Atividade pioneira

Médico está produzindo cerveja artesanal no Crato

00:00 · 15.11.2015
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Médico há dez anos, Thiago é apaixonado pela Química e Biologia. Com isso, passou a produzir uma bebida com o sabor da sua preferência ( Foto: André Costa )

Crato. Durante a semana, o médico Thiago Leal, veste o jaleco branco e dedica seu tempo ao tratamento dos seus pacientes. A escolha da profissão surgiu ainda na 8ª série, por afinidade com as matérias de Biologia e Química e por sentir afinidade com as atribuições do ofício. No entanto, nos fins de semana em que está de folga, saem de cena o jaleco e os equipamentos médicos, que o acompanham há dez anos, e outra paixão consome o tempo do juazeirense hoje erradicado no município do Crato.

Paixão nacional, assim como o futebol, a cerveja, sobretudo a artesanal, está na moda e a cada dia surgem novidades e novos adeptos da fabricação caseira. O sabor diferenciado das cervejas artesanais tem fisgado boa fatia dos consumidores.

Thiago conta que a ideia de produzir sua própria bebida surgiu há cerca de três anos, em contato com amigos de trabalho que o apresentaram à cerveja de produção própria. Leal revela que o gosto da bebida era diferente de todas as outras já experimentadas. "Muito melhor em comparação com as grandes marcas do mercado e até melhor que outras cervejas de produções artesanais. Aquilo foi um marco para mim", conta.

A partir de então, o médico passou seis meses estudando sobre a produção de uma das bebidas mais consumidas no Brasil e no mundo. "Pesquisei na Internet, assisti vídeo-aulas, li artigos e livros especializados, busquei conhecimento", relata. O próximo passo foi comprar acessórios e insumos necessários para a primeira empreitada. Thiago desembolsou inicialmente cerca de R$ 1.500, que contemplam diversos equipamentos, e mais R$ 5 a R$ 10 de insumos por litro produzido. Conhecimento e materiais adquiridos, era hora de mergulhar nos maltes e tonéis. A fabricação dos primeiros 20 litros durou 24 dias até ficar apta para consumo e, segundo ele, "deu muito trabalho".

"O princípio da produção se dá com a trituração dos grãos de malte com um moinho manual. Em uma panela de 32 litros fervo 25 litros de água mineral a 72 graus e adiciono o malte e controlo a temperatura entre 67 e 69 graus com um termômetro culinário por cerca de 1h a 1h30", detalha. Após essa fase, "é feita a reconciliação do mostro (líquido extraído do malte) por cerca de 15 a 30 minutos. Passamos esse mostro para outra panela limpa e iniciamos a fervura por cerca de 70 minutos, adicionando o lúpulo em vários momentos, com funções distintas". Ao terminar a fervura, o mostro é resfriado com chiller até atingir uma temperatura abaixo de 30 graus e, em seguida, é inoculada a levedura de cerveja. Terminado o processo, a bebida é lacrada em um balde alimentício, por uma semana, para fermentar e mais dez dias para maturar.

O médico conta que o próximo lote já está em produção, desta vez, com a tutoria de um professor de fabricação de cerveja residente em Fortaleza. "A intenção de trabalhar em parceira com um profissional da área é de melhorar o resultado final que já no primeiro lote ficou bem acima das expectativas, alcançando um bom sabor, carbonatação aceitável, corpo médio e baixo teor alcoólico", pondera.

O diferencial da próxima bebida será o sabor. Após fabricar a "Leal APA", aposta agora na "Weissbeer", a cerveja de Trigo. "Existem inúmeras possibilidades de sabores. Adquiri um livro específico contendo vários deles", conclui. Apesar do pioneirismo e da boa receptividade com os primeiros litros, Leal ressalta que "a produção é para consumo, principalmente para confraternizar entre amigos", finaliza.

Cuidados

A coordenadora da Vigilância Sanitária do Crato, Arlene Andrade, ressalta que algumas medidas devem ser adotadas para manter a higienização da bebida. "Deve-se ter muito cuidado com o processo de fabricação, a higiene é absolutamente crucial. Na menor falha, bactérias e fungos irão dar gosto ruim à cerveja, além de poderem causar dano à saúde", explica. Arlene lembra, no entanto, que "aqueles que querem comercializar a bebida devem, além de adotar medidas de higienização, se adequar às normas que incidem sobre os setores formais das grandes indústrias brasileiras de cervejas".

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