Projeto cultural

Museu do Couro, em Nova Olinda, faz uma homenagem a Espedito Seleiro

Equipamento será inaugurado no próximo dia 19, desenvolvendo extensa programação cultural na cidade

00:00 · 14.12.2014
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A Casa, no Centro da cidade, conta a história do ciclo do couro no Cariri
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O museu trará a oportunidade de levar às pessoas a importância da atividade econômica e também mostrará a produção de peças nas oficinas, um trabalho que Espedito desenvolve desde criança ( Fotos: Elizângela santos )

Nova Olinda. O ciclo do couro é revisitado com homenagem a um dos artistas e mestres da cultura que inspira criatividade e que passou a ser conhecido nacionalmente com seus trabalhos nas passarelas de moda do Brasil. Espedito Seleiro realiza o sonho de levar ao memorial que traz o seu nome um encontro de gerações, desde o seu avô ao pai, passando pela sua própria experiência de vida, para contar a história do ciclo do couro no Cariri. Com ele, vem a trajetória mais ampla desse segmento, com o caminho das boiadas no Nordeste e o registro do fotógrafo paraibano, Augusto Pessoa.

O material passa a compor o acervo do novo equipamento a ser inaugurado no próximo dia 19, às 17 horas, em Nova Olinda, dia do aniversário dos 22 anos da Fundação Casa Grande. Uma programação especial estará voltada para esta data, com um cortejo de grupos de tradição pela cidade, às 16 horas, com o reisado do Couro, de Potengi; a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, do Crato; e o reisado do Congo, de Juazeiro do Norte.

Também será inaugurado o Café Cultural e, às 18 horas, acontece uma terreirada com os grupos de tradição na Casa Grande, com renovação do Coração de Jesus em seguida, no resgate da tradição da reza do santo. E, como não pode faltar, haverá o corte do bolo.

A festa é uma tradição adotada a cada ano pela entidade. A novidade vem com a inauguração do memorial. Com isso, a cidade de Nova Olinda, referência no turismo regional, terá fortalecido esse potencial. A cada ano, somente a Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Cariri, recebe cerca de 70 mil pessoas do Brasil e exterior.

Tradição

O Museu do Ciclo do Couro faz parte de um projeto que vem tendo como principal incentivador, o diretor da Fundação, Alemberg Quindins, que também insere na rota dos eco museus da Chapada do Araripe o ciclo do algodão, contando também a história de um dos times de futebol mais promissores, o Icasa. Além dele, o espaço também é voltado para a trajetória dos ferreiros, na cidade de Potengi. A atividade atravessa décadas, com a produção de ferramentas de forma artesanal.

Para o mestre da Cultura, Espedito Seleiro, o museu trará a oportunidade de levar às pessoas a importância da atividade e também mostrará a produção de peças nas oficinas, um trabalho que ele desenvolve desde criança. O artesão disse que todo o processo de gestão do espaço contará com a experiência da Fundação Casa Grande e que esse trabalho vem sendo tratado de forma conjunta com a direção da entidade.

Seu Espedito selecionou peças antigas, de grande valor afetivo para a família, a exemplo de uma bigorna de mais de 100 anos. Uma máquina que chegou a pertencer ao seu avô e que será exposta para o público.

Instalação

A ambientação foi planejada pela arquiteta Lis Cordeiro. A casa do amarelo sertanejo fica no Centro da cidade, na mesma rua da Fundação Casa Grande. A casa de passagem dos aboios do Nordeste, seguindo estrada chão afora, também tinha a rota que beirava o local onde irá funcionar o Museu do Ciclo do Couro.

O prédio foi adquirido por Espedito Seleiro, para a concretização do sonho. Segundo Alemberg Quindins, com o museu, o Cariri ganhará mais um espaço temático do "Eco Museu da Chapada do Araripe". O trabalho é fruto da parceria institucional da Fundação com a Associação Espedito Seleiro, também contando com a pesquisa em arqueologia histórica da arqueóloga Rosiane Limaverde, diretora da Fundação.

"Vou sempre estar repassando a história das produções antigas", diz Espedito, aos 75 anos e em plena atividade. A oficina em que trabalha com os filhos fica nas proximidades do museu. Ele pensou as cores para as sandálias que conquistaram o gosto de gente famosa, como o diretor de núcleo da TV Globo, Guel Arraes, estilistas de grandes marcas nacionais como a Cavalera, e levou o modelo Paulo Zulu às passarelas trajando os apetrechos com a marca do mestre da cultura de Nova Olinda. As velhas "alpercatas" de Lampião ganham novos contornos. Os calçados do cangaceiro do sertão, estilizados pelo artesão, passaram a inspirar jovens que fazem questão de subir à serra do Araripe para terem o seu exemplar. O mestre também recebe pedidos de diversos Estados do Brasil.

Trajetória

O projeto de resgate do ciclo do couro passa por um processo de pesquisas, que culmina com o trabalho a documentação fotográfica, traçando os caminhos das boiadas no sertão. O mestre Espedito também se debruçou na conquista desse sonho para conseguir a oportunidade de mostrar às pessoas uma história que ele não quer ver morrer. É a própria trajetória construída pela família, em três gerações, que se une no espaço a ser contemplado por milhares de pessoas, a partir deste mês de dezembro.

Para Alemberg, o ciclo do couro traz uma grande representatividade para o Nordeste em determinado momento, principalmente no que diz respeito à economia e ao desenvolvimento, sem falar na grande contribuição cultural e social.

O projeto cultural é uma parceria também com o Geopark Araripe, por meio da Associação Espedito Seleiro. O trabalho envolve pesquisa, que insere a história do ciclo desde a Bahia, vindo da Casa da Torre, de Garcia D'Ávila; de Oeiras, no Piauí, passando pelo Cariri. (E.S)

Mais informações:

Espedito Seleiro
Rua Monsenhor Tavares, 140
Centro
Nova Olinda
Telefone: (88) 3546- 1432

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