A vida pessoal

História é marcada pela compaixão

Mauro Sampaio pensou em ser militar, mas enveredou pela Medicina e se tornou uma liderança política

00:00 · 18.10.2015
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A paixão pela carreira militar durou até a infância. Ele tornou-se cirurgião ( Foto: Arquivo Familiar )
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O carisma e a identificação com os mais pobres fizeram com que tomasse posições políticas, sendo contemporâneo dos irmãos Adauto e Humberto Bezerra

Juazeiro do Norte. "Nasci para Coisas maiores". Esta frase de Santo Estanislau, bordada em peças do enxoval do bebê José Mauro Castello Branco Sampaio, vinha acompanhada das palavras de dona Odorina, sua mãe, e dizia: "Corre em tradição muito antiga e afirma João Paulo Richter, serem destinados a grandes coisas os homens nascidos no domingo".

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Coincidência, ou não, ele veio no rumo do que se anunciava. Era o médico que trazia em sua bagagem, desde o Rio de Janeiro, a determinação pela mudança. Nem ele mesmo presumia o que a história, em parte prevista até pelo Padre Cícero, preparava. A grande paixão de sua vida foi a Medicina. Exerceu mesmo durante os tempos em que administrava Juazeiro do Norte.

Criança

Quando criança, o pequeno Mauro, com menos de 10 anos de idade, visitava a casa do Padre Cícero. O pai, Leão Sampaio, era médico e, vez por, outra ia à residência do sacerdote para consultá-lo. Numa dessas visitas, o pequeno chegou ao local vestido de militar e com quepe. A farda foi confeccionada por sua mãe. Os trajes revelavam o sonho, que naquele momento era visualizado pelo padre. Ele perguntou à criança o que queria ser quando crescesse, e a resposta veio em cima da farda: militar. Mas o Padre Cícero deixou bem claro ao menino que ele iria mesmo era ser médico e viria morar em Juazeiro do Norte, para cuidar da saúde dos pobres do lugar. Esse fato está descrito na página 252 do livro do Padre Azarias Sobreira, em que fala também do interesse do menino, pelas aves do Padre Cícero.

Escolha

Segundo Jacqueline Sampaio, ao ir morar no Rio de Janeiro, e prestar concurso, havia duas profissões naquele momento que dividiam o jovem estudante. Uma era engenharia, a já escolhida. Mas, de repente, ele decidiu se inscrever em dois concursos, incluindo medicina. Praticamente no horário do concurso, ele decidiu que iria fazer o teste para seguir a carreira médica.

A Beata Mocinha, que sempre esteve ao lado Padre Cícero, continuou a repetir a predestinação do menino. Dessa vez, para a própria criança, que sequer lembrava do que foi dito em sua presença, pelo religioso, quando Mauro dava os seus primeiros passos em direção à carreira militar tão sonhada, e que não deu certo. Em 1936, quando o Congresso Nacional foi dissolvido, o pai, Leão Sampaio, voltou para a Juazeiro, e a Beata Mocinha estava com erisipela na perna. Precisava fazer curativos todos os dias e Leão Sampaio trouxe a religiosa para sua casa, onde permaneceu por três meses. "Quando papai vestia a farda, ela dizia que ele não iria ser militar, e sim médico, confirmando o que o 'Padim' disse", ressalta.

Casamento

O retorno para o Cariri, segundo a filha do médico e líder político, Jacqueline Sampaio, aconteceu por motivos que ela relaciona primeiro com o casamento, já que a sua mãe, Dayse Sampaio, era da região e queria permanecer no Cariri. Ele tinha emprego público federal, do Ministério da Saúde, e veio direto para a terra do Padre Cícero, onde era diretor de um posto de saúde.

A filha é uma de suas grandes admiradoras e não hesita em dizer que o médico era um cirurgião de "mão cheia". "Ele veio para uma campanha do meu avô e quando chegou aqui conheceu a minha mãe. Veio para cá, por causa do casamento. Ele já era concursado, e os dois ficaram um tempo no RJ, enquanto tentava se transferir para cá", explica. Mauro Sampaio chegou a trabalhar no hospital, que durante a sua segunda gestão adquiriu para o Município, o São Lucas. Nessa época as pessoas tinham muita resistência a hospital e ele, aos poucos, foi levando os pacientes para o ambiente hospitalar. "Um trabalho que não foi fácil, no fim da década de 1950", admite.

A carreira pública veio de forma natural, como ele mesmo avaliava. Conforme a filha, o líder se dedicava às pessoas e não cobrava nada. Vieram os inúmeros pedidos para se tornar candidato. Uma forma de todos retribuírem o que ele havia feito.

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