Artesanato

'Flores de Padre Cícero' mostram primor de artesãs

Diariamente são confeccionados aproximadamente dez arranjos florais pelas artesãs que atuam no Mercado do Pirajá, em Juazeiro do Norte

00:00 · 30.11.2014
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Atividade foi incentivada por Padre Cícero para maior louvor das romarias ( Fotos: Roberto Crispim )
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As Floristas de Pirajá, como passaram a ser mais conhecidas, trabalham todos os dias, inclusive fins de semana e feriados e podem ser localizadas no primeiro pavilhão daquele equipamento público

Juazeiro do Norte. Uma arte manual que já dura mais de três décadas continua ganhando admiradores neste município. Trata-se das "Flores de Padre Cícero". Embora tímida por conta da ausência de maiores recursos, a fabricação artesanal de arranjos florais acontece diariamente em alguns pontos específicos da cidade de Juazeiro do Norte. Um deles é o Mercado do Pirajá, onde três artesãs uniram forças, há cerca de dez anos, objetivando dar manutenção ao trabalho que realizam e conquistar maior clientela, a partir da comercialização de suas peças aos romeiros, que frequentam a cidade em épocas de maior movimentação religiosa.

Diariamente são confeccionados cerca de dez arranjos florais por cada uma das três artesãs que atuam no Mercado do Pirajá. O valor das mercadorias varia conforme a dificuldade que a peça apresenta durante sua criação. Os valores oscilam entre R$ 8 e R$ 50. Os arranjos são variados. Há de todos os tipos e tamanhos. As cores das rosas, no entanto, possuem simbologia especial e representam a figura de Padre Cícero ou de algum santo da Igreja católica.

Dentre as comemorações religiosas que fortalecem a comercialização dos produtos, a Renovação do Sagrado Coração de Jesus é a que maior demanda proporciona às artesãs. A Renovação do Santo teve seu surgimento em Juazeiro do Norte, incentivada pelo Padre Cícero que orientava seus fiéis a realizarem este tipo de louvor pelo menos uma vez ao ano. Essa tradição se espalhou pelo Nordeste, fazendo com que algumas famílias católicas reservem a sala de entrada da casa para afixar as imagens do Sagrado Coração de Jesus e Maria e outros santos.

Louvor

Para o Sagrado Coração de Jesus e para São Sebastião, por exemplo, as rosas são confeccionadas na cor vermelha. Para Santa Luzia somente rosas brancas, mesma tonalidade utilizada para a produção dos arranjos em louvor ao "padim". Já para São José apenas arranjos na cor azul são criados. A tonalidade também é a mesma utilizada nos materiais produzidos em homenagem à padroeira do município de Juazeiro do Norte, Nossa Senhora das Dores. Todas as peças são confeccionadas a partir de tecidos de nylon, papel crepom, cola branca, arame, areia prateada e fita decorativa.

"Tem alguns arranjos que são mais produzidos. Depende muito do cliente também. Quem quer adquirir uma peça mais trabalhada precisa encomendar com antecedência", explicou a artesã Francisca Lopes Bezerra. Segundo ela, a comercialização aumenta durante o mês de novembro, quando é realizada a Romaria de Finados, a maior do ciclo religioso.

Neste período, conforme a artesã, as peças acabam decorando os veículos dos romeiros. "Muita gente que vem paras as festas compra os arranjos pra decorar os carros pau-de-arara. É uma forma que os romeiros arranjam de também demonstrar a fé em Padre Cícero e na 'Mãe das Dores'", observou. Francisca Lopes Bezerra atua na confecção de arranjos florais desde os doze anos de idade.

A arte foi repassada por uma tia, que também gostava de trabalhar manualmente a modalidade artesanal. Já adulta, passou a trabalhar por conta própria, conquistando sua independência e uma clientela fiel. Hoje, aos 37 anos de idade, ela comercializa seus produtos de segunda a domingo, no mercado do Pirajá, e em feiras livres nas cidades de Caririaçu e Crato.

Uma de suas companheiras é dona Francisca Bezerra Alves, que produz flores artificiais há cerca de 30 anos. Conforme afirma, o ofício foi aprendido com os filhos que, ainda pequenos, com cerca de 4 e 5 anos, foram ensinados por uma tia. Quando o mais velho completou 10 anos de idade, passou a incentivar a mãe ter seu próprio negócio, introduzindo-a na prática do artesanato. O trabalho aumentou a renda familiar e custeou os estudos dos filhos que hoje estão formados e trabalhando em suas profissões.

"Mudou muita coisa. O dinheiro ganho com o trabalho dos arranjos contribuiu muito para que minha família tivesse uma vida melhor", afirma a artista. A outra parceira da dupla, Maria Juracy Quintino da Silva, é a mais velha do grupo. Produz flores há 20 anos. Acomodadas em um dos corredores internos do Mercado do Pirajá, as três artesãs comemoram o bom momento das vendas e, conforme Francisca Bezerra, neste fim de ano, as vendas deverão voltar a crescer. "A gente torce para que, com as festas de fim de ano, mesmo sem a presença dos romeiros, a população de Juazeiro adquira nossas peças para homenagear pessoas queridas ou, então, para oferecer os arranjos a algum santo de sua preferência", salienta.

As floristas do Pirajá trabalham todos os dias, inclusive fins de semana e feriados, e podem ser localizadas no primeiro pavilhão do equipamento público. "Não tem como não encontrar as Flores de Padre Cícero. Aqui todo mundo ensina o caminho", conclui sorridente a artesã Francisca Bezerra Alves. (R.C.)

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