desafio na mobilidade

Frota cresce 400% em Juazeiro

Estudo sugere criação de faixas para ônibus, bicicletas e restrições no estacionamento e tráfego de veículos

21:00 · 29.08.2015 por André Costa - Colaborador
Image-0-Artigo-1919142-1
Anel viário é uma das apostas para atenuar o tráfego intenso de veículos ( FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS )
1
Clique na imagem para ampliar

Juazeiro do Norte. Em apenas 14 anos, a frota de veículos cresceu mais de 400% nesta cidade. Em 2000, de acordo com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), eram 17.995 veículos registrados. No ano passado, esse número superou a casa dos 90 mil. Segundo o Departamento Municipal de Trânsito (Demutran), 216 micro-ônibus ("topics" e vans) circulam diariamente na cidade de Juazeiro. Para especialistas, é preciso repensar a construção de novas vias, adotar restrições na circulação e estacionamento de veículos e implementar, com urgência, um plano de mobilidade local.

A situação de precariedade no trânsito e transporte deste município foi pauta de audiência realizada no auditório do Centro Estadual de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), entre representantes de diversos segmentos. Na ocasião, o que mais gerou discussão foi o resultado de um estudo elaborado com o objetivo de melhorar as condições na área central de Juazeiro.

O estudo visa a otimizar a circulação de veículos, solucionando, assim, problemas diários enfrentados por pedestres, ciclista, motociclistas, motoristas e usuários de transportes públicos.

Inicialmente, a pesquisa detalhou o trafego das três principais artérias do centro da cidade: São Pedro, São Paulo e Padre Cícero. Segundo o coordenador do projeto, Professor Amilton Macedo, as três vias apresentam trânsito intenso, superando a capacidade máxima por hora em cada faixa, que é de 1.200veículos/h/faixa.

Amilton ressaltou que "o projeto de otimização da mobilidade urbana no centro da cidade deverá, além de melhorar a fluidez do trânsito, estimular o uso de transporte coletivo, com a possibilidade de criação de uma faixa exclusiva para ônibus, vans, mototáxi e táxi", disse. Ele lembra que o congestionamento deve-se ao crescimento acelerado da frota de veículos circulantes, somado à "inexistência de planejamento ou adoção de medidas anteriores para minimizar os problemas verificados".

O projeto realizou pesquisa de volume de tráfego nas três principais ruas do centro, entre os dias 11 a 30 de maio, das 7 às 20 horas. Os agentes do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran) apontaram a rua São Pedro como a mais congestionada. No horário de pico, correspondido entre 11h30 e 12h30, mais de 95 mil veículos trafegaram pelo local, entre os dias 11 e 23 de maio, uma média de 2.009 veículos por hora. Para vias arteriais, o volume máximo é de 1.800/hora/faixa.

Deste total, as motocicletas representam mais de 53%, quando o estudo apontou 778 motos/hora na rua São Pedro. A disparidade com o número de bicicletas anotadas para o mesmo trecho (apenas 27 por hora) chamou a atenção do professor especializado em gestão de mobilidade urbana. "Devemos apostar no transporte público, para que menos pessoas usem seus veículos particulares, e criar, ainda, meios para o uso de bicicletas. Acreditamos que com condições ideais, com segurança, mais ciclistas ocuparam o as vias, fazendo fluir melhor o trânsito", ponderou Amilton Macedo.

Além das pesquisas de tempo de viagem, foi desenvolvida uma outra de opinião pública sobre a aceitação das possíveis medidas a serem adotadas para melhoria da mobilidade urbana. São seis medidas: criação de faixas exclusivas para transporte público e coletivo; implantação de ciclofaixas; proibição de micro-ônibus estacionados no centro da cidade; remoção de estacionamentos em alguns pontos; proibição de carga e descarga de caminhões e rampa de acessibilidade para cadeirantes.

Foram entrevistadas 200 pessoas, dentre as quais, 100 eram comerciantes. A ação com maior aceitação foi a criação e ampliação de rampas de acessibilidade (92,5%) e a com menor aprovação, a não permissão de estacionamento em um dos lados da via (70,5%). Juntas, as seis medidas foram aprovadas, em média, por 80,5% dos entrevistados.

Comércio

O Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Juazeiro do Norte, Michel Oliveira Araújo, elogiou o estudo feito, classificando-o como "inédito". No entanto, ressaltou que algumas medidas devem ser revistas e "analisadas com cuidado" para que não haja reflexo negativo no comércio da cidade. Ele informa que 95% dos comerciantes de Juazeiro são de pequeno ou médio porte, não havendo, portanto, "possibilidade de esses lojistas ficarem abertos das 18h30 às 6h para carga e descarga", conforme está previsto no estudo.

Impacto

Michel Oliveira acredita que, caso a medida seja adotada, haverá um impacto no comércio, prejudicando sobremaneira os lojistas. "Ao invés de diminuir os pontos de carga e descarga, acredito que deve-se encontrar meios de aumentá-los; nossa economia é baseada no comércio", lembra Araújo.

A retirada do estacionamento de "topics" do centro da cidade, removendo-as para um terminal no Centro de Apoio aos Romeiros, foi vista positivamente por pequenos comerciantes. "Esse espaço de apoio aos Romeiros tem mais de mil boxes, mas ninguém quer alugá-los por não ter movimento. Se todas as "topics" parassem lá, o fluxo de pessoas seria intensificado e ajudaria os comerciantes, que passariam a se interessar pelo local", disse um vendedor.

Araújo lembrou, ainda, que o "Vapt Vupt", central de atendimento ao cidadão que reúne diferentes serviços públicos, "já é responsável por um aumento significativo de circulação de pessoas no Centro de Apoio aos Romeiros", informou. Por dia, são realizados mais de 2 mil atendimentos na central.

Em contrapartida, o vereador Normando Sóracles (PSL) está reticente quanto à mudança e se mostra temeroso quanto aos impactos previstos. "Sou a favor da mudança, acho louvável, mas acredito que não deve ser feita agora. O país está em crise, o comércio de Juazeiro será afetado caso essas "topics" sejam direcionadas para outro local", externou o parlamentar.

Contribuição

O chefe de gabinete, Micaelce Gonçalves Santana, reconhece que o trânsito "está conturbado", porém acredita que "a iniciativa tem tudo para dar um grande contributo ao processo de mobilidade urbana na área central de Juazeiro".

O prefeito Raimundo Antônio de Macêdo (PMDB), que participou do encontro, avalia que os diversos problemas no trânsito foram acumulados ao longo do tempo e agravados nos últimos anos com o crescimento vertiginoso da cidade. Ele aponta que a situação financeira do município dificulta soluções imediatas, porém, afirma que os primeiros passos já estão sendo adotados com a elaboração do projeto de mobilidade urbana.

"Faremos o que tiver ao nosso alcance, começando pelos pontos mais crítico e dimensionando o projeto em etapas possíveis de realizar". Raimundão disse que levará em consideração os estudos técnicos visualizando os impactos e resultados.

Mais informações:

Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte

Praça Dirceu Figueiredo, s/nº - Centro

Telefone: (88) 3566-1044

Comentários


Li e aceito os termos de regulamento para moderação de comentários do site.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.