projeto científico

Geopark celebra 9º aniversário

Equipamento é hoje referência para outros estados que pleiteiam o mesmo reconhecimento internacional

00:00 · 27.09.2015
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A sede administrativa do Geopark Araripe funciona no Crato ( Fotos: Elizângela Santos )
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Exposição marca o aniverário de criação do Geopark Araripe, com reconhecimento da Unesco, identificando a área como de grande valor geológico e cultural
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Mais de 5 mil pessoas passaram pela exposição no espaço de uma semana, que integra as homenagens do que é conhecido com "o grande museu aberto"

Juazeiro do Norte. Um território que passou a ser visualizado para o mundo inteiro com uma das áreas onde está o maior museu aberto do período cretáceo do planeta. Assim se insere o Geopark Araripe, que completa nove anos, prestes a receber o Selo Verde, conforme avaliação da Organização das Nações Unidas para Educação (Unesco), pela Rede Global de Geoparks. No último dia 21, houve até mesmo o corte do bolo para comemorar o aniversário de um dos projetos que mais tem projetado a região.

Como forma de celebrar a data, foi realizada uma solenidade para entrega de comenda aos municípios que fazem parte da área do geopark, além de uma exposição denominada '9 anos do Geopark Araipe', no Cariri Garden Shopping. Mais de 5 mil pessoas passaram pelo espaço em uma semana.

Segundo o coordenador geral do Geopark, Idalécio Freitas, o projeto vive o seu melhor momento, tanto em termos de valorização e reconhecimento da sociedade, como uma maior maturidade dos projetos desenvolvidos, que têm sido importantes para a preservação do território. O projeto, criado pela Universidade Regional do Cariri (Urca), foi iniciado em 2006 e conta com seis municípios da região, incluindo Santana do Cariri, Missão Velha, Crato, onde se localiza a sede administrativa, Nova Olinda, Barbalha e ainda Juazeiro do Norte.

Atualmente, são 111 geoparques no mundo. O Geopark Araripe passou a ser uma referência no Brasil para outros proponentes e tem recebido visitas de representantes de outros estados. O intuito é conhecer procedimentos e os critérios necessários para se tornar uma área com o reconhecimento internacional e inserida no contexto de geopark. O coordenador científico, Álamo Feitosa, destaca, entre os candidatos no Brasil, o Estado do Mato Grosso Sul, na Serra da Bodoquena, no complexo do Pantanal, e o Quadrilátero Ferrífero, de Minas Gerais. Ele lembra que na inclusão do geopark foi pedida a inserção da Unesco, se configurando como a primeira avaliação, em 2006, sendo a segunda realizada cerca de cinco anos depois e a terceira feita recentemente. Esse processo é contínuo e deve acontecer a cada quatro anos.

Inspeção

Para Idalécio Freitas, certamente até o final do ano será divulgado o resultado da avaliação feita por técnicos da Rede Global. Eles fizerem uma inspeção da área e uma análise dos projetos que estão sendo desenvolvidos ao longo dos anos. O coordenador afirma que esse é um momento de comemoração, por inúmeros benefícios que vêm sendo obtidos por meio do projeto, onde dezenas de teses de mestrado e doutorado já foram realizadas, contribuindo para a expansão da pesquisa na área do Araripe, além de divulgadas grandes descobertas na paleontologia.

O coordenador geral também destaca o crescimento de parcerias, atualmente com mais de 70, principalmente na iniciativa privada. "Temos visto um interesse maior da sociedade em poder participar", afirma. Exemplo disso, hotéis e restaurantes da região tem adotado a proposta de sustentabilidade nas suas empresas, incentivando o turismo na região. Recentemente, a empresa Trilhar, voltada para a promoção de trilhas, com técnicos especializados, foi criada. "E tudo isso veio após o geopark e não param de surgir novas empresas", afirma.

Segundo Idalécio, não há dúvidas de que houve mudanças, desde a inserção do território, incluindo os contextos básicos de trabalho de um geopark ligados a geoconservação, geoeducação e geoturismo. São ações, conforme ele, dentro de uma realidade pautada no desenvolvimento sustentável, que podem ser trabalhadas de forma interligada.

Efetivo

Na última Assembleia Geral dos membros da Associação Brasileira de Defesa do Patrimônio Geológico e Mineiro (AGeoBRh), ocorrida no dia 10 de setembro, em Lençóis/BA, o Geopark Araripe foi convidado a participar da Associação, como membro efetivo do Conselho Fiscal.

A AGeoBRh é uma associação criada por e para interessados nos temas da geodiversidade, geoconservação, geoturismo e patrimônio geológico e mineiro. Seu objetivo é reunir aqueles que estão preocupados com a perda de memória do país e de seus melhores instrumentos para formação de jovens pesquisadores, cientistas e profissionais nas áreas das ciências, com o fim de desenvolver estes temas no Brasil e promover a proteção dos afloramentos e exposições relevantes, em especial àquelas que têm ligação com a identidade ou apoiam a sobrevivência e geração de renda das comunidades no seu entorno.

A AGeoBRh, foi discutida em diversos Simpósios Temáticos dos Congressos Brasileiros de Geologia desde 2006, em eventos de Geoparques da América Latina, e nos Simpósios Brasileiros de Patrimônio Geológico. No segundo deles, em Ouro Preto, Minas Gerais, em 2013, ocorreu a assembleia de fundação da entidade, e a indicação de uma diretoria provisória para organização da proposta inicial de regimentos e legalização, até o próximo evento em 2015.

Mais informações:

Geopark Araripe
Rua Carolina Sucupira, S/N
Centro
Crato
Telefone (88) 3102 .1237

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