águas do são francisco

Obra da transposição avança em Jati com ritmo de 24 horas de trabalho

Além de ser um alento na oferta hídrica, serviços mudam perfil das cidades, oferecendo emprego e renda

00:00 · 05.10.2014
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Serviços atraem trabalhadores de quase toda a região ( fotos: elizângela santos )
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Os serviços estão sendo realizado no local em turno de 24 horas, com equipes de trabalho se revezando. O reservatório de Jati será o primeiro a receber as águas

Jati. A obra do Canal da Transposição do Rio São Francisco, no trecho da barragem de Jati, avança e chega a mais de 35% de execução, segundo dados levantados de agosto deste ano, com a avaliação do andamento do projeto em todo o Nordeste. De acordo com o Ministério da Integração Nacional, os serviços estão sendo realizado no local em turno de 24 horas, com equipes de trabalho se revezando.

O reservatório de Jati será o primeiro no Estado cearense a receber às águas do "velho Chico". A previsão é que isso ocorra em setembro do próximo ano. Iniciado em 2007, a obra de infraestrutura hídrica em seu conjunto, conforme o ministro interino da Integração, Francisco Teixeira, deverá chegar ao estágio de 70% de concluídas até o final deste ano, nos quatro estados que estão sendo beneficiados diretamente com o projeto.

"Não vejo a hora de a água chegar por aqui", diz a dona de casa Mamédia Germana Silva. Ela mora em Brejo Santo, onde têm parentes trabalhando na execução dos serviços das barragens, além de filhos também residindo em Jati. Pelo menos 40% da mão-de-obra é local. O benefício se reverte para a própria cidade, onde há maiores dificuldades para a geração de emprego.

A moradora tem uma filha com um pequeno comércio na cidade. Ela diz que, de alguma forma, todos acabam se beneficiando com o movimento na cidade, mas que a realidade será bem melhor quando a água chegar. A obra, segundo a moradora, ainda trará muitos rendimentos para a população.

Empenho

O estudante Douglas Jorge da Silva afirma que estava precisando muito de um emprego e teve que largar os estudos para poder trabalhar. Ele afirma que a opção no momento veio pela necessidade, mas depois de um ano, atuando na construção da barragem, decidiu se empenhar mais nos estudos e deverá retornar à sala de aula, sem ter que sair do trabalho.

São muitos jovens trabalhando nas frentes se serviços para execução de um projeto, que eles se animam com os resultados futuros e nem mesmo podem imaginar como será a nova realidade para os moradores. O eletricista Francisco Silva afirma que todos os dias se desloca de Brejo Santo e passa o dia inteiro em Jati. São poucos quilômetros percorridos, mas ele admite que vale a pena, pela oportunidade de ter um ganho melhor em relação aos serviços esporádicos que fazia anteriormente. "Podemos ficar até o próximo ano, e com isso se planejar melhor, porque tem sido uma oportunidade de melhorar, principalmente para quem não tinha um ganho muito certo", afirma.

Em Brejo Santo está instalado um escritório ligado ao Ministério e também estão sendo executados serviços em Taquara, Porcos e na localidade de Cipó. São obras de um porte menor do que a que vem sendo executada na cidade de Jati. Uma das compotas está sendo construída e em seguida será iniciada a segunda, numa área que fica entre os dois paredões. No final de tarde, o ônibus chega para levar a primeira equipe de trabalho do dia, para trazer a outra e continuar os serviços que não param no local há pelo menos um ano. O turno de 24 horas foi iniciado em novembro do ano passado. A obra começou a ser feita em fevereiro de 2013.

O projeto da transposição poderá beneficiar 12 milhões de nordestinos que convivem com o clima do semiárido. No Ceará, o Cinturão das Águas já se encontra com mais de 14% das obras realizadas e fará a redistribuição das águas do canal para diversos municípios, beneficiando cidades do Cariri, Inhamuns, Sertão Central e Jaguaribe.

Benefícios

O Cinturão das Águas vai captar água do reservatório de Jati, do Projeto de Integração do Rio São Francisco, para abastecer a região do Cariri, passando pelo rio Cariús, afluente do Jaguaribe. É por esse curso de água que chegará ao açude Orós.

A primeira etapa do Cinturão, com 154 quilômetros de extensão, abastecerá 17 cidades. A distribuição será definida pelo operador estadual, que fará essa adequação conforme as demandas internas, priorizando o abastecimento humano, conforme a assessoria do ministério. (E.S)

Enquete

Como as obras têm ajudado a comunidade?

"Estou trabalhando há cerca de um ano e meio nas obras do canal e tem sido muito importante poder estar trabalhando mais tempo, com um bom salário e assim oferecer melhor qualidade de vida"
Sebastião Kelbe Carvalho
Ferramenteiro

"Muitas pessoas, que antes não moravam aqui, decidiram voltar apenas por conta desses novos trabalhos que apareceram. É importante que surjam novas oportunidades para as populações locais"
Francisco Silva
Ferramenteiro

Mais informações:
Ministério da Integração Nacional
Esplanada dos Ministérios
Bloco E,
Brasília/DF
Telefone: (61) 3414-0138/ 0195

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