Precariedade

Nova licitação poderá recuperar via

Parte da sinalização foi destruída pela falta de manutenção, causando perigo e transtorno aos motoristas

00:00 · 11.10.2015 por Elizângela Santos - Colaboradora
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Os motoristas perdem muito tempo para percorrer a estrada ( FOTO: ELIZANGELA SANTOS )

Crato. Parece estar próximo o desfecho burocrático para ser novamente licitado um dos acessos mais reivindicados nos últimos anos no Crato. A estrada que liga a cidade ao Distrito de Santa Fé, pela CE 561, num trecho de 12km, está totalmente destruída e sem sinalização, e tem sido um transtorno para os moradores. São mais de 11 mil pessoas que dependem diretamente do acesso, que vem prejudicando o escoamento da produção agrícola na localidade. O principal entrave diz respeito à documentação para o encaminhamento da licença ambiental. Até o final deste mês deverá ser finalizado o estudo. A previsão é que a obra possa ser iniciada ainda até o fim deste ano.

De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, o trabalho deve ser finalizado nos próximos dias, com os documentos exigidos pelo Instituto Chico Mendes de Meio Ambiente de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), que serão encaminhados para a Superintendência Estadual de Meio Ambiente (Semace). Até o próximo mês, segundo o secretário adjunto do Meio Ambiente, Hildo Morais, essa documentação deverá estar sendo concluída para o devido encaminhamento.

Poeira

Ele destaca a sua preocupação em relação ao andamento rápido da estrada. Conforme o secretário, havia uma justificativa ambiental, com a realidade que se apresenta no local, o problema tem se agravado. A poeira da estrada tem sido muito intensa e com quadro de estiagem piora mais ainda. Hildo afirma que parte da vegetação até cerca de 40 metros das margens da estrada está prejudicada. Muitos moradores que tinham a sua residência perto da via já desocuparam suas casas, por não suportarem a grande quantidade de poeira todos os dias, causando mal-estar e doenças respiratórias.

Para a moradora da localidade, Lurdes de Carlim, a luta tem sido árdua para que a estrada seja feita. São inúmeras as reivindicações, mas não se perdeu a esperança, conforme ela. "A cada dia se torna pior o trajeto que temos que fazer diariamente. São ondulações, poeira, carro deslizando, além do impacto ambiental e social, que já tem passado de todos os limites", avalia.

Máquinas

Ela afirma que há perigo para quem trafega, pela falta de sinalização na área. Para Lurdes, a administração local, ao passar as máquinas para melhorar o tráfego, usa um paliativo. Os prejuízos para quem faz a linha, principalmente nas camionetas, são muitos. O motorista Antônio Cândido afirma que o trecho que poderia ser feito em 20 minutos demora até mais de uma hora. "Se a gente não andar devagar, quebra tudo", diz ele, que já acumula vários prejuízos causados com a precarização do trecho. O condutor afirma que o problema já extrapolou e passou a ser um descaso com a vida das pessoas.

Há 28 anos em Santa Fé, a moradora disse que são quase três décadas na luta por melhorias na estrada. "A gente pede a atenção das autoridades para que façam aquela estrada", reivindica. Ela diz que a cada três meses tem prejuízos com o seu veículo. O aposentado Mário Teles, lamenta tantos anos sem que uma providência tenha sido tomada para resolver a questão da estrada. Ele disse que vem lutando junto com os moradores desde o início. Está com 80 anos e afirma que todo o marmeleiro das proximidades já foi gasto fazendo a topografia da área, ao relatar os estudos que tiveram que ser feitos no local, mas na prática ainda perdura o mesmo problema.

São mais de 70 anos, segundo ele, que ouve falar na construção da estrada, que considera um problema muito mais político do que propriamente financeiro. "É uma falha, porque é uma região com muita produção de frutas, principalmente de banana, e tem sido prejudicada pela falta de transporte", afirma. Ele lembra de um projeto socioeconômicos sobre a estrada que foi apresentado junto ao governo há vários anos, e nada foi resolvido. "Não acredito em nada agora. Só vendo", diz.

Prazo

Hildo Júnior disse que o documento que ficou a cargo da secretaria foi a elaboração do Estudo de Viabilidade Ambiental (EVA), necessário para haver a emissão da autorização do ICMbio, por meio do Relatório de Avaliação de Licenciamento Ambiental (Real). Uma empresa foi contratada para a elaboração do EVA em Crato. O prazo de conclusão é no fim deste mês. 

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