Barbalha

Lixão traz danos à saúde de morador da zona urbana

O manejo inadequado do destino final dos resíduos é ocasionado principalmente pela queima de produtos

00:00 · 04.10.2015
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A combustão vem ocorrendo a cada 15 dias. Os garis afirmam que o procedimento é para evitar que os resíduos, por conta da grande quantidade, ultrapassem os limites do portão, que até a semana passada estava quebrado ( Fotos: Elizângela Santos )

Barbalha. A queima do lixão neste município, a menos de 800 metros da área urbana da cidade, e próxima a hospitais de referência na região, é uma preocupação há mais de uma década para ambientalistas e moradores. Muitas pessoas reclamam de problemas respiratórios e culpam a fumaça tóxica que estão tendo que respirar.

>Falta de aterro sanitário tem reflexos no meio ambiente

Pelo menos 20 catadores estão atuando no local, sem uso de material para proteção pessoal. A cada dia são depositados no espaço cerca de 60 toneladas de lixo, com duas carradas diárias de três caminhões compactadores de pelo menos 8 toneladas e mais duas de carga comum, com cerca de 6 mil quilos.

As condições precárias do próprio local denunciam uma realidade que há muitos anos vem sendo assunto polêmico na cidade. Com um espaço pequeno para o acúmulo de tanto entulho, os próprios catadores admitem que têm que ser queimado, para não sair para a parte externa do muro. O local esteve sem vigilante por alguns dias e o portão estava precisando de conserto.

Segundo a secretária de Meio Ambiente, Poliana Coimbra, na última sexta-feira foi providenciado um guarda para o local e o portão, consertado. A secretária admite a precariedade, mas diz que existe uma alternativa que está sendo trabalhada, por meio da administração, com projeto de um aterro sanitário. As discussões que havia em torno de um aterro consorciado na região acabaram consumindo um bom tempo e até hoje não se tem ao certo uma projeção do que poderá ser feito com esses espaços irregulares.

Materiais

A combustão tem sido a razão para a emissão da fumaça, conforme a secretária. Segundo os catadores, pelo menos de 15 em 15 dias, principalmente aos domingos, tem que ser queimada parte do material.

Outra questão que pôde ser facilmente constatada é que os próprios garis que descarregam os caminhões sequer usam material de segurança.

O geógrafo e ambientalista de Barbalha, professor Josier Ferreira Silva, registrou, no último dia 27 de setembro um dos momentos da queima do lixão. A fumaça preta e altamente tóxica, segundo ele, por décadas, está sendo inalada pela população local, causando danos irreversíveis à saúde. Ele confirma a versão do próprio catador, que não quis se identificar, da queima do material. "Isso é vergonhoso para um Município, que se reivindica como destaque na área da saúde. É um absurdo ver um povo condenado à morte pelas mãos da incompetência e da insensibilidade dos gestores", afirma.

Transtornos

Por outro lado, o chorume pode também estar provocando as queimas de forma involuntária. Como é período de estiagem, as queimadas se tornam mais frequentes. "É o tempo que a gente mais sofre por aqui", diz a agricultora Maria das Dores Apolinário, moradora da Vila Santo Antônio, localidade urbana mais próxima do lixão da cidade de Barbalha.

Conforme observa Maria das Dores, são 35 anos morando no local e sua filha, de 18 anos, sempre tinha problemas respiratórios até o tempo em que residia no local. "Agora casou e não mora mais aqui. Está bem", afirma. A agricultora tem mais três sobrinhos que são deficientes e sofrem com a situação.

Já o operário Luciano dos Santos, afirma que mesmo não sendo muito intensa e diária, a fumaça acaba prejudicando todas as pessoas, e até mesmo a cidade, que não pode ter um lixão funcionando praticamente dentro do corredor urbano.

"Na verdade, tem que ser retirado daquele local. A população sempre pediu para ser tomada providência", diz Luciano. Ele lembra da fábrica de cimento ao lado, que já poluiu bem mais, antes dos investimentos em tecnologia. Um dos bairros mais prejudicados com a queima do entulho é o Santo Antônio, também um dos mais populosos da cidade. Não fosse uma barreira, daria para ver o lixão de dentro da cidade.

Hospital

Não bastassem todo o desconforto causado aos moradores da área urbana do município, o lixão fica a menos de um quilômetro do Hospital Santo Antônio, referência na região na área de neurocirurgia, e está à beira da CE-060 e de um riacho, afluente do Rio Salamanca.

Nesse caso, o mal-estar gerado pelos resíduos e a combustão do lixo se somam em tornar a comunidade ainda mais vulnerável às doenças. (E.S.)

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