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Hospital mental no Crato ameaça fechar suas portas

Na pior crise da sua história, unidade hospitalar reconhece que não há como aceitar internamentos

00:00 · 31.05.2015
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Na recepção, há uma rotina diária de familiares em busca de vagas para internações ( foto: elizângela santos )

Crato. Após sucessivos anos de crise e ameaças de fechar as portas, a Casa de Saúde Santa Teresa, em Crato, está prestes a iniciar o processo de fechamento do hospital, que culminará em março do próximo ano, pela escassez de recursos para se manter. Com uma média de R$ 42, 00 por diária de paciente, o hospital psiquiátrico se encontra com 200 pessoas internadas e é referência para todos os municípios do Cariri e cidades do interior dos estados de Pernambuco, Piauí e Paraíba.

Esse valor, conforme a direção do hospital, não tem sido suficiente para manter os custos da instituição há vários anos, por não ter sido sequer corrigido. Ao longo de mais de 10 anos, o local vinha lutando para se adaptar à Lei da Reforma Psiquiátrica. Enquanto isso, famílias ficam atônitas com a possibilidade de fechamento, sem ter ideia do que fazer com pessoas que sofrem de distúrbios mentais em suas famílias, principalmente aqueles que são mais agressivos.

Uma das diretoras da casa de saúde, Ana Isabel Barreto Machado Dias, afirma que desde a reforma psiquiátrica o hospital vem buscando se adequar, inserindo a humanização do tratamento. São cerca de 45 anos de serviços, mas não há auxílio governamental além dos credenciamentos, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

O hospital é atualmente um dos únicos a atender no interior do Nordeste, já que desde a reforma poucos permaneceram abertos. Ela também atribui o fechamento dos equipamentos à visão governamental em que se acredita que o problema da psiquiatria seja resolvido com a redução na quantidade de leitos, e os encaminhamentos para os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e clínicas. "Infelizmente, com mais de 15 anos que foram criados os Caps, a demanda continua a mesma ou até mesmo maior", avalia.

Encaminhamento

A internação no Santa Teresa é integral e quando o paciente está em crise nos Caps é encaminhado para o local. A diretora tem questionado para onde serão levados esses pacientes. Não há, na verdade, segundo ela, outro lugar que realize o tratamento. Os pacientes do Santa Tereza são aqueles que dependem unicamente do governo. Há casos em pacientes chegam ao hospital em carros da polícia, porque a própria sociedade não sabe lidar com a problemática da pessoa com transtorno mental.

São mais de oito anos sem aumento nas diárias. A direção do hospital, com os atrasos dos repasses federais, afirma que fica dependendo dos empréstimos bancários, para não atrasar o pagamento dos funcionários. O quadro foi reduzido, com a necessidade de enxugamento ao máximo a folha. "Chega uma hora que o próprio teto financeiro do que é repassado pelo Ministério da Saúde atrasa e ficamos de mãos atadas, sem conseguir manter o hospital", diz ela.

As despesas diárias de um paciente equivalem a cinco refeições, assistência médica psiquiátrica, clínica de psicologia, assistente social, terapeuta ocupacional, corpo de enfermagem e medicação. "Na verdade, com apenas R$ 42,00 por dia não dá para manter um paciente, com todas essas assistências", lamenta. Mesmo recorrendo ao Estado já uma vez, ela afirma que não obteve esperança em relação a um auxílio para os serviços. Ano passado, chegou a conseguir isenção de impostos municipais, no valor de quase R$ 8 mil, que ajudou nas despesas. Este ano, o repasse do mês de março foi recebido em maio. 

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