Transnordestina

Instituições vão inspecionar ferrovia

Equipes técnicas do Cariri são instruídas por arqueólogos para monitorar 500 quilômetros da obra

00:00 · 17.01.2016
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Especialistas acompanharão a obra ainda neste primeiro semestre ( fotos: Elizângela Santos )
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O projeto vem sendo trabalhado e articulado desde o ano de 2015, envolvendo a Universidade Regional do Cariri (Urca) e a Transnordestina, e conta com a coordenação, pela Urca, da professora Otonite Cortez

Crato. Instituições do Cariri realizarão trabalho técnico em mais de 500 quilômetros das obras da Ferrovia Transnordestina. O trabalho será realizado a partir deste primeiro semestre. Nos últimos dias 14 e 15 foi realizado curso de preparação técnica, ministrado por arqueólogos, para atuar no projeto, a partir de Missão Velha.

O objetivo é formar a equipe que fará os trabalhos de monitoramento arqueológico nos trechos Missão Velha/Porto do Pecém (CE) e Eliseu Martins/Trindade (PI), dentro do Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico da Ferrovia Transnordestina - Etapa 3 Monitoramento, Resgate e Educação Patrimonial Trechos Eliseu Martins - PI e Missão Velha/Porto do Pecém - CE.

A Universidade Regional do Cariri (Urca), com suporte da Fundação de Desenvolvimento Tecnológico do Cariri (Fundetec), e a Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, entra com aporte técnico. O projeto vem sendo trabalhado e articulado, segundo o reitor da Urca, professor Patrício Melo, desde o ano de 2015, pela Reitoria e a empresa Transnordestina S/A, e conta com a coordenação, pela Universidade, da professora Otonite Cortez.

Parceria

Foi realizado um processo de seleção, para que a Universidade entrasse no projeto, com um suporte técnico da própria região. Ele destaca a parceria já existente, por meio de convênio, com a Fundação Casa Grande, para esse trabalho. Em dezembro, foi criado o Instituto de Arqueologia do Cariri, da Urca com a Casa Grande, no intuito de fortalecer os estudos na área. A entidade é atualmente importante espaço de salvaguarda e estudo da Arqueologia na Região.

O projeto, aprovado em outubro do ano passado, contará com execução financeira da Fundetec. "No primeiro momento, a Casa Grande foi inserida nesse trabalho para desenvolver a parte técnica dos achados arqueológicos", diz o reitor.

Também poderão ser encontrados fósseis na área de incidência das atividades da Transnordestina. Com isso, conforme Patrício Melo, a Urca entra, do ponto de vista institucional, num trabalho de pesquisa em Arqueologia, o que vem fortalecer a educação patrimonial na região.

Acervo

No ano passado, foi realizada reunião com o representante da Gerência Operacional de Meio Ambiente da Transnordestina e a Urca, sobre a parceria da Universidade com a empresa para acolhimento, proteção e exposição do acervo arqueológico coletado durante a obra da ferrovia, no trecho entre o Ceará e Pernambuco, composto por mais de 50 mil peças, doado pela Zanettini Arqueologia, que realizou trabalho arqueológico no âmbito do licenciamento da Ferrovia Transnordestina.

O material entregue à Urca será utilizado em exposição. O Município de Missão Velha contará com o Marco Zero da Transnordestina. Também terá um laboratório para receber todo o acervo técnico. A equipe de trabalho será composta de sete arqueólogos, além de doutores e mestres na área.

A coordenação científica ficará a cargo da doutora em Arqueologia Rosiane Limaverde, com coordenação de Campo dos Mestres, Lília Geudes e Agnelo Queirós, além de oito técnicos.

Ocupação

O projeto tem como objetivo, segundo Rosiane, produzir conhecimento sobre a pré-história e história da ocupação humana na região do Nordeste do Brasil, desde seus primórdios até o impacto do colonizador europeu e suas influências culturais dos períodos colonial e imperial, com a consequente desestruturação socioeconômica, política e cultural das sociedades indígenas. Assim, evita-se que o empreendimento destrua bens constituintes do patrimônio arqueológico nacional.

Também serão realizadas ações de resgate e monitoramento arqueológico e de Educação Patrimonial nos trechos Eliseu Martins e Trindade (EMT), no Piauí, Missão Velha e Pecém (MVP), no Ceará, no âmbito do Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico da Ferrovia Transnordestina, promovendo a salvaguarda do patrimônio.

Preservação

Outros possíveis impactos desse empreendimento frente ao patrimônio da área em questão serão avaliados pelos técnicos. Além disso, serão propostas medidas que visem a preservação do material encontrado.

O material a ser exposto na região estará reunido em um projeto que visa à Educação Ambiental e Patrimonial. Serão destinados recursos para adequar os espaços da Universidade, no intuito de montar a exposição e receber os alunos. Em Missão Velha, conforme o reitor, foi doado prédio pela Prefeitura, dentro do Parque de Eventos, onde será montado o laboratório para receber o acervo técnico. As peças coletadas nesta etapa de trabalho também serão repassadas para a Universidade. 

Mais informações:

Fundação de Desenvolvimento Tecnológico do Cariri (Fundetec)

Rua Teófilo Siqueira, 734

Centro - Crato

Telefones: 3523-2066/3523-2075

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