Juazeiro do Norte

MPCE determina perícia em pontos de alagamentos

Um laudo apontará as principais causas em áreas críticas da cidade, decorrentes, sobretudo, da falta de drenagem

00:00 · 06.03.2016
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Com o crescimento desordenado da cidade, as áreas mais baixas acabam sofrendo com alagamentos, mesmo com poucas chuvas ( Fotos: KLAYRTON ROMMEL )
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Os engenheiros responsáveis já foram a campo colher as primeiras informações para fazer um levantamento detalhado da situação

Juazeiro do Norte. Está sendo realizada uma perícia técnica, em pontos de alagamento da cidade de Juazeiro do Norte. Solicitados pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), técnicos do Instituto Tecnológico do Cariri (Itec), da Universidade Regional do Cariri (Urca), estão elaborando um laudo, que poderá apontar as principais causas de algumas áreas críticas, principalmente no bairro Lagoa Seca, onde há carência de drenagem em várias ruas.

Segundo o promotor de justiça Aureliano Rebouças Júnior, foram verificados alguns trechos, principalmente na época das chuvas, que acabam sendo inundados, prejudicando a população. O estudo técnico é justamente para verificar os problemas e os prejuízos, para poder ajuizar as medidas cabíveis.

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A erosão é uma das principais consequências das cheias, que pode, inclusive, representar risco para edificações nas áreas afetadas  

Antes, o problema tinha sido detectado no bairro São Geraldo, e já havia sido ajuizada ação civil pública para forçar a municipalidade a realizar obras de pavimentação e saneamento a fim de minimizar esse tipo de problemática. "Foi aí que se verificou que noutros locais o problema vem ocorrendo", disse. No caso da Lagoa Seca, o promotor está aguardando o fim dos estudos, para ver que medidas devem ser tomadas.

Diagnóstico

O professor Jefferson Luiz Alves Marinho, do Departamento de Construção Civil da Urca e presidente do Itec, disse que a avaliação da área está sendo realizada e, inicialmente, a meta é elaborar a perícia, para identificar as causas das cheias. A equipe em campo está realizando primeiramente um levantamento topográfico, para ver o desnível, o fluxo das águas e, em seguida, o laudo propriamente dito.

O professor explica que o objetivo não é propor uma solução. Ele afirma que ela deve vir com um projeto mais amplo. Mas identificar as situações que ocasionam os alagamentos, que têm se tornando mais comuns nos últimos anos, além dos danos que essas enchentes têm ocasionado ao Município e aos seus moradores.

A requisição foi feita há poucos mais de 15 dias, e desde a semana passada que os técnicos estão em campo. Vários dados já puderam ser levantados para serem iniciadas as avaliações, e depois confrontados. Serão avaliados os desníveis, com cálculos das áreas. Essa é a fase de detalhamento técnico.

Estão envolvidos os professores Jefferson, que é engenheiro civil, mestre em Engenharia Ambiental e presidente do Itec; a professora Janeide Ferreira, Do departamento de Construção Civil e mestre em Geoprocessamento; e o professor Renato de Oliveira, que atua na área de Recursos Hídricos, desenvolvendo doutorado na área.

Antes de irem fazer as avaliações em campo, o presidente do Itec disse que cada passo foi planejado cuidadosamente. O projeto topográfico irá mostrar os pontos mais baixos, que acumulam água, e todos os fluxos serão avaliados, para saber de onde vem e para onde ela escorre. Em cima desse perfil topográfico, será feito um diagnóstico completo da área.

E o problema é mais crítico do que se imagina, restando a necessidade de efetivação de um projeto de investimento bem mais amplo. O engenheiro Jefferson afirma que boa parte das águas que chega em grande volume, mesmo em chuvas consideradas de baixa pluviosidade, vem de Barbalha, e também da área do Frei Damião, em Juazeiro do Norte, que é mais alta.

A Avenida Leão Sampaio, já na área da Lagoa Seca, se encontra no ponto mais baixo. Por conta dessa realidade, ele afirma que as torrentes de água acabam ganhando velocidade, sobretudo nas ruas asfaltadas, em que a água encontra menos resistência e ganha mais velocidade. "Chega arrancando o pavimento, causando destroços, e ganha muita força", diz. Com o processo de urbanização mais intenso e grandes áreas sendo ocupadas, a tendência é que a absorção de água no solo seja reduzida. Ou seja, o problema tende a se agravar, caso não haja solução.

O presidente do Itec explica que existem, na cidade de Juazeiro, apenas dois pontos de captação da água: a própria Lagoa Seca (na Apuc) e o Riacho da Timbaúba. "O assoreamento e a falta de cuidado, aliados a ligações clandestinas de esgoto e lixo, impedem o fluxo natural da água", conta. Ele ressalta, ainda, que, por conta do crescimento desorganizado do Município, há locais com menos área de absorção, e com isso, a água terá de ir para algum lugar.

"A tendência é que, a cada ano, essas cheias se tornem mais frequentes e piores", diz o engenheiro. Mesmo com as pequenas precipitações e cheias na cidade, ele diz que Deus tem sido generoso nesse ponto, já que mesmo a chuva sendo bem-vinda, em vários locais podem ser detectadas cheias, e de forma recorrente. Em bairros como o São José e Antônio Vieira, tem locais de constantes alagamentos, por falta de drenagem.

A solicitação do trabalho foi nas proximidades da Capela da Lagoa Seca, fazendo um contorno na área. São áreas que ficam bastante alagadas. O professor citou que viu até carros dentro de garagens totalmente fechadas com muro de alvenaria. Achei preocupante e não se gravou mais ainda porque as pessoas procuraram terrenos vagos, criaram valas artificiais e vem contornando. Se isso não acontecer, acaba derrubando as casas.

O professor Jefferson Marinho diz que o Município de Juazeiro do Norte é carente de drenagem em diversas localidades. Nos últimos anos, o bairro Lagoa Seca teve um crescimento, com o adensamento populacional. Ele destaca a atuação dos técnicos e o trabalho que a universidade vem ofertando para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e auxiliar na resolução de um problema que perdura por anos na cidade. (E.S.)

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