Turismo de aventura

Grupo se prepara para ir ao Atacama

Os motociclistas marcaram a viagem para 2017. Até lá, testam as máquinas, ânimos e motivações

00:00 · 27.12.2015
Image-0-Artigo-1988522-1
Os amigos se definem como apaixonados por aventura e se planejam para uma longa viagem, até o maior deserto do mundo ( Foto: Elizângela Santos )

Crato. Um grupo de apaixonados por motocicletas, e claro, uma boa aventura pelo mundo, vai encarar o desafio de percorrer cerca de 15 mil quilômetros, atravessando sete países, durante 30 dias de viagem. A Expedição Cariri/Atacama começa no primeiro dia de junho de 2017, mas desde abril deste ano, os seis amigos dispostos ao longo percurso se organizam com os preparativos, desde a busca de patrocinadores, ao encorajamento do grupo. E mais: a necessária preparação psicológica, para controlar a adrenalina até lá.

Eles se definem exatamente como apaixonados e aventureiros. O grupo, que reúne desde empresários, jornalista, tabelião, mecânico e major reformado, quer chegar ao deserto do Atacama, no Chile - o mais árido do mundo-, e tem como um dos principais desafios da jornada a mudança climática. Vão pegar temperaturas de 4º e 40º. Numa diferença de 2 horas, mudanças de até 30º. "Não estamos acostumados com isso. É muito abrupto e vai ser muito difícil", relata o jornalista Paulo Ernesto, um dos integrantes da equipe.

São extremos em que é preciso uma boa preparação física, com orientações nutricionais, para atravessar o trajeto. O marco zero da viagem será do Centro do Crato, na Praça da Sé, com chegada prevista e planejada para uma grande recepção, após um mês inteiro sob duas rodas, na rotatória de entrada da cidade de Juazeiro do Norte.

A oportunidade é encontrar nos dois extremos da viagem, a aridez. Desde o Semiárido brasileiro ao deserto. As motocicletas a serem usadas no percurso envolvem a paixão dos participantes. É a Ténéré Yamaha, duas de 1200 cilindradas, mais duas com 660cc e duas com 250cc. Serão percorridos, além de boa parte do Brasil, trechos do Paraguai, Uruguai, Argentina, Chile, Peru e Bolívia. Os devidos registros ao longo da trajetória serão realizados com vídeos e textos, para que a experiência seja acompanhada pelo público e os aventureiros, que pretendem ter a viagem como modelo e inspiração para outras pessoas.

Objetivo

A finalidade da viagem traz junto o motivo da aventura e a marca do conhecimento por novos rumos. É o turismo de aventura, que têm encontros programados, a cada mês, desde o primeiro semestre. Todos eles: Paulo, Thiago, Francisco Klerton Macambira, Pedro Nogueira, Sonístenes Campelo e Francisco Heberth Carvalho somam forças para o teste. O projeto da excursão já conta com um roteiro previamente agendado, e as pautas específicas determinadas.

A primeira aconteceu com a apresentação do grupo e as outras são rodas de conversa, onde vão sendo atualizadas as questões necessárias para seguir adiante. Somente em agosto desde ano, o projeto foi devidamente aprovado. A luta agora é por patrocinador. E não são apenas os acertos dos encontros. No meio de tantos planos a serem debatidos, há os breves passeios nas motocicletas, para o exercício fundamental sob as duas rodas. Um aquecimento e ao mesmo tempo uma busca de equilíbrio da ansiedade.

Motivação

Para Paulo Ernesto, além de ser uma prova para as motocicletas, a preparação psicológica se dá a cada encontro. Foram elaboradas regras internas do grupo e a primeira delas é não desistir. A motivação acontece sempre e a preparação tem alguns comprometimentos. O próprio Paulo deixou de fumar. "Subir a quase 5 mil metros de altitude exige fôlego e preparação física. É preciso ter um coração bom. Estabeleci isso como meta e também voltei a pedalar", afirma.

Nos três meses que antecedem a viagem, entra em cena um fisioterapeuta para cuidar do grupo, principalmente com orientações e exercícios relacionados à coluna. Os dias serão bem puxados para os aventureiros. Em média, serão percorridos em torno de 600 a 800 quilômetros. Isso de acordo com as cidades adequadas às paradas e também às condições de percurso. O planejamento efetivo da tão sonhada viagem acontece a partir de março, com as reservas dos hotéis e pousadas dos motociclistas, com uma readequação de roteiro, a depender das mudanças climáticas e condições do percurso, treinamento físico mais intensivo a partir de maio, revisão das motocicletas. Depois é seguir o rumo do Atacama. Várias exposições estão sendo programadas para o retorno dos aventureiros. (E.S.)

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.