Arte mambembe

Mamulengos alegram Nova Olinda

O espetáculo Janeiros inicia temporada pelo Cariri, revelando talentos que circulam por todo o País

00:00 · 24.01.2016
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As apresentações no Ceará trazem uma formação diferenciada do grupo, com os irmãos Gomide. Por onde tem passado, a graciosidade e a profundidade dos artistas comovem o público ( Fotos: Samuel Macedo )
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No teatro de bonecos, Janeiros é um personagem que faz uma alegoria do tempo. Com os seus movimentos para cima e para baixo, leva a mensagem do ciclo do tempo de forma que cativa os adultos e, principalmente, as crianças

Nova Olinda. Por mais de um ano, o espetáculo foi trabalhado para estrear no Ceará, com três apresentações neste fim de semana, no Teatro Violeta Arraes, nesta cidade. Janeiros estreia com a família de artistas da Companhia Carroça de Mamulengos. O projeto traz a direção de atores mineiros, trupe de artistas que tem viajado o Brasil, há quase quatro décadas, para levar e difundir a arte do teatro mambembe.

O trabalho conta com a direção do ator Rodolfo Vaz, que foi da companhia mineira Galpão, e a atriz Fernanda Viana, que faz parte da Cia. É uma das mais importantes do Brasil e referência. Trabalha com o teatro de rua, e foi, conforme a atriz Maria Gomide, bem enriquecedor ter esses dois artistas na construção do novo trabalho, para esse momento. Os bonecos foram elaborados pelo criador da Cia. Carroça de Mamulengos, Carlos Gomide, o patriarca da trupe de artistas. O irmão de Maria, Antônio Gomide, também esteve na construção de cenas lúdicas.

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Parceiros

O espetáculo foi construído dentro de uma parceria, que traz um tempo novo, com quatro irmãos em cena, sem a presença dos pais dos artistas, que praticamente nasceram no palco. João, Isabel, Luzia e a Maria Gomide, com a sua filha Ana. Conta a história de quatro irmãos que estão desistindo do que fazem da vida, e vão em busca de um passado. Eles encontram uma velha senhora, que domou o tempo e plantou na terra uma semente de presente para o homem. "Ao mergulhar nessa história mitológica, eles redescobrem o sentido da existência dos quatro irmãos", explica.

O espetáculo foi apresentado em Minas Gerais, com patrocínio da Petrobras, e foi realizado um circuito de dez apresentações. Eles ainda pretendem percorrer Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. O trabalho consistiu de oito meses de ensaios.

Amadurecimento

Todos caminharam e foram amadurecendo e, ao mesmo tempo, se fortalecendo com os personagens. "Acredito que esse espetáculo é um divisor de águas para o Carroça. Nesse sentido, enfrentamos essa realidade. A gente aponta um caminho de sustentabilidade de Companhia, quebrando uma certa expectativa que o público tem de que será sempre uma grande família em cena", explica.

A Companhia conta com 12 pessoas, mas o grupo para esse espetáculo reúne cinco artistas e representa muito bem o grande elenco em cena. "O Carroça hoje está prestes a completar 40 anos e, nessa reflexão, de buscar planejar uma continuidade por mais tantas décadas e a resposta que a gente encontra é o fortalecimento nas individualidades, para ter um coletivo mais forte", diz Maria.

O nome Janeiros, segundo a atriz, é um abre-alas, por falar de tempo, início e presente. O personagem que dá nome ao espetáculo é inspirado no mamulengo que se chama Janeiro. Ele tem uma articulação de cabeça que sobe e desce, dando o tom dos movimentos do tempo, de janeiros que vão e vêm, e o mundo na roda. O nome está no plural para dar exatamente essa noção de movimento.

Será uma única temporada na região, com as três apresentações. Na sexta e sábado aconteceu às 19 horas, e hoje, às 18 horas. Na direção do espetáculo, além de Rodolfo Vaz, está Wanda Sgarde e Beto Lemos, que faz a direção musical. O espetáculo tem uma hora de apresentação.

Estadia

O grupo irá permanecer por mais um mês no Ceará, para realizar apresentações por meio do Projeto São José, um circuito que será realizado pela Cia., com a parceria com o governo do Estado. Eles serão monitores, atuando na plataforma artística do projeto.

As apresentações acontecem em fevereiro, com um circuito por 14 territórios, onde será exposto o projeto de desenvolvimento regional, o São José, com financiamento do Banco Mundial. Será levado ao público o conteúdo, como forma de mostrar o espetáculo como instrumento pedagógico de formação dos colegiados na percepção do que é arte, para que sejam remetidas propostas.

Serão apresentações em Fortaleza e uma em cada território. O Cariri será um dos beneficiados. O projeto organiza, a partir dos territórios, um plano de desenvolvimento e cada um deles podem apresentar dez projetos, ligados a temas como mulher, esporte, economia solidária e agricultura familiar.

O recurso é de mais de um R$ 1 milhão para cada um desses territórios. Está sendo feito um trabalho de mobilização para formar grupos, com os diversos segmentos da sociedade.

São quase três anos de mobilização, para que possam apresentar os projetos por territórios e conseguirem os financiamentos. A arte será utilizada como uma ferramenta metodológica. Ainda não foi definido onde acontecerá a apresentação no Cariri. (E.S.)

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