Debate regional

História do cangaço é tema de bienal

Ao todo, foram 11 edições, em vários Estados nordestinos. Desta vez, acontece na Paraíba

00:00 · 08.03.2015
Image-0-Artigo-1810590-1
A ideia é resgatar fatos de cada lugar, onde se criou histórias, entre mitos e verdades
Image-1-Artigo-1810590-1
Personalidades, como Corisco e Dadá, são emblemáticas no cangaço pesquisado, em que seus personagens misturam lendas com realidades

Crato. Um evento que já passou por 11 edições e está presente em vários Estados do Nordeste, será realizado, do dia 19 a 21 de março, na cidade de São José de Princesa, na Paraíba. O Cariri Cangaço acontece em forma de bienal no Cariri cearense, e, neste ano, será em setembro, com tema a ser debatido para definição durante encontro com dezenas de pesquisadores, a ser realizado ainda neste mês.

Segundo o idealizador e curador, Manoel Severo, o Cariri Cangaço já passou por sete eventos extras e quatro principais. Ele afirma que, durante esse período de realização, se criou uma grande rede de fomento. "Em cada Estado do Nordeste, criamos pequenos grupos, que estão aprofundando essas pesquisas em cada localidade", afirma.

A ideia é resgatar a história de cada lugar relacionada ao tema e recontar esse momento com maior fidedignidade. No caso de São José de Princesa, serão enfocadas questões que envolvem personalidades que se tornaram polêmicas e controversas por muitos anos. Os temas são instigantes a cada encontro. Durante o que acontecerá neste mês, será tratado o caso relacionado a Marcolino Pereira Diniz, filho do poderoso coronel Marçal Florentino Diniz. Haverá palestra também sobre os 100 anos do cangaceiro Antônio Silvino.

O pesquisador Romero Cardoso destaca o momento em que esse episódio se tornou marcante na história, e com diversas questões a serem abordadas e debatidas durante o encontro, quando ocorreram os festejos do Réveillon do ano de 1923, em Triunfo (PE).

Uma discussão envolvendo Marcolino Pereira Diniz e o magistrado local, Ulisses Wanderley, resultou em tragédia. Marcolino era filho do poderoso coronel Marçal Florentino Diniz, também sobrinho e cunhado do coronel José Pereira Lima, chefe político de Princesa. Ele alvejou o juiz, seguindo-se ainda disparo efetuado por homem da confiança do caboclo Marcolino, conhecido por Tocha. O magistrado ainda conseguiu reagir, atirando em Marcolino.

Nesse episódio, que entrará em debate a partir da próxima semana, Severo afirma que é impressionante o grande número de familiares, netos e bisnetos descobertos por meio de toda a rede que se envolve nas discussões em torno do assunto. São pessoas vindas de vários Estados do Brasil para participar. Ele afirma que somente em São José de Princesa, já poderá contar com representantes de cerca de 30 municípios presentes.

O curador destaca a grande integração entre o universo de pesquisadores, pessoas apaixonadas pelos temas nordestinos, que não estão voltadas somente para o cangaço, mas o coronelismo e outros temas. Manoel Severo afirma que o ponto alto a ser trabalhado no encontro será a força do coronelismo, interferindo e sendo grandes personagens da revolução de 1930, a partir de Princesa.

A temática para setembro, conforme o coordenador, será escolhida a partir de uma reunião dos integrantes do conselho do Cariri Cangaço. Com isso, serão atribuídas as participações de município do Cariri com palestras relacionadas a cada localidade. Neste ano, uma das cidades a ser inserida no evento é Brejo Santo.

Legado

Para Manoel Severo, com a própria dinâmica dos trabalhos ao longo do ano, não deu ainda para ser avaliado o legado das edições de cada Cariri Cangaço, com publicações a exemplo dos anais. "Mas a grande contribuição tem sido a de suscitar discussões sobre esse passado, muitas vezes estigmatizado, em função da temática cangaço que, por si só, já carrega um preconceito absurdo", avalia.

De acordo com o curador, a partir de fóruns como esse se forma uma ideia do que representou o cangaço, o coronelismo, o misticismo, que se traduzem como fanatismo para muitas pessoas. Os novos públicos vão ter a oportunidade, segundo ele, de ter um novo olhar.

Há uma perspectiva de trabalhar um material didático, como forma de divulgar a história, e se espera conseguir avanços nesse sentido ainda neste ano. Ele destaca que essa integração que deriva das coisas do cangaço proporcione uma movimentação para promover a arte, o folclore e um fluxo maior de pessoas para um turismo de conhecimento. "Isso acaba se consolidando e possibilitando um turismo qualificado para os município". (E. S.)

FIQUE POR DENTRO

Evento faz parte da agenda cultural da região

O Cariri Cangaço é um evento de cunho turístico-cultural e histórico-científico. No evento se reúnem os maiores pesquisadores e historiadores das temáticas relacionadas ao cangaço, coronelismo, misticismo e correlatos ao Sertão e ao Nordeste brasileiro. O evento principal acontece sob forma de bienal, tendo o mês de setembro deste ano como cidades anfitriãs Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha, Aurora, Barro e Porteiras.

Com um formato específico e de caráter itinerante, reúne, a partir de uma programação plural e dinâmica, personalidades locais, regionais e nacionais; do universo da pesquisa e estudo das temáticas ligadas ao cangaço, tradições e histórias do Nordeste, em conferências e debates, visitas técnicas e acadêmicas, mostras de cinema, vídeo e documentários, exposições de arte, e feiras literárias.

Mais informações:

Cariri Cangaço

Coordenador

Manuel Severo

Www.Cariricangaco.Com

Telefone: (85) 9629.9826

Comentários


Li e aceito os termos de regulamento para moderação de comentários do site.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.