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Jovem fala de violência contra crianças na ONU

Maria Antônia foi uma das representantes de 10 países para falar a embaixadores sobre dramas da infância

22:00 · 18.04.2015 / atualizado às 00:00 · 19.04.2015
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Maria Antônia falou de sua experiência pessoal e da superação de suas dificuldades ( Fotos: Divulgação )
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Durante a audiência na sede da ONU, em Nova York, a estudante cratense esteve acompanhada de outros representantes de 10 países convidados para o evento

Crato. Estar na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, foi uma conquista que jamais a estudante cratense, Maria Antônia Furtado Ferreira, imaginava acontecer em sua vida. No final do mês de março, ela esteve nos Estados Unidos para falar aos embaixadores de vários países, representando 10 nações mundiais, incluindo o Brasil, sobre "O combate à violência contra crianças". A aluna deu testemunho de momentos de sua vida pessoal para falar de uma realidade ainda vivenciada no Brasil.

Os 10 países participantes da consulta sobre a agenda de desenvolvimento do milênio pós-2015 envolvem um processo de participação que a ONU está planejando, adequada ao jovem. "Deixou de ser um momento formal para se tornar uma linguagem mais própria dos jovens", explica. Antes de seguir viagem para os EUA, ela se reuniu em rodas de conversas com outros jovens da entidade para debater a violência e relatar as suas vivências. As experiências compartilhadas, conforme a estudante, serviram de base para detalhar um pouco dessa realidade do Brasil.

Maria está entre tantas outras que nasceu em uma área da periferia do Crato. Da Comunidade do Gesso, no bairro Pinto Madeira, passou a integrar o projeto da Sociedade de Apoio à Família Carente (Soafamc), no Município, desde os 6 anos de idade. A entidade conta com 700 integrantes, entre crianças e adolescentes, com apadrinhamentos nacional e internacional. No local são desenvolvidos diversos projetos. O leque de oportunidades tem sido muito bem aproveitado pela jovem, que teve o seu perfil avaliado, entre dezenas de jovens brasileiros, para seguir rumo ao território norte-americano. "Momento que tive a oportunidade de representar o meu País e isso me deixa muito feliz e considero um marco em minha vida", diz a adolescente, hoje com 14 anos. A desenvoltura nas palavras e os projetos que pretende dar segmento em sua vida têm um olhar seguramente voltado para o social. Ela quer fazer enfermagem e pretende se especializar na área de oncologia. Ao retornar para o Brasil, há pouco mais de duas semanas, inicia palestras com jovens de comunidades do Crato, replicando a sua experiência. A primeira delas aconteceu no distrito de Ponta da Serra.

Trajétoria

O projeto de fotografia participativa "Olhares em Foco", no qual Maria Antônia atuou, no interior do Pernambuco, foi decisivo para que fosse uma das jovens selecionadas. Um olhar moldado pela trajetória da adolescente no projeto, deu credenciais suficientes para que ela fornecesse, sob o seu olhar crítico, dados da realidade brasileira. "Eu posso dizer que vi momentos em que crianças eram vítimas de violência por parte dos adultos, tanto verbal como física", afirma.

A estudante não está distante dessa realidade por ter vivido na infância momentos conturbados dentro do próprio lar. "Mesmo assim, procurei oportunidades e isso fez com que situações difíceis fossem superadas", diz ela. Durante a reunião na ONU, a representante do Brasil também falou da violência sexual sofrida por crianças no Brasil e da falta de cumprimento ao que determina Estatuto da Criança e do Adolescente.

Para a gestora educacional, Socorro Brito Ferreira, a sociedade deu a oportunidade e a adolescente soube abraçar. Diante das condições de vida que ela tinha, quando chegou na instituição, conforme e gestora, Maria Antônia poderia ter tudo para não dar certo e não obter os êxitos que vem conquistando em sua vida. Ela e tantos outros, na verdade, conforme Socorro, estão obtendo vitória. "Esse é um motivo para que outros jovens tenham esperança para buscar, por meio das oportunidades que estão tendo acesso", diz ela.

A menina tímida que teve dificuldades nos seus primeiros momentos, e que entrou para o projeto depois de participar de uma peça de teatro, recentemente foi desapadrinhada e agora preencheu um cadastro e está à espera de um novo padrinho. Ele afirma que chegou ao local por meio da irmã, que havia entrado antes. "Fiquei no lugar de uma personagem numa peça e tive a oportunidade de conhecer mais o projeto, com o teatro, coral, e desde então venho participando", diz ela. Sua mãe, Maria de Jesus, também trabalha no mesmo local.

Conforme Maria Antônia, todos os embaixadores ouviram atentamente as apresentações dos jovens e destacaram a viabilidade de apoio para reduzir os quadros de violência. Cada um deles falou sobre situações peculiares às suas nações quanto à problemática. "Sempre tem algo que acontece da mesma forma em vários países e uma opinião pode servir para todos", destaca.

A agenda de desenvolvimento do milênio será fechada até setembro deste ano e estará sendo voltada para auxiliar os países com ações a serem desenvolvidas até 2015. "Nunca pensei em chegar tão longe", disse a estudante. E.S

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