vem de décadas e a Festa do Pequi começou depois. Por isso, marca a colheita, com a comemoração, nos dias 21 e 22 de março. E claro, não poderia faltar o baião de dois com pequi no cardápio.

Neste ano, se reuniram no acampamento, em cima da Chapada, cerca de 14 famílias. Os membros vão se revezando para tirar com tranquilidade a produção do dia. Os rendimentos mensais podem variar de R$ 1.000 a R$ 1.500. Alguns preferem ficar em outras áreas ou até mesmo comercializando o que compram de outras localidades.

Acampamento

As famílias, em sua grande maioria vêm do sítio Cacimbas, de Jardim. Se instalam no acampamento em condições precárias. Num portal logo na entrada, à beira da pista, espaço de comercialização para a maioria dos catadores, está a estátua do Padre Cícero. A bênção do "Padim" é essencial para um momento considerado importante para a economia das famílias.

Segundo o agricultor Pedro Martins dos Santos, um dos mais antigos extrativistas da área, não tem sido fácil encontrar pequizeiros perto. Ele diz que chega a percorrer até 10 km para realizar a cata do dia, que inicia cedinho, por volta das 4 horas. A turma de casa se reveza na atividade. São filhos e netos envolvidos, enquanto seu Pedro cuida do roçado e também dá o seu turno em busca dos frutos pelo chão da mata.

Ele admite a grande alegria de poder contar com esse rendimento extra todo ano. O agricultor explica que o motivo da safra terminar mais cedo neste ano, foi por conta da florada de outubro e novembro. Poderia até ter iniciado em setembro, mas uma frente fria acabou causando prejuízos. "No ano passado ainda tinha muito pequi nessa época. Neste ano, raramente encontramos. O que está sendo comercializado vem do Estado do Maranhão", diz ele.

Seu Pedro, por ser dos que há mais tempo está na atividade, chegou a presidir a Associação de Catadores de Pequi, mas ele afirma que a entidade está praticamente desativada. O intuito foi promover uma organização maior do grupo, quando esteve com mais participação. Neste ano, a cata nos dois meses de atividade, mesmo com menor quantidade, foi intensa.

A mata fechada tem ocasionado também a pouca produção do fruto nas árvores, dificultando também a entrada dos catadores. O pequizeiro normalmente produz em área onde ele fica mais isolado. Com isso, a distância para buscar em outros pontos é cada vez maior. O óleo do pequi, ou azeite, é outra iguaria bastante procurada entre os extrativistas, produzido a partir do cozimento do fruto.

Em 2015, o preço do produto aumentou em função da redução na quantidade de óleo, que também é feito da castanha e considerado de melhor qualidade. Foram 300 litros produzidos no acampamento. Ano passado se chegou a 500, e a comercialização na área variou de R$ 40,00 a R$ 50,00. Normalmente os preços do pequi são estabelecidos a cada 100 unidades, que chegou a R$ 40,00. Ano passado, no auge da produção, foi comercializado a R$ 10,00.

A preservação das áreas de pequizeiros também tem sido fundamental. Há um trabalho realizado pelos órgãos ambientais todos os anos para o plantio de novas árvores. Para isso, os extrativistas cedem parte de alguns dos frutos para a produção de mudas, mesmo sendo poucas as que sobrevivem. Seu Pedro resolveu plantar em um viveiro de mudas da comunidade. O resultado é que algumas árvores já dão frutos.

A cata do pequi acontece em vários pontos da Chapada do Araripe. O acampamento dos moradores de Jardim é o mais representativo, por ter o maior número de catadores, em um só lugar. Em estradas de acesso a Nova Olinda também é comum encontrar vendedores à margem da estrada. Somente este ano, o agricultor estima um cálculo de 100 milhões de frutos colhidos na mata do acampamento de Jardim e Barbalha.

O agricultor Zilmar Francisco dos Santos foi um dos primeiros a chegar no acampamento este ano. São 22 anos na atividade extrativista. Este ano já conseguiu uma renda extra em torno de R$ 2 mil, isso percorrendo a mata todos os dias. A comercialização é favorável. Para ele, o sabor da iguaria inconfundível ainda vai estar por muito tempo no prato do caririense.

Mais informações:

Associação dos Catadores de Pequi Jardim

Presidente da entidade

Pedro Martins

Telefone (88) 3555- 5014

 

Elizângela santos
Colaboradora

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