desequilíbrio ambiental

Meses secos favorecem queimadas

Incêndios florestais, como na Chapada do Araripe, se tornam mais frequentes neste período do ano

00:00 · 05.10.2014
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Incêndios florestais deixam as autoridades ambientais em alerta durante este período ( fotos: elizângela santos )
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Brigadistas retiram cobra jiboia, após incêndio na floresta. Os focos nas áreas de encosta da Chapada do Araripe se tornam comum em período seco, especialmente de setembro a novembro, antes da quadra chuvosa

Crato. Os meses de setembro a dezembro são considerados pelo Corpo de Bombeiros, o período mais crítico para o surgimento de focos de incêndios, por causa da estiagem. E, apesar de que neste ano os números são positivos, com a queda das ocorrências em relação aos anos anteriores, o comandante da Seção do Corpo de Bombeiros deste município, capitão Leoni Grangeiro, diz que é necessário ficar atento.

"Estamos tendo um ano bem atípico, sem um número elevado de ocorrências em vegetação. Nos últimos anos, o ano com maior incidência foi 2012. Tivemos um recorde em incêndios em vegetação pelo fato de ter sido um ano mais seco, com início da estiagem já no mês de maio. Neste ano, tivemos algumas ocorrências nos meses de agosto e setembro, mas tudo dentro da normalidade. Todas em torno do Crato, onde 99% dos nossos serviços estão concentrados", disse o capitão.

Até o mês de janeiro, a prática de queimadas se torna mais frequente nas áreas urbanas e encosta da Chapada do Araripe. Durante o mês de setembro foram registrados pelo Corpo de Bombeiros apenas 13 focos de incêndio na região, sendo todos de pequena proporção.

Monitoramento

Em todo o Estado do Ceará, em 2014 o Corpo de Bombeiros apagou até o mês de setembro 514 focos de incêndios em vegetação. O monitoramento das principais áreas de calor é feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

De setembro a novembro é o período mais crítico, explica Leoni, porque somente começa a chover, em dezembro. Com isso, as estatísticas até zeram, mas se não se iniciam chuvas no último mês do ano, segue o período crítico até as primeiras chuvas. "O maior número de ocorrências é mesmo setembro e outubro, mas este ano tivemos um setembro bem mais calmo", observou.

Desequilíbrio

Uma das maiores con-sequências das queimadas está relacionada à migração de animais silvestres. Eles buscam refúgio em outras áreas, que muitas vezes não são seu habitat natural, e isso segundo os especialistas provoca um desequilíbrio ambiental na Chapada do Araripe.

Atualmente, o grupamento do Corpo de Bombeiros no Crato tem uma equipe de 16 bombeiros para atender todas as ocorrências. As solicitações em sua totalidade partem de chamadas da população para o 193. "Eles informam onde está acontecendo o fogo e a nossa equipe se desloca até o local para fazer a extinção do incêndio imediatamente". Mas, segundo o comandante do Corpo de Bombeiros, as chamadas ainda são tardias e quando as equipes chegam ao local, o incêndio já está em proporções de grande intensidade.

"É interessante que esta informação chegue o mais breve possível, como também por ocasião de um pequeno foco de incêndio que se inicie em uma área de fácil acesso, a população pode até fazer o primeiro combate para evitar que ele atinja grandes proporções", disse.

Segundo ele, considerando que pode haver mais de uma ocorrência no mesmo instante como só há uma equipe, se esta já estiver em combate, vai demorar para chegar na outra situação de crise.

Prevenção

De acordo com o comandante, o Corpo de Bombeiros somente como instituição tem limitações para fazer prevenção em todos os locais, mas segundo ele existem órgãos como as Secretarias Municipais de Meio Ambiente, o Geopark, o ICMBio, que fazem trabalhos em conjunto conscientizando a comunidade.

A população deve ser o agente desta prevenção e evitar as queimadas. Temos muitos incêndios aqui, e estão relacionados com a ação das pessoas. Muitas vezes aquele lixo doméstico que a pessoa faz o acúmulo e promove uma fogueira, e isso sendo feito em um período quente, a partir das 10h, até às 16h, representa um risco. De repente daquela queima pode ser levado uma fagulha para uma vegetação seca com o vento e virar um grande incêndio, alerta.

Outra preocupação das autoridades é com incêndios às margens das rodovias, pois 99% desses incêndios ocorrem pela ação humana, seja intencional ou acidental, revela o comandante. "Diversos focos ocorrem às margens das estradas e acontecem de forma intencional e criminosa. Desse modo, há um outro complicador, pois existem ali pastagens para criação de animais, o que pode causar prejuízos naturais e financeiros".

Na floresta Nacional do Araripe ainda não ocorreu nenhum foco neste ano, mas nas proximidades, como no parque granjeiro já foram registradas ocorrências. Porém, foram apenas pequenos focos.

O Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) conta com uma brigada de incêndio na floresta com equipes distribuídas entre Crato e Barbalha, atuando na prevenção dos incêndios. Segundo o Corpo de Bombeiros, grande parte da queima de vegetação que acontece na Chapada do Araripe é provocada, geralmente, pela falta de cuidados dos agricultores que manuseiam o fogo.

As queimadas podem ocorrer de forma criminosa, intencional ou acidental. A maioria ainda acontece de forma acidental. Mas, há pessoas que insistem em jogar pontas de cigarro acesas próximo a vegetações e beiras de rodovias e estas podem representar grande perigo. De acordo com a Lei 9.605 de 1998, provocar incêndios de qualquer proporção pode configurar um crime contra o meio ambiente.

Mais informações:
Corpo de Bombeiros – Crato
Rua Maria Maíldes de Siqueira,
167
Bairro Pimenta
Telefone: (88) 3102.1253

Mirelly Morais
Colaboradora

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