Construção civil

Mercado imobiliário sofre com a crise econômica e entra em baixa

As vendas de imóveis, em 2014, já se mostra 20% inferior ao volume verificado no ano passado

00:00 · 23.11.2014
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O 'boom' da construção civil tem crescido por conta da demanda por moradia
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Construções verticais têm acontecido com maior frequência no município que também começa a receber investimentos em condomínios ( fotos: Elizângela Santos )

Juazeiro do Norte. Após passar por um período ascendente em termos de investimentos, o mercado imobiliário na região do Cariri, principalmente em Juazeiro do Norte, passa por uma queda nas vendas com tendência à estabilização, mas ainda otimista, mesmo com as incertezas em relação ao crescimento na economia para 2015.

Neste ano, segundo a coordenação do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) no Cariri, houve uma baixa nas vendas de imóveis em cerca de 20% em relação ao ano passado.

Com menor número de empregos e projetos ainda no papel, a expectativa de crescimento está nos próximos passos da economia. Esse segmento, na terra do Padre Cícero, experimentou nos últimos anos um "boom'" de mercado, mudando até as características de construção na cidade, tendendo para a verticalização das edificações.

Para a superintendente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) do Ceará, no Cariri, Patrícia Coelho, esse é um momento em que o empresário está esperançoso quanto às novas decisões políticas e econômicas, para poder realizar grandes investimentos, com maior segurança. Ela disse que, nos últimos anos, houve um grande crescimento no mercado da construção civil na região, tanto no setor público quanto no privado, mas a tendência foi haver uma estabilização maior.

Mulheres

Mesmo com a queda na empregabilidade, ainda é um dos setores que mais emprega na região, tanto que a crise na mão-de-obra para contratação de profissionais qualificados é sempre um dos problemas enfrentados pelos construtores. A própria empresária da Construtora Raimundo Coelho (CRC), Patrícia Coelho, disse que houve uma tentativa de capacitar mulheres para o mercado, no intuito de possibilitar mais trabalhadores no setor, mas muitas não continuaram, por ser um trabalho que envolve esforço físico maior.

Em Crato, uma das obras que mais tem empregado nos últimos meses, desde que começou em julho, foi a do programa Minha Casa, Minha Vida, com mais de 500 empregos diretos nas construções de dois grandes residenciais, com 1.578 moradias populares. Em janeiro de 2015, esse número poderá duplicar.

Para o coordenador do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) no Cariri, Fagner Canuto, houve uma espécie de freada no consumo de imóveis na região. Segundo ele, estava ocorrendo um ritmo acelerado em relação à compra de casas e uma crescente procura, sobretudo, por apartamentos.

Segundo o coordenador do Creci, além de a região ter atravessado um período de especulação em relação ao preço dos imóveis, o ano de 2014 foi considerado atípico, por conta de eleições e da Copa do Mundo. Para ele, era até algo previsto. "Estávamos num ritmo frenético de vendas. O consumidor decidiu frear um pouco o impulso", diz ele. A expectativa para o próximo ano está no aumento da oferta para o mercado de imóveis usados. Ele classifica apenas um pequeno crescimento neste ano, em virtude da queda nas vendas.

Loteamentos

Canuto destaca um aumento na compra de loteamentos, em virtude dos valores de entrada mais altos para compra das casas. Essa realidade acaba dando oportunidade aos clientes de investir aos poucos, podendo obter o terreno, com um menor valor de entrada e mais adiante poder construir o imóvel. "Para o comprador, a vantagem maior está em adquirir o terreno primeiro para investir depois na construção", explica.

Mesmo com todas as dificuldades encontradas durante este ano, o mercado para financiamentos imobiliários foi considerado aquecido. O cálculo acompanha investimentos de dois anos, com mais de R$ 1 bilhão em negócios firmados, segundo o gerente geral da Caixa Econômica Federal (CEF), agência de Juazeiro, Rildo Feitosa.

Com os bons resultados nas negociações, inclusive para prédios verticalizados, nos últimos anos o Cariri atraiu construtoras de outras localidades, principalmente da Capital do Estado, Fortaleza. Para Patrícia, esse momento de estabilização do mercado é uma parada estratégica para uma análise do momento em que vive o Brasil. "Na verdade, há uma tendência preventiva dos empresários para investir, mas com um certo otimismo para o próximo ano. O incorporador está mais criterioso", avalia.

Mais informações:
Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Cariri)
Avenida Leão Sampaio, S/N
Lagoa Seca
Telefone (88) 3571-2012

Elizângela Santos
Colaboradora

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