Missão da unesco

Geopark Araripe será reavaliado

A última avaliação foi realizada há quatro anos; hoje, é preciso haver a renovação da chancela do Selo Verde

22:00 · 11.07.2015 / atualizado às 00:00 · 12.07.2015
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Por conta de sua importância, o equipamento recebe visitas constantes ( Fotos: Elizângela Santos )
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Atualmente são 111 geoparques no mundo. O Geopark Araripe passou a ser referência no Brasil para outros proponentes e tem recebido visitas de representantes de outros estados, que buscam aqui se inteirar dos requisitos necessários para o bom funcionamento de um equipamento desses moldes

Crato. Projeto com a chancela internacional da Organização das Nações Unidas para Educação (Unesco), único no Brasil e o primeiro das américas, o Geopark Araripe passará por sua terceira avaliação por parte da Rede Global de Geoparks no mundo. Dois avaliadores, o geólogo e paleontólogo grego, Ilias Valiakos, e a geóloga austríaca, Kirstin Lemon, serão recepcionados no Cariri no próximo dia 21.

Os dois e permanecerão por mais dois dias na região, com programação para análise de projetos, cumprimentos de etapas de trabalho, além de visitarem os espaços dos geossítios, distribuídos em seis municípios da região. Normalmente o resultado dessas avaliações, acontece durante eventos da rede Global.

A última avaliação foi realizada há quatro anos, e, após esse período, é preciso haver a renovação da chancela do Selo Verde, com o reconhecimento máximo dado à área. A coordenação dos projetos aposta na renovação, diante do cumprimento em cerca de 80% do que ficou estabelecido como meta a ser cumprida nesses últimos quatro anos, inclusive com processo de melhoria e estruturação dos geossítios, em execução.

De acordo com o coordenador geral do Geopark Araripe, Idalécio Freitas, da Universidade Regional do Cariri (Urca), esse é um momento de grande importância para o projeto da universidade, que vem sendo desenvolvido na região. No próximo ano, o GA fará 10 anos, ampliando a visibilidade do ponto de vista de importante área de geoeducação, geoturismo e geoconservação. Esse tripé reúne as principais características do trabalho, segundo ele, que se busca fortalecer todos os anos. Há muito o que ser destacado, e todos os projetos serão apresentados aos avaliadores.

Atualmente são 111 geoparques no mundo. O Geopark Araripe passou a ser referência no Brasil para outros proponentes e tem recebido visitas de representantes de outros estados. No intuito de conhecer procedimentos e os critérios necessários para se tornar uma área com o reconhecimento internacional e inserida no contexto de geopark.

O coordenador científico Álamo Feitosa destaca, entre os candidatos no Brasil, o Estado do Mato Grosso Sul, na Serra da Bodoquena, no complexo do Pantanal, e o Quadrilátero Ferrífero, de Minas Gerais. Ele lembra que, na inclusão do Geopark, foi pedida a inserção da Unesco, se configurando como a primeira avaliação, em 2006. A segunda realizada cerca de cinco anos depois e a terceira agora.

Esse processo é contínuo e deve acontecer a cada quatro anos. Idalécio afirma que algumas exigências para que fosse feita essa avaliação foram determinadas, a exemplo das melhorias nos geossítios, como forma ampliar o receptivo. Alguns deles já começaram a ser efetivadas, como em Missão Velha, na área da Cachoeira, e em Santana do Cariri, com investimentos do Governo do Estado, por meio de empréstimo do Bird. Isso inclui desde o acesso a obras estruturantes dos espaços. Um projeto de sinalização foi desenvolvido para os geossítios na região.

Municípios

Além de Missão Velha e Santana do Cariri, estão inseridos na área do Geopark os municípios de Crato, onde se encontra a sede, além do Centro de Interpretação, na área da ExpoCrato; Juazeiro do Norte, Nova Olinda e Barbalha. Os trabalhos começaram ainda no ano passado. A ideia foi iniciar os serviços em locais considerados de maior prioridade, como o Pontal da Santa Cruz, em Santana. Há quase dois anos, o monumento que dá nome ao local, uma cruz de mais de 20 metros, desabou. Além dele, o geossítio Cachoeira de Missão Velha, conta com novo acesso. As obras estão sendo realizadas pela Secretaria das Cidades do Ceará, por meio de empréstimo do Bird.

No geossítio Cachoeira de Missão Velha, estão sendo efetivadas obras estruturantes, incluindo pavimentação e sinalização do acesso, inserção de mobiliário e da infraesturtura, a exemplo de um guarda corpo, que garantirá mais segurança para as pessoas que vão ao local contemplar a queda d'água. A estrada recebeu obras de drenagem. Com a finalização do acesso, o local contará com uma ciclovia.

O coordenador do Geopark Araripe, Idalécio Freitas, destaca a importância da melhoria da infraestrutura dessas áreas, por conta desse processo de avaliação da equipe de técnicos da Rede Global para revalidar a chancela Unesco. Ele destaca a presença de monumentos naturais na maior parte dos geossítios, além da presença de unidades de conservação municipal, estadual, federal e particulares. Um dos parques estaduais é o Sítio Fundão, em Crato, que faz parte do geossítio Batateiras.

O professor Idalécio ressalta o amplo programa dedicado ao Geopark, o primeiro criado nas Américas. Ele disse que a avaliação envolve desde os aspectos relacionados às melhorias na infraestrutura, além da forma de agregar o conhecimento histórico, cultura e desenvolvimento sustentável local. Além disso, promover o geoturismo, geoeducação e a geoconservação do território.

Todos os geossítios terão os acessos mais facilitados. Desde que foi criado, em 2006, o Geopark ainda conta com uma infraestrutura mínima nessas áreas. A meta é investir cerca de R$ 4 milhões no total, fora o acesso de estradas como acontece em Missão Velha. O projeto foi elaborado pelos próprios técnicos do Geopark, levando-se em conta as principais necessidades para realização desses serviços.

Todos os geossítios receberão novos mobiliários, além de melhorias que proporcionem mais conforto. Nos principais pontos de acolhida dos geossítios, serão construídas escadarias, banheiros, bancos, abrigos, bicicletário, além do um guarda-corpo, com correntes, no geossítio Cachoeira de Missão Velha. Outro aspecto que vem sendo pensado pelos técnicos é a inclusão de lojas de souvernirs com produtos regionais.

Manutenção

As trilhas receberão cuidados especiais, já que tem se acumulado lixo em algumas áreas, a exemplo do Santo Sepulcro, de apenas dois quilômetros, e com várias placas educativas. O público, no entanto, ainda não adotou o hábito de guardar o lixo, sem deixá-lo na floresta. Uma empresa fará a manutenção das trilhas e dos mobiliários, e haverá segurança nas áreas.

No geossítio Cachoeira de Missão Velha será construído o bicicletário, abrigo, banca de vendas e inseridos bancos rústicos em madeira, lixeiros, além do guarda-corpo em metal e madeira. Todos os geossítios receberão praticamente a mesma estrutura, com as devidas adequações e características de cada espaço, além de incorporar a acessibilidade, com banheiros para deficientes. O maior impacto relacionado ao projeto de infraestrutura acontecerá nos geossítios Riacho do Meio, em Barbalha, e no Pontal da Santa Cruz, em Santana do Cariri, em execução. Nessas duas áreas serão inseridos novos estacionamentos, com maior capacidade.

No Parque dos Pterossauros, em Santana do Cariri, e ideia é além de toda a infraestrutura, com sala de multiuso, construir um espaço de proteção para a área de escavações de fósseis. O intuito é fazer com que esses espaços sejam garantidos por mais tempo para estudos. Na área da floresta petrificada, em Missão Velha, também será construído um estacionamento, e escadas para acesso a alguns espaços.

Mais informações

Escritório Geopark Araripe
Carolina Sucupira,s/n
Pimenta
Crato - CE
Telefone : (88) 3102.1237

Elizângela Santos
Colaboradora

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